ROTANEWS176 23/07/2026 17:20
Por Anne Evelin

Reprodução/Foto-RN176 Após 74 anos da tragédia, descoberta no fundo do mar revela avião da Pan Am desaparecido
74 anos após um acidente que entrou para a história da aviação, os restos de uma aeronave desaparecida da Pan Am World Airways, maior companhia aérea internacional dos anos 1950, foram identificados no fundo do mar, próximos à costa de Porto Rico.
Em abril de 1952, uma aeronave operada pela famosa companhia norte-americana caiu poucos minutos após decolar do aeroporto de Isla Grande, em San Juan, capital de Porto Rico, com destino a Nova York.
A aeronave, de registro NC88899, era um Douglas DC-4, quadrimotor a pistão fabricado em 1940 pela Douglas como um avião de passageiros de longo alcance, mas cuja cabine não era pressurizada, o que limitava a altitude de cruzeiro para evitar a falta de ar e o desconforto dos passageiros. A bordo, iam 64 passageiros e cinco tripulantes.
O acidente começou quando o DC-4 enfrentou uma sucessão de problemas nos motores pouco depois da partida.
O avião perdeu potência durante a subida, e o comandante John C. Burn concluiu que não conseguiria manter o voo com segurança. Ele comunicou a situação de emergência e decidiu realizar um pouso forçado no mar, conhecido na aviação como ditching, afirma a Pan Am.
A aeronave desceu sobre uma superfície marítima que havia se tornado mais agitada devido ao aumento do vento e, segundo registros históricos, o impacto resultou na separação da parte traseira do avião, o que comprometeu sua capacidade de flutuar.
Uma investigação oficial conduzida pelo então Civil Aeronautics Board (CAB), órgão predecessor das estruturas modernas de investigação e regulamentação da aviação civil nos Estados Unidos, documentou o acidente e emitiu um relatório, hoje sob posse da National Transportation Library, do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
Depois do impacto, 17 das 69 pessoas a bordo sobreviveram; 52 foram vítimas fatais. O avião, que afundou rapidamente, fez com que vários passageiros tivessem dificuldade para abandonar a cabine, o que levou muitos à morte após o impacto.
O acidente mudou procedimentos importantes de segurança aérea. Um deles envolveu a padronização de procedimentos de segurança para passageiros, como uma rotina universal de demonstração de segurança antes da decolagem que explique onde estão as saídas de emergência, como usar o cinto e onde encontrar e vestir um colete salva-vidas.
De acordo com a Pan Am Historical Foundation, muitos passageiros permaneceram em seus assentos, em meio à confusão e ao pânico, mesmo quando o avião começou a afundar. A falta de orientação prévia sobre os equipamentos e a própria dinâmica de uma aterrissagem forçada na água transformaram a evacuação em uma corrida contra o tempo.
Por anos, os destroços do avião permaneceram perdidos no oceano. Em 2019, o presidente da Air/Sea Heritage Foundation, Russ Matthews, entrou em contato com uma das etiquetas de bagagem do voo, que atingiu a costa da Flórida levada pelas correntes. O achado fez com que Matthews iniciasse uma busca pelos últimos momentos do voo e pela área em que os restos do avião poderiam ser encontrados.
Um mapa produzido por pilotos da Força Aérea que haviam testemunhado o acidente ajudou a reunir informações, assim como dados sobre as condições meteorológicas e a dinâmica do acidente, usados para estimar a provável trajetória do avião.
O resultado foi uma área de aproximadamente 10 milhas náuticas quadradas de fundo oceânico. A primeira tentativa de localizar o avião foi feita em 2024, mas interrompida devido a condições meteorológicas desfavoráveis.
No início de junho de 2026, finalmente, a Air/Sea Heritage Foundation, em parceria com o Discovery Channel, localizou os destroços do “Clipper Endeavor” da Pan Am no fundo do Oceano Atlântico, ao largo da costa norte de Porto Rico, informou o Discovery em comunicado. A equipe usou um drone submarino equipado com sonar pôde identificar uma estrutura compatível com a aeronave durante a primeira passagem pela área de busca.
Restos identificados do avião. Créditos: Discovery Channel
Um levantamento fotográfico posterior confirmou a identificação de partes da fuselagem e da cauda da aeronave, com elementos visuais associados à Pan Am.
Os destroços foram encontrados a cerca de 610 metros abaixo do nível do mar.
Segundo a Air/Sea Heritage Foundation, a identificação do Clipper Endeavor deve servir para proteger o local como um recurso de patrimônio cultural relacionado à história da aviação.
O legado do acidente deixou ao setor uma herança de procedimentos de emergência e modernização de instruções e equipamentos para garantir maior segurança em caso de desastres. Já em 1956, quatro anos após o acidente, as regras passaram a exigir, para determinadas operações, instruções sobre o funcionamento dos coletes e demonstração de como vesti-los e inflá-los. Posteriormente, os requisitos foram ampliados para incluir outros elementos da segurança de passageiros.
FONTE: REVISTA FÓRUM










