A força da determinação interior

ROTANEWS176 26/09/2026  08:00

VENCER COM A NOVA REVOLUÇÃO HUMANA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS  

Esta série traz conteúdos de cada volume do romance Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de  Ilustrações de Shin’ichi Yamamoto: Ilustração de  Kenichiro Uchida

O terceiro volume destaca o compromisso da Soka Gakkai com a concretização do kosen-rufu na Ásia e no mundo. A missão tem origem na predição de Nichiren Daishonin sobre o “retorno do budismo para o oeste”, assumida por Josei Toda e transmitida a Shin’ichi Yamamoto.1 Em janeiro de 1961, Shin’ichi inicia sua primeira viagem pela Ásia. Em Bodh Gaya, Índia, reafirma seu compromisso de abrir o caminho da felicidade e da paz perene, confiando essa responsabilidade às futuras gerações.

O autor enfatiza que o kosen-rufu não ocorre passivamente; exige a ação consciente dos discípulos como “bodisatvas da terra”. O avanço da Soka Gakkai fundamenta-se no despertar interior e na motivação das pessoas comuns em sua respectiva comunidade. Exemplo disso foi o rápido desenvolvimento do movimento em Hong Kong ao longo de quatro décadas, impulsionado pelo empenho dos membros locais.

No âmbito social, ressalta-se a importância da defesa dos direitos humanos e da liberdade de crença, inspirada no rei Ashoka. O volume também reflete sobre as perseguições enfrentadas por Shakyamuni, destacando como boatos e falsos escândalos são historicamente utilizados para des­credibilizar pessoas justas e destruir laços de confiança.

No capítulo “Raios de Paz”, Shin’ichi Yamamoto comenta:

A missão religiosa dos budistas é essencialmente cumprir essa missão social como seres humanos. Somente quando uma religião capacita as pessoas a realizar esse propósito pode ser chamada de “religião viva”. O budismo não é mero idealismo. Uma verdadeira religião é aquela que permite que o estandarte da vitória humana seja hasteado bem alto em meio à realidade do nosso mundo.2

Capítulo 1

Retorno do Budismo para o Oeste

Resumo

Em janeiro de 1961, Shin’ichi parte em uma viagem pelos países asiáticos. Em Hong Kong, seu destino inicial, estabelece o primeiro distrito na Ásia fora do Japão.

Trecho de destaque

“Por trás do desenvolvimento de uma pessoa de valor existe sempre a figura dedicada de um veterano. Mesmo que não seja reconhecido, é o verdadeiro benemérito e estará acumulando ilimitada boa sorte por todas as existências.”3

DEDICAR A VIDA À MISSÃO Em 28 de janeiro de 1961, Shin’ichi Yamamoto partiu para Hong Kong, primeira escala de sua viagem em prol da paz na Ásia. No dia seguinte, enquanto aguardava para embarcar no voo rumo ao próximo destino, Ceilão (atual Sri Lanka), ele incentivou alguns membros que haviam se reunido para se despedir dele. Ele falou: “Neste momento, a quantidade de membros da Gakkai em Hong Kong é pouco mais de dez pessoas. No entanto, surgirão milhares no decorrer de vinte ou trinta anos, e serão os senhores a construir essa história.

O curso da vida é como um sonho, tão efêmero quanto uma gota de orvalho que se evapora ao calor do Sol. Contudo, mesmo essa gota d’água, quando se junta às outras, pode formar um rio e banhar uma larga extensão de terras. Já que a vida é uma só, por que não vivermos pela nobre e suprema missão kosen-rufu a fim de edificarmos um paraíso de eterna felicidade para o bem de nossa vida e da sociedade? Na América do Norte e no Brasil já se levantaram para essa missão. Agora é a vez de os senhores se erguerem como pioneiros do kosen-rufu do Oriente. Vamos atuar juntos!”.4Pela janela do avião, Shin’ichi observou as encostas rochosas da Montanha do Leão e pensou: “No solo de Hong Kong haviam surgido os filhos do leão. Porém, suas forças eram ainda insignificantes. Apesar disso, acalentava a convicção de que Hong Kong se transformaria num grande leão do kosen-rufu a descortinar a nova era no Oriente. Com o coração repleto de esperança, Shin’ichi continuou a viagem promovendo o retorno do budismo para o Oeste”.5

Capítulo 2

Índia

Resumo

Em 4 de fevereiro, Shin’ichi visita Bodh Gaya, Índia, onde Shakyamuni alcançou a iluminação, e enterra uma placa de granito dedicada ao kosen-rufu da Ásia

Trecho de destaque

“Talvez isso pareça uma ação muito modesta, porém acredito que o diálogo sincero de pessoa a pessoa é o caminho direto para criar uma correta concepção sobre a organização.”6

JURAMENTO AO MESTRE Em 4 de fevereiro de 1961, Shin’ichi visitou Bodh Gaya, local da iluminação de Shakyamuni, para depositar uma placa de pedra dedicada ao kosen-rufu da Ásia, ao lado de outros itens comemorativos. Um trecho do capítulo descreve seu sentimento: “Shin’ichi ofereceu sua oração com o juramento de dedicar a vida pela paz e felicidade dos povos do Oriente. Logo após o final solene da cerimônia, uma pessoa que a assistiu aproximou-se do grupo. Era um velho com um turbante na cabeça e envolto num traje típico tibetano chamado chuba. Ele se aproximou em silêncio com pétalas de flores nas mãos, curvou-se respeitosamente diante da comitiva e espalhou as pétalas pelo chão, e em seguida juntou as mãos em profunda reverência — eles foram honrados com uma inesperada cerimônia de oferecimento de pétalas de flores. Dessa forma, um monumento de ouro foi erigido como símbolo do retorno do budismo para o oeste, e no coração de Shin’ichi ecoou um poema do seu mestre, Josei Toda:

Aos povos da Ásia,

que oram por vislumbrar a Lua

entre as frestas das nuvens,

enviemos, em vez disso,

a luz do sol.

Como no poema, o sol reluzia magnificamente no céu, iluminando a altiva torre do templo Mahabodhi. Shin’ichi havia assinalado o primeiro passo no propósito de cumprir seu juramento ao seu mestre de concretizar o kosen-rufu do Oriente. Ele não tinha como saber quando a paz e a felicidade chegariam aos povos da Ásia, para então desenterrar os objetos. Porém, a responsabilidade de concretizar esse propósito era totalmente sua. Fitando o sol da Índia, bradou emocionado dentro do seu coração: “Eu o farei! Eu o concretizarei sem falta! Se eu tombar no meio do caminho, delegarei essa missão aos jovens, que são parte de mim. Que surjam milhares e milhares de Shin’ichi Yamamoto!”.7

Reprodução/Foto-RN176 Josei Toda Educador e Pacifista, segundo presidente da Soka Gakkai, Ilustrações: Kenichiro Uchida

Capítulo 3

O Buda

Resumo

Em Bodh Gaya, Shin’ichi reflete sobre a nobre vida de Shakyamuni como uma pessoa comum.

Trecho de destaque

“O verdadeiro preceito não é aquele estabelecido fora de si, mas o que é criado e evoluído no interior das pessoas. O espírito budista não se encontra nos preceitos ou mandamentos criados por outros, mas nas regras e disciplinas que cada um adota.”8

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria Editora Brasil Seikyo – Ilustrações: Kenichiro Uchida

ALVORECER DO BUDISMO Durante a viagem à Índia, Shin’ichi refletiu sobre a vida de Shakyamuni e recriou em sua mente o momento da iluminação do Buda. Em um trecho do romance, o autor comenta: “O amanhecer se aproximava e, no exato momento em que a Estrela da Manhã (Vênus) começou a brilhar, atingida por uma chuva de raios luminosos, a sabedoria de Shakyamuni iluminou‑se claramente para a verdade eterna e imutável. O corpo dele estremeceu de emoção e um choque percorreu seu peito. A face tornou-se corada e lágrimas transbordaram dos olhos. ‘Consegui! Consegui finalmente!’ — foi o instante em que ele alcançou a tão almejada percepção.

Ele se tornara finalmente um buda.

Era como se a porta da sua vida se abrisse para o universo, libertando-o de todas as ilusões que o desnorteavam. Sentiu que agora podia se mover e agir livremente baseado nessa lei da vida. Era uma sensação que nunca havia experimentado. Ele percebeu que o universo passa por constante criação e mutação; e os seres humanos também — nascem, crescem, envelhecem e morrem, para depois nascerem novamente. Nada no mundo, mesmo a natureza ou a sociedade humana, permanece imutável mesmo por um instante. Todas as coisas e fenômenos do cosmo emergem e se extinguem de acordo com a interação de fatores circunstanciais. Nada se forma ou subsiste isoladamente. Todas as coisas estão interligadas na extensão de tempo e espaço, e elas se originam e se manifestam de acordo com suas inter-relações. Cada fator opera ora como causa, ora como efeito e ora como circunstância, sobre o qual reina todos os fenômenos. Shakyamuni alcançou o domínio da natureza mística da vida pela qual obteve a convicção de que poderia desenvolver ilimitadamente sua condição interior. Adversidades, obstáculos e perseguições já eram para ele como partículas de pó diante do vento. Ele pensou: ‘Por desconhecer essa verdade absoluta, as pessoas se iludem pensando que são autossuficientes sem depender de outros. Essa ilusão as leva, no final, a se tornar prisioneiras de suas ambições, afastando-se da aceitação da imutável lei da vida. Com isso, perdem-se na escuridão das ilusões e acabam se afogando no mar da infelicidade e sofrimentos. Essa escuridão nada mais é que a divagação na fonte de todos os males e a causa fundamental do sofrimento humano representado pelo nascimento, envelhecimento, doença e morte. Por essa razão, o caminho da humanidade e da felicidade indestrutível somente pode ser desbravado ao se combater a maldade alojada no âmago da própria vida’. O Sol despontava no horizonte dispersando a névoa branca da manhã. Era o radiante alvorecer anunciando a paz e a felicidade de toda a humanidade.”9

Capítulo 4

Raios de Paz

Resumo

Shin’ichi visita a Birmânia (atual Mianmar), onde seu irmão mais velho havia perdido a vida na guerra.

Trecho de destaque

“Quando o discípulo procura o seu mestre e decide atuar junto com ele, a vibração da vida do mestre que vive pelo kosen-rufu também é transmitida na vida do discípulo.”10

A FORÇA INTERIOR DE UMA MÃE

No decorrer de sua visita à Birmânia (atual Mianmar), onde seu irmão mais velho havia morrido na Segunda Guerra Mundial, a mente de Shin’ichi retorna a lembranças de sua família e de sua mãe naquele tempo. Um episódio do capítulo ilustra sua força interior: “No fim da guerra, quando o governo evacuou a população do bairro de Kamata, onde ela e sua família moravam, para demolir as casas a fim de evitar a propagação de incêndios provocados por bombardeios, ela decidiu construir um cômodo conjugado à casa de um parente que morava num bairro próximo. No dia seguinte, quando tinham acabado de transportar toda a mudança para iniciar a vida nessa casa, ocorreu um ataque aéreo e uma bomba incendiária destruiu-a completamente. Tudo que se pôde salvar foi um velho baú. Na manhã seguinte, desamparados e desmotivados, foram ver o que restou do incêndio. Tudo foi transformado em cinzas, e a esperança deles concentrou-se no velho baú, a única coisa que restava. No entanto, quando a tampa foi aberta, ficaram ainda mais desolados. Continha bonecas que enfeitam as casas no Dia das Meninas e um velho guarda-chuva. Quem havia retirado esse baú do meio do fogo foi Shin’ichi e seu irmão mais novo. Ele sentiu suas forças se esvaírem ao ver o conteúdo do baú e ninguém escondeu a decepção. Então, ela disse: “Tenho certeza de que vamos morar novamente numa casa onde poderemos montar este conjunto de bonecas”. Na verdade, ela também estava desapontada, mas se esforçava para se mostrar radiante a fim de incentivar a família, e eles se sentiram muito encorajados com isso. Apesar da triste situação, o riso de todos ecoou pelos arredores destruídos pelo fogo. No coração dela ardia um forte espírito de jamais ser derrotada.”11

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria Editora Brasil Seikyo – Ilustrações: Kenichiro Uchida

Descolonização na Ásia e na África

Após a Segunda Guerra Mundial, os movimentos de independência ganharam força em diversas regiões da Ásia e da África. O enfraquecimento das potências coloniais europeias e a atuação da Organização da Nações Unidas (ONU), que passou a defender o direito dos povos à autodeterminação, criaram condições favoráveis para esse processo histórico. Desde 1947, países asiáticos já conquistavam sua independência, inspirando outras nações a fazer o mesmo.

Em 1955, a Conferência de Bandung (na ilustração), realizada na Indonésia, reuniu representantes de 29 países da Ásia e da África. O encontro fortaleceu a cooperação entre essas nações e reafir­mou princípios como o combate ao racismo e a oposição ao colonialismo e ao imperialismo. O processo de descolonização alcançou um momento decisivo em 1960, conhecido como o “Ano da África”, quando cerca de dezessete países africanos conquistaram sua independência. Nesse mesmo ano, a ONU aprovou a Resolução 1514, que defendia o fim do colonialismo em todos os territórios.

Embora tenha representado uma im­portante vitória da liberdade e da soberania nacional, a descolonização também deixou desafios duradouros. Em muitos casos, as fronteiras estabelecidas durante o período colonial desconsideravam a realidade histórica e culturas dos povos locais, gerando tensões que perduram até os tempos modernos.12

Independência da Índia

A independência da Índia, conquistada em 1947 sob a liderança do movimento conduzido por Mahatma Gandhi (na ilustração), representou um marco na história do país. Por meio dos princípios da não violência e da desobediência civil, milhões de pessoas participaram da luta pelo fim do domínio britânico. Como consequência, a Partilha da Índia, que deu origem à Índia e ao Paquistão, provocou intensos deslocamentos populacionais e profundas tensões sociais, afetando milhões de pessoas.

No início da década de 1960, o país buscava consolidar seu desenvolvimento econômico e social. A maior parte da população vivia em áreas rurais e enfrentava dificuldades relacionadas à pobreza, à limitada infraestrutura e à insegurança alimentar. A expectativa de vida era baixa para os padrões atuais, refletindo os desafios enfrentados nas áreas de saúde e saneamento.

Embora a Constituição indiana tivesse abolido a discriminação legal associada ao sistema de castas, desigualdades históricas ainda permaneciam presentes no cotidiano de muitas pessoas. As castas mais altas eram detentoras das terras e dos meios de produção, o que agravava a situação de miséria nas castas mais baixas da sociedade. Mesmo diante das dificuldades, a sociedade indiana tinha esperança de construir uma nação mais próspera para as gerações seguintes.13

Fontes:

Brasil Seikyo, ed. 2.484, 21 set. 2019, p. 14-15.

Idem, ed. 2.616, 13 ago. 2022, p. 20-21.

Notas:

1. Shin’ichi Yamamoto: Pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Huma­na. / 2. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 3, p. 233-234, 2019. / 3. Ibidem, p. 42. / 4. Ibidem, p. 58. / 5. Ibidem, p. 59. / 6. Ibidem, p. 93. / 7. Ibidem, p. 117. / 8. Ibidem, p. 166-167. / 9. Ibidem, p. 134. / 10. Ibidem, p. 239. / 11. Ibidem, p. 212. / 12. origins.osu.edu. Acesso em: 16 set. 2026. / 13. indianculture.gov.in. Acesso em: 16 set. 2026.

FONTE: EDITORA BRASIL SEIKYO=EBS

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