Ser uma pessoa de valor
ROTANEWS176 26/09/2026 08:10
CONEXÃO JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Consolidar um estado de vida de suprema alegria, que ressignifica todas as circunstâncias

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico ilustrativo da matéria
Imagine o seguinte cenário: você acorda cedo, sai de casa, passa o dia no trabalho ou na faculdade. No fim desse dia, é hora de voltar para casa, você corre para pegar o ônibus e chegar a tempo de descansar. No entanto, o coletivo está cheio e, no meio do caminho, o trânsito engarrafa de vez.
Qual a sua primeira reação? Será aquele nó no estômago devido ao estresse, ao cansaço acumulado e à frustração por não chegar ao seu objetivo, além da sensação de tempo perdido?
Nesse momento, há quem queira achar um culpado, responsabilizando o motorista do ônibus, as pessoas ao redor ou até a si mesmo por não ter saído mais cedo. Pensamentos como “Isso só acontece comigo” somente aumentam os sentimentos negativos.
Imprevistos, dias difíceis e rotinas cansativas são comuns à realidade de qualquer pessoa. Buscar apenas culpados ou se entregar à lamentação mina nossa capacidade de ver o lado positivo das circunstâncias e de assumir uma postura proativa e construtiva em relação à própria felicidade.
Enxergar valor em tudo
Pode parecer difícil, mas, em momentos como esse, faz toda a diferença conseguirmos entender que interpretamos nossos problemas de acordo com nosso estado de vida interior. O atraso do ônibus ou o engarrafamento são eventos que normalmente não podemos controlar. Mas o que está ao nosso alcance é a forma como lidamos com as situações.
Então, como ter uma atitude positiva diante de situações desafiadoras? Em certa ocasião, o presidente Ikeda encorajou as integrantes da Divisão Feminina da seguinte maneira:
O budismo é o ensinamento de se criar valor, e isso se inicia com o fato de ter sabedoria para apreciar cada situação que enfrentamos e transformá-la em alegria, esperança e vitória. (…)
Imaginemos, por exemplo, que comece a nevar. Se reagirem negativamente, avaliando como deve estar frio e escorregadio lá fora, então terão um dia péssimo. Mas se pensarem “Que rara oportunidade de poder ver essa linda neve! Mostrarei às crianças como se faz um boneco de neve e criarei uma lembrança inesquecível com elas!”, a partir desse instante, tudo será alegria. O segredo de criar valor é encontrar contentamento e significado em tudo o que acontece, enfrentar corajosamente o desafio. Para tanto, necessitamos de uma filosofia de vida, de sabedoria e de energia vital. Na realidade, esse é o propósito de nossa fé.
A nossa filosofia pessoal determina o modo como encaramos os acontecimentos. O fato de considerá-los numa perspectiva pessimista ou otimista, positiva ou negativa, faz toda a diferença do mundo.1
Mais que apenas tentar manter uma visão positiva dos acontecimentos, Ikeda sensei nos incentiva a analisar e a reagir à realidade com a mente iluminada pela prática budista. Ele continua:
Princípios budistas como “transformar veneno em remédio”, “desejos mundanos são iluminação” e “os sofrimentos de nascimento e morte são nirvana” constituem a filosofia da transformação do negativo em positivo. Contanto que adotemos uma abordagem dessa natureza, focada no futuro, jamais nos veremos num beco sem saída.
A maneira como percebemos os acontecimentos também está intimamente relacionada com a força de nossa energia vital. Quando temos fraca disposição ou somos apáticos, acabamos caindo numa mentalidade negativa apesar de nossos esforços para nos mantermos otimistas. Nossa atitude mental é inseparável de nosso estado de vida. A recitação do Nam-myoho-renge-kyo é a fonte de uma poderosa e inabalável vitalidade.2
Ao estudarmos o budismo, aprendemos sobre o princípio dos “três mil mundos num único momento da vida” (ichinen sanzen), que se refere aos aspectos e às fases variáveis que a vida assume a cada momento, manifestando um dos “dez mundos” — do inferno ao estado de buda. Esse conceito indica que a condição de vida de uma pessoa pode mudar e que todos os seres vivos dos nove mundos possuem o potencial da iluminação. Da mesma forma, um buda também possui os nove mundos e, nesse sentido, não é separado ou diferente das pessoas comuns.
Mesmo que estejamos em meio ao sofrimento, confusos ou aflitos em virtude de problemas, ao iluminarmos nossa vida com a recitação do daimoku, transformamos as tendências negativas da nossa vida e manifestamos o nosso melhor. É com essa postura que enxergamos as situações cotidianas de outro ponto de vista e aproveitamos cada momento para evidenciar nosso pleno potencial, exercitando a benevolência e a empatia pelas pessoas ao redor.
Romper a própria casca
Outra importante postura para cultivarmos valores positivos é prezar as pessoas, iniciando por aquela à nossa frente. Colocarmo-nos no lugar delas, incentivarmo-nos mutuamente e irmos além das nossas circunstâncias pessoais para buscar o bem comum são nutrientes para o autoaprimoramento como seres humanos.
Como praticantes do Budismo Nichiren, somos encorajados a abraçar a oportunidade de manifestar empatia pelos outros, principalmente quando nos deparamos com uma situação de conflito, evitando interpretações precipitadas. Esse exercício tem como base a sabedoria que evidenciamos com base na prática da fé, que nos permite expandir a condição de vida e enxergar valor em todas as pessoas e situações.
O termo “Soka” de Soka Gakkai significa “criação de valor”. Ikeda sensei esclarece:
A fonte da criação de valor é a fé. Ter fé significa ter uma esperança ilimitada. Independentemente de as circunstâncias serem boas ou más, mesmo que pareça lutar uma batalha perdida, deve se levantar convicto de que não será derrotado e, a partir daí, mostrar claramente a prova real do ilimitado potencial da Lei Mística. Esse é o verdadeiro propósito da fé! Sem dedicar todo nosso ser à criação de algo a partir do nada, não conhecemos o que é a fé genuína. O intenso desafio de criar valor, transformar a perda em ganho, o mal em bem, a mesquinhez em beleza. Esse é o espírito Soka. Isso é fé.3
Propagar o bem maior
Neste trecho de um de seus discursos, o presidente Ikeda narra um episódio ocorrido há mais de quarenta anos e que ilustra o poder da empatia
DR. DAISAKU IKEDA
Recentemente, recebi o seguinte relatório de uma integrante da Divisão Feminina da província de Toyama: “Tivemos bons resultados pelos esforços no shakubuku. Até na remota localidade próxima à província de Gifu, uma senhora se tornou membro da Soka Gakkai”.
Ela relata então que, no meio da conversa, essa senhora começou a lhe falar sobre as suas lembranças de cerca de quarenta anos atrás. Naquele dia, carregando sua criança pequena, ela havia tomado um trem da linha Takayama, dirigindo-se de Toyama a Nagoya. Era um dia muito quente, de temperatura recorde. Sem conseguir suportar o calor, a criança começou a resmungar e chorar. Era realmente um dia de calor insuportável. Então, um jovem que estava sentado próximo a elas começou a abaná-la carinhosamente com seu leque. E ele ainda comprou até um lanche, oferecendo-o, com um sorriso, à criança. A senhora se comoveu, pensando: “Que pessoa gentil! Existe esse tipo de gente tão boa na sociedade?”.
Ao agradecê-lo na despedida, ele lhe entregou seu cartão de visitas. Nele constava: “Daisaku Ikeda”.
Foi essa senhora daquela ocasião que se converteu agora. A relação causal com o Buda estabelecida uma vez com certeza acabará desabrochando. Isso está claramente registrado no Gosho: “As sementes do estado de buda germinam por meio da relação causal”.1
É exatamente como ensina essa passagem.
Toda sensei declarou: “Deve-se registrar a verdadeira história pelo bem do futuro daqui a cem anos”.
Ele disse ainda: “A Soka Gakkai, que se empenha pelo kosen-rufu em união de ‘diferentes em corpo, unos em mente’, é a organização que concretiza a harmonia humana na forma mais ideal. Nem mesmo milhões de indivíduos corruptos e malévolos jamais conseguirão destruir essa sólida união férrea”.
Construam a Soka Gakkai como esse tipo de organização.
Fonte:
Brasil Seikyo, ed. 2.707, 23 maio 2026, p. 4.
Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 385, 2017.
De olho na dica
Exposição
Calçar o sapato da outra pessoa
Um provérbio nativo norte-americano diz que “Não se pode julgar outra pessoa sem antes ter caminhado uma milha em seus sapatos” e serviu de inspiração para a artista britânica Clare Patey, em colaboração com o filósofo e escritor Roman Krznaric, criar um projeto internacional com sede em Londres conhecido como Museu da Empatia. O projeto deu origem à instalação Caminhando em seus Sapatos. A iniciativa convida o visitante a calçar e caminhar com os sapatos de outra pessoa enquanto escuta um áudio que conta um trecho da história de vida dela. O objetivo é realizar um processo ativo de observar a vida do ponto de vista de outra pessoa, do mesmo lugar que ela. No Brasil, o projeto foi montado em São Paulo em 2022, mas vale a pena conhecê-lo pelo site https://museudaempatia.org.br/sobre/.
Filme
Questão de Tempo
Imagine que você tem o poder de viajar no tempo e consertar qualquer momento constrangedor, frustrante ou difícil do seu dia a dia. É isso que acontece com Tim que tentar controlar cada imprevisto para ter uma vida sem problemas. O filme é um convite emocionante para ressignificar nossa rotina e sair do piloto automático.
Livro
Mude a Si, Mude o Mundo: A Religião da Revolução Humana
Escrito por Daisaku Ikeda, a obra mostra como a mudança que esperamos do mundo começa com a mudança interna para criar uma nova realidade dia a dia.
Fonte:
Terceira Civilização, ed. 652, dez. 2022, p. 50-63.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 16, p. 32-33, 2021.
2. Ibidem.
3. Brasil Seikyo, ed. 1.579, 11 nov. 2000, p. 3.
FONTE: EDITORA BRASIL SEIKYO=JBS



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