Globo, Folha e Estadão selam aliança com Flávio Bolsonaro e atacam Justiça por “censura” ao debate

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: EM OUTUBRO DE 2026!

ROTANEWS176 02/10/2026 10:10

Por Plinio Teodoro

Reprodução/Foto-RN176 Globo, Folha e Estadão selam aliança com Flávio Bolsonaro e atacam Justiça por “censura” ao debate

Às vésperas da eleição, mais uma vez, Globo, Folha de S.Paulo e Estadão se uniram ao candidato anti-Lula e selaram apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em editoriais e “análises” em que atacam decisões judiciais relacionadas ao debate cancelada pela emissora da família Marinho na noite anterior após uma série de decisões judiciais, que fizeram com que o filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) recuasse no enfrentamento aos ex-aliados no Projac. Lula, que já havia anunciado que não iria, foi entrevistado no Flow Podcast, que bateu recorde de audiência.

Em editorial momentos após a emissora cancelar o debate, o jornal O Globo, porta-voz do clã Marinho, faz coro com o bolsonarismo com o título “sem liberdade não há debate”, atacando decisões da Justiça que teriam “beneficiado” Lula.

“Diante da interferência política da Justiça e das violações à Constituição e à liberdade de imprensa, a TV Globo tomou a única decisão cabível: cancelou o debate entre candidatos à Presidência da República previsto para hoje”, escreve o clã Marinho, colando o discurso no bolsonarismo.

O texto mira especialmente a ministra Estela Aranha, que tem sido preterido por Kássio Nunes Marques no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por ter atendido uma ação do PT para que a emissora tirasse o púlpito de Lula do estúdio durante o debate.

Como Lula recusou o convite, a Globo pretendia deixar o púlpito no local para que os adversários atacassem o presidente. No editorial, a Globo diz que a manutenção da regra foi definida com os candidatos e acusa a ministra de criar “um desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto”.

“Depois da decisão, o candidato Flávio Bolsonaro (PL), cuja presença estava confirmada, também anunciou sua desistência”, diz o texto.

O editorial, no entanto, apenas cita outras “interferências políticas na Justiça”, como a decisão do próprio Nunes Marques de incluir Romeu Zema (Novo) no debate – algo que não foi visto como “censura” anteriormente pela emissora. A decisão abriu precedente para que Gilmar Mendes autorizasse a presença de Renan Santos (Missão), que provocou pânico na campanha bolsonarista.

Após uma série de ataques a Estela Aranha e o que classificou como “alegação sem nexo” na decisão da ministra, a Globo mira Lula: “Para observar a “dinâmica dialética”, bastaria a Lula comparecer ao debate. Sua ausência em nada evitaria citações a seu nome. Quem fez mal a si mesmo foi o próprio Lula”, diz o texto.

“Uma escolha muito difícil”

Um dia após reeditar o editorial “Uma Escolha Muito Difícil”, do Estadão, a Folha fez dobradinha com O Globo em texto em que diz que “ataque de juízes prejudica neutralidade da eleição”.

Estampado com uma foto de Gilmar Mendes, o jornal da família Marinho diz que “intervenção de Gilmar e censura de ministra do TSE para proteger Lula maculam a toga e enfraquecem defesas da democracia”, ignorando a atuação de Nunes Marques no resumo logo abaixo do título.

 “O que Jair Bolsonaro (PL) cogitou fazer pela força, e por isso foi com razão processado e condenado, algumas autoridades que atuaram no seu julgamento o fazem agora, movidas pelo desespero da autopreservação. Rasgam a toga, atropelam os ritos e fazem o diabo para favorecer a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”, diz a Folha no editorial.

Em seguida, o jornal se revolta com Gilmar Mendes por “atropelar decisão de sua colega Cármen Lúcia para obrigar a TV Globo a aceitar a presença do candidato do Missão, Renan Santos, no debate presidencial que estava marcado para para esta quinta”.

O ponto alto do texto é ligar Estela Aranha a Flávio Dino e bradar contra a “censura” sobre a decisão da ministra em tirar o púlpito de Lula do debate, pondo fim à estratégia da mídia liberal para favorecer o discurso “anti-Lula”.

“Censura de fato também não faltou nesse episódio abominável. A magistrada do TSE Estela Aranha, ligada a Flávio Dino, do STF, impediu, numa outra canetada solitária, a emissora carioca de exibir a cadeira vazia reservada a Lula, que decidira não comparecer ao evento”.

Igorando a decisão de Nunes Marques sobre Zema, a Folha se revolta dizendo que “só os petistas comemoraram” e faz coro com o bolsonarismo ao classificar o Brasil como “república de bananas”.

“Onde a marcha do arbítrio vai parar não se sabe. Intervir com tal descaramento na mediação do processo em plena disputa eleitoral seria há pouco tempo impensável, algo associado a repúblicas de bananas. Não é mais”, diz.

“Tudo o que os inimigos da Constituição de 1988 desejam é que o regime se enfraqueça para que seja mais fácil subvertê-lo com seus projetos tirânicos. É irônico, mas verdadeiro, que a autodestruição seja conduzida por quem tem o dever de defender a Carta”, conclui, em discurso idêntico ao propagado por Eduardo Bolsonaro junto à Casa Branca.

“Fechar o TSE”

Já o Estadão estampa na manchete na manhã desta sexta-feira (2) que as “decisões do TSE e do STF protegem Lula, matam debate na Globo e sugerem ‘fechar TSE’”. O texto, no entanto, é um amontoado de opiniões dos “colunistas” do jornal atacando a justiça e Lula.

Coube a Roseann Kennedy a missão de defender André Mendonça e Nunes Marques, alçados ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro, e “sugerir” o fechamento da corte eleitoral.

“Além disso, se depender de alguns magistrados que no Supremo são de grupo rival a Nunes Marques e a André Mendonça, respectivamente presidente e vice do TSE, as decisões desses dois serão relegadas à insignificância, para que prevaleçam outras determinações do gosto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, disse a “colunista”, junto a opiniões de colegas como Raquel Landim, ex-Jovem Pan, e Eliane Cantanhede, imortalizada na defesa das “massas cheirosas” na candidatura do então candidato do PSDB, José Serra, em 2010.

FONTE: REVISTA FÓRUM

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