Estela Aranha denuncia ataques misóginos após decisão sobre debate da Globo
ROTANEWS176 04/10/2026 3:40
ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: EM OUTUBRO DE 2026
Por Marcelo Hailer
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou neste sábado (3) que vem sofrendo ataques misóginos desde que proibiu, na quinta-feira (1º), a TV Globo de exibir uma cadeira vazia no lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate presidencial.
A declaração foi feita durante seminário na sede do TSE, em Brasília. Aranha afirmou que as reações deixaram de se concentrar nos fundamentos jurídicos da decisão e passaram para ataques pessoais.
Estela Aranha denuncia ataques misóginos
Durante o seminário do Programa de Convidados Internacionais para as Eleições 2026, Estela Aranha não citou diretamente o episódio, mas mencionou uma decisão tomada “essa semana” que, segundo ela, “sequer foi contestada juridicamente”.

Reprodução/Foto-RN176 Estela Aranha denuncia ataques misóginos após decisão sobre debate da Globo
“Estou passando por um momento pessoal em que se dá uma decisão e a discussão não é sobre a decisão, não é sobre os argumentos jurídicos”, afirmou.
A ministra classificou parte das reações como misóginas e comparou o tratamento recebido com aquele dispensado a outros integrantes da Corte.
“Há ataques misóginos, agressividade excessiva em relação à decisão, diferente de outros ministros que tomaram decisões no mesmo sentido”, disse.
Para Aranha, o debate público sobre decisões de grande repercussão é legítimo e “faz parte da democracia”, mas “o que não é aceitável são agressões”.
“Decisões de mulheres são agredidas pessoalmente”, afirmou.
A decisão sobre o debate da Globo
Na quinta-feira (1º), Aranha concedeu uma liminar que proibiu a TV Globo de exibir uma cadeira vazia no espaço reservado a Lula, que havia anunciado que não compareceria ao debate. A decisão também impediu que outros candidatos dirigissem perguntas ao presidente durante sua ausência.
Na decisão, a ministra argumentou que a imagem da cadeira vazia produziria efeitos que “transcendem a simples informação ao eleitorado acerca do não comparecimento” e apontou “perigo de dano” a poucos dias do primeiro turno. Também foi estabelecida multa em caso de descumprimento.
Pouco depois, o ministro Gilmar Mendes concedeu uma medida determinando a participação de Renan Santos (Missão) no debate. A Globo decidiu então cancelar o evento e alegou “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm”.
Aranha rebate críticas
Entre as críticas mencionadas pela ministra está a alegação de que sua decisão teria sido influenciada por “homens poderosos”.
“Obviamente eu não consulto ninguém para tomar as decisões, eu consulto a legislação”, respondeu.
Aranha afirmou que esse tipo de desqualificação também atinge outras magistradas e citou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao mencionar comentários nas redes sociais que atribuem decisões tomadas por mulheres a supostas orientações de terceiros.
Na sexta-feira (2), o ministro Flávio Dino também saiu em defesa de Aranha e comparou a repercussão de sua decisão com as medidas tomadas por outros dois ministros.
“Por que a decisão judicial da única mulher (ministra Estela) é mais atacada do que a decisão dos dois homens (ministros Kassio e Gilmar)?”, questionou Dino nas redes sociais.
Kassio Nunes Marques havia determinado à Globo a participação de Romeu Zema (Novo), enquanto Gilmar Mendes garantiu a presença de Renan Santos no debate.
FONTE: REVISTA FÓRUM



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