A força para lutar

ROTANEWS176 10/10/2026  08:00  

RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DA EDITORA BRASIL SEIKYO=EBS

Por Jefferson Akira Yuke Santos

Reprodução/Foto-RN176 Jefferson Akira Yuke Santos, na BSGI, é vice-responsável pela Juventude Soka (faixa 11 a 17 anos) Acima, Jefferson desfruta de plena saúde

Em meio aos desafios da juventude, dois caminhos podem definir uma vida: lamentar-se ou encarar as dificuldades. Para Jefferson Akira, 37 anos, a prática budista trouxe sabedoria e força para transformar carma em missão. Essa convicção começou antes mesmo do seu nascimento. Foi a mãe, Helena, quem conheceu o budismo, há quarenta anos, e logo em seguida o apresentou à avó dele. Assim, ele nasceu num lar budista, que no budismo chamamos de fukushi. 

Jefferson inicia seu relato com um olhar grato para essa trajetória: “Receber a boa sorte construída pelos esforços dos meus pais e antecessores também significa assumir a responsabilidade de transformá-la em uma causa para o futuro”, afirma. Essa compreensão se tornou decisiva quando a luta pela vida o levou a revisitar sua história, sua fé e os valores cultivados no budismo.

Jamais desistir

Jefferson cresceu nos jardins Soka de Poá, SP, ao lado da mãe e dos irmãos Joice e Júlio. Ali, ele obteve espaço para desenvolver seu potencial sem precisar corresponder aos padrões. “Encontrei pessoas que acreditaram em mim antes mesmo de eu reconhecer plenamente meu potencial”, conta. Na adolescência, ingressou na banda masculina Taiyo Ongakutai, começou no clarinete e chegou a maestro do núcleo local, acumulando 24 anos de convivência e amizade. Ao longo da jornada, assumiu diversas funções na BSGI, em especial em núcleos voltados para crianças e adolescentes.

Esse acolhimento e confiança foram vitais quando perdeu a mãe, em 2014, por câncer no pâncreas, e, cinco anos depois, recebeu o próprio diagnóstico. Sua vitória nessa dura fase da vida recebe recorte especial, ao falar sobre aprendizados e a convicção adquirida.

Eliminar a raiz do mau carma

Em 2019, enquanto vibrava pela promoção recebida como coordenador pedagógico em uma das unidades das Escolas Técnicas Estaduais (Etec) na qual trabalhava desde 2013, e conciliando os estudos e as atividades na BSGI, Jefferson percebeu manchas roxas nos braços. Exames revelaram uma doença imunológica incurável e um câncer maligno raro.

“No primeiro momento, fiquei em estado de choque, uma vez que, na ocasião, estava com 29 anos e minha querida mãe havia falecido de câncer. Em duas semanas, ele emagreceu sete quilos. Apoiado nos incentivos do Mestre e dos veteranos, determinou encarar a situação. “Eu desafiei recitar Nam-myoho-renge-kyo, mesmo sem forças algumas vezes. Eu continuei acreditando. Eu continuei avançando”, emociona-se, Jefferson. “Senti que a boa sorte se manifesta na coragem e na capacidade de não ser vencido pelas circunstâncias.”

Reprodução/Foto-RN176 Momentos com a saudosa mãe, Helena, na formatura da graduação

Após dez sessões de quimioterapia, a alta inicial foi seguida, em março de 2020, pela confirmação de uma rara recidiva do sarcoma, com uma lesão no sistema digestivo. “Um sarcoma raro já é difícil; recidivar é mais raro ainda. Sou raríssimo”, brinca. Com o apoio do namorado, da família e dos companheiros Soka, intensificou o daimoku. Passou a orar não por uma cura rápida, mas pelo tempo necessário para eliminar a raiz do carma. A pandemia acrescentou riscos, também superados.

Durante o tratamento, escreveu duas vezes a Ikeda sensei e recebeu respostas que reforçaram a certeza de que não estava sozinho.

Trouxe à mente os aprimoramentos vividos com os jovens Soka, incluindo o que realizou no Japão. Ele também se lembrava das palavras deixadas por sua mãe no último 3 de maio que celebraram juntos: “Jamais abandone o sensei e a Gakkai. Vença com o daimoku”. Jefferson mantinha em mente um precioso incentivo do Mestre, que diz:

Por sermos os discípulos eternos, os seguidores legítimos de Daishonin, assumimos alegremente nosso lugar no grandioso palco do kosen-rufu nos Últimos Dias da Lei. Possuímos uma missão profunda e estamos ligados diretamente a Nichiren Daishonin. Quando realmente encaramos os problemas e desafios, recitamos Nam-myoho-renge-kyo e empreendemos esforços com base num grande senso de responsabilidade em relação ao kosen-rufu, não há como a condição de vida do estado de buda do Nam-myoho-renge-kyo incorporado por Nichiren deixar de se manifestar em nossa vida.1

A vitória é certa!

Em 2021, recebeu alta e, desde essa ocasião, faz apenas consultas anuais, sem intercorrências.

“Transformar carma em missão é isso. O Nam-myoho-renge-kyo nos protege do desespero e nos faz viver de forma construtiva. A doença faz parte da vida: é encarar e vencer.” Em vez de tratá-lo como “coitado”, na Gakkai transmitiram-lhe esperança: “Vá, transforme seu carma. Você vai vencer”. Respeitando os períodos de repouso, o jovem continuou incentivando quem encontrava.

Passados cinco anos, vem se desafiando no trabalho, no mestrado, e como vice-coodenador da Juventude Soka da BSGI de 11 a 17 anos.

Reprodução/Foto-RN176 Na companhia dos irmãos Joice e Júlio

Na Universidade do Humanismo Soka, sua experiência fortalece os participantes. “Quero transmitir aos jovens o que aprendi com sensei: acreditar no próprio potencial, jamais desistir de si e avançar com a convicção de que podemos transformar nossa vida e construir o futuro desejado.”

Ao celebrar os 66 anos da BSGI, ele projeta sua visão para 2030. A luta contra a doença mostrou-lhe que qualquer sofrimento pode ser enfrentado com grandeza. “Faço parte de uma história de pessoas comuns que se apoiam de verdade. Quero ser braço e abraço para fortalecer uma BSGI que crie cada vez mais pessoas felizes e vitoriosas, honrando minha mãe e meu eterno Mestre como um jovem em quem todos possam confiar.”

Jefferson Akira Yuke Santos, 37 anos. Coordenador pedagógico. Na BSGI, é vice-responsável pela Juventude Soka (faixa 11 a 17 anos)

Nota:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 24, p. 141-142, 2019.

FONTE: EDITORA BRASIL SEIKYO

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