ROTANEWS176 11/08/2023 13:15 APRENDER COM A NOVA REVOLUÇÃO HUMANO Por Dr. Daisaku Ikeda
Jovens revolucionários dedicados ao kosen-rufu
Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração da matéria – Ilustração: Kenichiro Uchida
Em 1969, o movimento estudantil que havia se espalhado pelas universidades do Japão aumentou, acarretando violentos confrontos com a polícia e fazendo muitas vítimas. Os manifestantes tinham ampla gama de objetivos, mas, de forma geral, os protestos buscavam a liberdade acadêmica e a mudança institucional, além de abordar questões políticas e de injustiças sociais. Isso levou os integrantes da Divisão dos Universitários (DUni) da Soka Gakkai a tentar, desesperadamente, entender quais reformas eram realmente necessárias para a transformação da sociedade. Diante desse cenário, Shin’ichi Yamamoto manteve a seguinte interlocução com os membros da DUni:
Após liderar os participantes na recitação do sutra, Shin’ichi dialogou com eles. Um estudante perguntou:
— Qual a melhor maneira de construirmos uma sociedade melhor?
Eles sentiam necessidade de uma reforma social que acabasse com a opressão por parte das autoridades governamentais e acreditavam firmemente que esse era o caminho correto para os que são conscientes, mas não que a sociedade passaria por uma reforma com manifestações estudantis nem com levantamento de barricadas nos campi das universidades. Estavam também cientes de que, embora os estudantes reivindicassem a reforma social enquanto se encontravam na escola, depois de se formarem e entrarem para o mercado de trabalho não teriam outra escolha a não ser seguir o regulamento da empresa. O que significava que havia uma grande possibilidade de eles se tornarem parte da estrutura social que sustentava a opressão contra a qual se opunham. Nesse sentido, muitos integrantes da Divisão dos Universitários estavam preocupados em como executar seus ideais reformistas.
Shin’ichi respondeu:
— Não há necessidade de entender a revolução com base apenas em exemplos históricos como a Revolução Francesa ou a Revolução Russa. É superficial pensar que se pode construir uma nova sociedade seguindo os mesmos métodos das revoluções do passado, e está simplesmente fora da realidade imaginar uma reforma agitando bastões de madeira ou empregando a violência. A imagem do revolucionário que emprega táticas assim está ultrapassada. (…)
— E eu mesmo não desejo ver nem um único jovem sendo ferido! — disse ele enfaticamente.
“Somente o Budismo Nichiren consegue derrotar o egoísmo e sua natureza maligna e criar uma era em que prevaleça o humanismo — é uma batalha para vencer a escuridão fundamental de nossa vida. Nichiren Daishonin escreveu: “A espada afiada que corta a escuridão fundamental inerente na vida não é outro senão o Sutra do Lótus”.1 A solução está em realizar o kosen-rufu, um movimento em que cada pessoa revela a nobre condição de vida do estado de buda por meio da prática budista e transforma sua existência, pois é uma revolução abrangente embasada na revolução do indivíduo.
O propósito é que define os métodos. No momento em que se emprega a violência, mesmo o mais nobre dos ideais fica maculado. Qualquer desumanidade ou contradição que surgir na busca da reforma reflete que tipo de sociedade aparecerá após o término da batalha.
(Trechos do capítulo “Coragem e Sabedoria”)
Aprimorar nossa vida na “escola da juventude”
Em julho de 1969, a banda feminina Fuji Kotekitai da Soka Gakkai viajou para os Estados Unidos para uma apresentação conjunta com a banda feminina americana para celebrar a Sexta Convenção da Soka Gakkai da América. As jovens do grupo se esforçaram arduamente para esse evento, encorajando-se mutuamente e obtendo um extraordinário desenvolvimento pessoal.
Logo a banda começou a ser mais do que um espaço onde as jovens podiam polir seus talentos musicais, passando a ser como uma escola, onde elas cultivavam amizades e espírito do trabalho em equipe, polindo também o caráter.
Shoko Odano, que viajou para os Estados Unidos com a banda e posteriormente foi nomeada como sua terceira responsável, era uma jovem que havia aprendido tanto o espírito da Soka Gakkai como um modo humanístico de viver graças ao seu envolvimento com o grupo musical.
O dano entrara para a banda por incentivo da irmã mais velha quando estava no primeiro ano do ensino médio. Recebeu logo em seguida a responsabilidade de entrar em contato com várias outras integrantes para comunicar sobre os horários e locais dos ensaios. Ela percebeu então que algumas meninas que faziam parte de sua lista não compareciam, mesmo apesar de ela ter telefonado. Isso a deixava um tanto chateada, mas, como achava que havia cumprido sua tarefa ao avisá-las, então era problema delas se não participavam. Sendo ela mesma uma pessoa independente e autossuficiente, não gostava de interferir nos assuntos dos outros nem que os outros interferissem nos seus. (…)
Mas, ao saber de que forma as outras integrantes da banda lidavam com essa mesma responsabilidade, ela ficou surpresa. Quando alguém com quem elas haviam entrado em contato deixava de comparecer ao ensaio, elas ficavam profundamente preocupadas. Direcionavam suas orações para essa questão, recebiam orientação das líderes da banda e até mesmo iam até a casa da pessoa para incentivarem-na. (…)
Não há nada que se compare ao sentimento de criar uma bela e inspiradora apresentação. Creio que todas que entram para a banda feminina têm essa aspiração, e quero mesmo que possamos alcançar juntas o nosso objetivo. É por isso que jamais desistirei. Mesmo que ninguém não diga nada se eu me esforçar menos, eu saberei que estarei prejudicando a mim mesma.
Cada pessoa possui uma missão, e a verdadeira união nasce quando ela se levanta e cumpre plenamente a sua própria missão. É assim também que se cria uma nova história.
(Trechos do capítulo “Missão”)
Ilustração: Kenichiro Uchida
Nota:
- The Writings of Nichiren Daishonin [Escritos de Nichiren Daishonin]. v. I. Tóquio: Soka Gakkai, 2006. p. 138.
Assista
Veja o vídeo da série “Aprender com a Nova Revolução Humana”, volume 14
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO