ROTANEWS176 21/06/2025 11:20
CONHEÇA O BUDISMO DA REDAÇÃO DO JBS
A analogia do “azul é mais azul que o índigo” representa a essência do autoaprimoramento e da criação de sucessores que se dedicam à felicidade da humanidade

Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustração da matéria
Uma analogia citada diversas vezes por Nichiren Daishonin em seus escritos é a do “azul mais azul que o índigo”. Trata-se de uma expressão mencionada na antiga literatura chinesa, inclusive por Tiantai em sua obra Grande Concentração e Discernimento. A tinta azul para tingimento de tecidos era produzida a partir da planta do índigo, também conhecida como anileira. Nessa técnica, quando o tecido é tingido repetidas vezes com tal tinta, sua tonalidade se intensificava cada vez mais a ponto de ficar mais escura que a cor original do índigo.
Essa analogia é utilizada não só para indicar o constante aprimoramento da fé, fortalecendo-a cada vez mais, como também para mostrar a importância de os sucessores se desenvolverem, tornando-se melhores que os antecessores, como o azul mais intenso que o índigo.
Origens
A planta índigo, principalmente da espécie Indigofera tinctoria, já foi uma importante fonte de corante anil no passado. Ela é nativa de regiões tropicais e subtropicais em todo o mundo e a produção do seu corante esteve presente, desde épocas remotas, em regiões que hoje compreendem o Peru, a Índia, o Egito, o Sudeste Asiático, entre outras. Atualmente, o índigo sintético vem substituindo o natural na maior parte das utilizações.1
Aprimoramento constante
No escrito A Supremacia da Lei, Nichiren Daishonin enfatiza:
Fortaleça sua determinação mais do que nunca. (…) A tinta azul origina-se do índigo, mas quando utilizada para tingir algo repetidas vezes, a cor resultante fica ainda mais intensa do que a própria planta do índigo. O Sutra do Lótus é sempre o mesmo, mas se você fortalecer sua determinação [sua fé] constantemente, sua cor [o brilho que emite] será mais forte que a das outras pessoas e receberá mais benefícios que elas.2
Em nosso dia a dia, vivendo em uma sociedade repleta de desafios e influências negativas, desenvolver uma base sólida da prática da fé com a recitação do daimoku (Nam-myoho-renge-kyo) é a chave para alcançar uma vida vitoriosa e feliz, estabelecendo uma visão correta dos acontecimentos e triunfando sobre nossa própria escuridão fundamental. Realizar o exercício budista da fé, da prática e do estudo “tinge” nossa existência com a profunda e elevada condição do estado de buda, capacitando-nos não somente a ultrapassar os obstáculos e as maldades, mas também converter tudo em fonte de benefícios e transformação, conforme Ikeda sensei afirma:
“Fortalecer repetidamente nossa determinação” significa perseverar na prática budista. Significa não temer os obstáculos — ou melhor, empregar os obstáculos como impulso para reunir uma fé cada vez mais forte e polir ainda mais a vida.
Embora pratiquemos o Budismo Nichiren e tenhamos abraçado a fé no mesmo Sutra do Lótus (a Lei Mística) e no mesmo Gohonzon, é a força da fé da pessoa que determina o resultado. Quanto mais forte a fé, maiores serão os benefícios que desfrutaremos e mais amplo e satisfatório será o estado de vida que alcançaremos. Cientes dessa verdade, os membros no mundo inteiro estão mostrando uma maravilhosa prova real da força da fé.3
Estudo do budismo
Em outro escrito, O Inferno é a Terra da Luz Tranquila, Daishonin declara:
Aquele que, ao ouvir os ensinamentos do Sutra do Lótus, fortalece ainda mais a própria fé possui o verdadeiro espírito de buscar o caminho. Tiantai afirma: “Do índigo, um azul ainda mais forte”.4 Esta passagem indica que ao mergulhar algo repetidas vezes na tintura de índigo, o resultado será um azul mais intenso que o das próprias folhas da planta. O Sutra do Lótus é como o índigo, e o poder da fé de uma pessoa é como o azul que se torna cada vez mais intenso.5
Aqui, a analogia do índigo tem como referência nossa contínua prática da fé a partir da recitação diária do gongyo e do daimoku, estudando e compartilhando o budismo com as pessoas. Particularmente, em relação ao estudo do budismo, nosso mestre esclarece:
O estudo do budismo não é meramente para o acúmulo de conhecimentos. Seu verdadeiro significado está em aplicá-lo na vida cotidiana e em meio às atividades da organização. O “estudo do budismo na ação” é o espírito do estudo do budismo da Gakkai. Ao se deparar com as adversidades da vida, você conseguirá ou não se levantar na prática da fé com base no Gosho? As pessoas que adquiriram uma grande convicção na fé por ter “lido o Gosho com a própria vida” em meio à árdua realidade da vida são as que relatam vitoriosas experiências pessoais.6
Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustrativa da matéria

Aprender e aplicar o budismo de forma sábia, concreta e constante em nossas ações e em nosso relacionamento com as outras pessoas é o caminho para promover nosso autoaprimoramento; ou seja, nossa revolução humana, ao mesmo tempo em que contribuímos para a felicidade dos demais.
Criar sucessores
O presidente Ikeda enfatiza:
O mais importante são os seres humanos de valor. A organização que construir o castelo de pessoas valorosas prosperará vitoriosamente por todo o futuro.7
Aqui, o Mestre expressa sua grande expectativa e esperança na criação de pessoas valorosas que atuem e se dediquem à concretização do kosen-rufu pelo bem da humanidade, sobretudo entre as novas gerações. Os integrantes da Soka Gakkai por todo o mundo abraçam essa sublime missão, herdan-do o legado de Nichiren Daishonin e dando continuidade aos esforços empreendidos pelos Três Mestres Soka — Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda.
Ikeda sensei, em suas palavras, indica que, por mais que o kosen-rufu seja grandioso, se não houver pessoas que abracem e propaguem esse propósito, não será possível conduzir as pessoas à felicidade no futuro. É preciso cultivar pessoas valorosas hoje para que elas resplandeçam amanhã; ou seja, abrir caminho para que o azul vindouro se torne ainda mais azul que o índigo de onde ele é extraído. Ele ressalta:
Certamente, não há felicidade maior na vida que seguir um mestre exemplar do kosen-rufu e aprender sobre os princípios e a prática do budismo. Com esse espírito, eu me dediquei a servir e a apoiar meu mestre, segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda.
Um aspecto profundamente encorajador do caminho de mestre e discípulo da forma como é ensinado no budismo é que os mestres manifestam e incorporam a essência dos ensinamentos budistas na própria vida como seres humanos comuns. Ao darem um exemplo pessoal da dignidade e da nobreza inerentes à vida humana, inspiram os outros e os instigam a percorrer o mesmo caminho ilustre que eles. Seguindo a liderança dos mestres, os discípulos despertos entram em ação com o mesmo espírito para fazer diferença no mundo.
Enquanto dermos continuidade à nobre causa e às batalhas de nosso mestre na fé, o budismo continuará a se propagar pelo mundo e a iluminar o coração das pessoas como um ensinamento para a iluminação de toda a humanidade.8
Dica de leitura
Veja sobre o tema “Azul mais Azul que o Índigo” no Guia para a Vitória que acompanha esta edição do Brasil Seikyo.
Fontes:
Brasil Seikyo, ed. 2.521, 27 jun. 2020, p. 14-15.
Terceira Civilização, ed. 512, abr. 2011, p. 52.
Guia para a Vitória. Brasil Seikyo, ed. 2.655, 23 mar. 2024, p. 29.
Notas:
1. Disponível em: https://www.britannica.com/plant/indigo-plant-genus. Acesso em: 17 jun. 2025.
2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 643, 2017.
3. Terceira Civilização, ed. 512, abr. 2011, p. 52.
4. Grande Concentração e Discernimento. Essa passagem aparece no prefácio escrito por Zhangan.
5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 478, 2017.
6. Terceira Civilização, ed. 511, mar. 2011, p. 9.
7. Brasil Seikyo, ed. 2.449, 31 dez. 2018, p. B2.
8. Terceira Civilização, ed. 512, abr. 2011, p. 52.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO










