Educação para a vida

ROTANEWS176 21/06/2025 11:55 

RELATO DIRETO DAREDAÇÃO DO JBS

Do Rio de Janeiro, Tatiane vence o preconceito e faz do humanismo uma lição e prática para crianças e adultos

Reprodução/Foto-RN176 Tatiane da Conceição Carneiro, na BSGI, é vice-responsável pela Divisão Feminina do Distrito Parque Flora, Coordenadoria Baixada Sul Fluminense (CBSF), CGERJ.

Sempre conseguimos dar um sentido renovado à vida. É assim que traduzo o maravilhoso benefício de praticar o Budismo Nichiren. Sou Tatiane da Conceição Carneiro, moro em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro. Eu tinha apenas três anos quando minha família encontrou a Soka Gakkai, em 1983. Chego aos 45 anos na certeza de que tomamos a melhor decisão de nossa vida.

Minha juventude foi marcada por muitos desafios, porém, com base na recitação do Nam-myoho-renge-kyo, venci um a um e me tornei mais forte e convicta.

O novo sentido

Eu sempre acreditei na força da educação como forma de transformação humana e foi em 2001, quando me perguntava o que fazer, que essa chama se acendeu fortemente em meu coração. Ao participar de um curso de aprimoramento no Centro Cultural Campestre da BSGI em Itapevi, SP, ouvi o poema dedicado ao Brasil pelo presidente Ikeda em julho daquele mesmo ano: Brasil, Seja Monarca do Mundo!. (Leia mais sobre o poema nesta ediçao).

Cada trecho falava com meu coração, em especial quando o Mestre nos iluminava com palavras valorizando a convivênca solidária das etnias, a conquista mais digna da condição humana.

Veio à mente meu período de infância, assinalado por muitos problemas educacionais. Passei por situações graves de racismo e, se não fosse o budismo, não sei em que teria me tornado. Nessa ocasião, determinei seguir os passos do Mestre e, por meio da educação transformadora Soka, decidi cuidar e acolher qualquer pessoa diante de mim. Formei-me professora e prossegui com firmeza. A educação me escolheu!

Superar e avançar

Em 2020, passei a dar aulas on-line por conta da pandemia. Aproveitei esse período para desafiar muito mais daimoku a fim de vencer essa gande maldade. No ano seguinte, perdi minha amada mãe, Damiana, pela Covid-19. Apesar da dor e do sofrimento, pela profunda relação cármica que compartilhamos, continuei orando daimoku para que toda vitória de minha vida fosse também a vitória dela. É a atitude que mantenho, assim como meus irmãos, Regina e Antônio, que continuam firmes, tendo o Gohonzon consagrado em seus respectivos lares.

Reprodução/Foto-RN176 Tatiane com as alunas da rede estadual, que a homenageiam como madrinha da turma

Palco da missão

Poucos meses após o falecimento da minha mãe, fui convidada a assumir a função de coordenadora pedagógica de uma escola municipal dentro do complexo de favelas do Acari, Rio de Janeiro.

Lá, dedico-me de corpo e alma a difundir os ideais educacionais do meu mestre, Daisaku Ikeda. Atualmente, cuido de aproximadamente setecentos alunos e setenta professores e funcionários junto com minha diretora e diretora-adjunta, fora as diversas famílias com quem converso diariamente. Procuro me empenhar como sol da esperança em meu local de atuação, com base nos princípios e práticas da educação Soka.

Reprodução/Foto-RN176 Tatiane e sua família

Tatiane da Conceição Carneiro, 45 anos. Educadora. Na BSGI, é vice-responsável pela Divisão Feminina do Distrito Parque Flora, Coordenadoria Baixada Sul Fluminense (CBSF), CGERJ.

Em meio a tudo isso, em 2023, surgiu a suspeita de um câncer de mama e, ao mesmo tempo, comecei também a sofrer com muitos problemas no trabalho, pois essa comunidade em que atuo é bastante violenta. Cheguei a ponto de pensar em abandonar a função. Mas, como “não existe oração sem resposta”, os benefícios surgem: recebi o resultado dos meus exames e os nódulos na mama eram benignos. Para minha surpresa, no trabalho, fui convidada a receber uma menção honrosa das mãos do secretário de Educação do Rio de Janeiro, pois a instituição havia sido considerada a segunda melhor escola dentro da Coordenadoria Regional Estadual. Vitória!

Novas conquistas

E mais, com outras dez mulheres negras, escrevemos, organizamos artigos e fomos honradas com o lançamento de um livro em 2023. Sou, portanto, coautora e contribuí com três artigos para essa coletânea tão sensível. No ano passado, recebi um telegrama informando da convocação para assumir como professora na rede estadual de ensino do Rio de janeiro. Detalhe: um concurso feito há dez anos. Não podemos jamais desistir, não é mesmo? É o que tento transmitir sempre para minha filha, Maria Eduarda, que venho criando com meu companheiro, Marcos Henrique.

Ele me apoia em tudo. Assim, com muita gratidão, fora eu ser coordenadora na rede municipal, assumi mais essa função, como professora na rede estadual. Tenho o prazer de atuar com jovens e adultos, incentivando-os a vencer com base na educação humanística.

Ikeda sensei nos direciona: “Como educadores, vocês estão sustentando a Lei Mística e pondo em prática esta filosofia em sua vida cotidiana. A missão de vocês é realmente profunda”.1

Minha decisão, rumo a 2030, é vencer em minha revolução humana a cada dia, com base na recitação do daimoku e transmitir os ideais do meu mestre a todos com quem eu encontrar. Manifesto minha profunda gratidão aos meus familiares e companheiros! Sensei, muito, muito obrigada!

Nota:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 24, p. 211, 2019.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO