Vidas unidas pela paz 

ROTANEWS176 12/07/2025 11:10  

ENCONTRO COM O MESTRE

Por Daisaku Ikeda

Trechos selecionados de incentivos de Ikeda sensei trazem o significado da relação de mestre e discípulo e como pô-la em prática em nossa própria vida.

Reprodução/Foto-RN176 Em primeiro plano, jovem Daisaku Ikeda, à esq., e seu mestre, Josei Toda (Shizuoka, Japão, mar. 1958). Ele foi  um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – SGI – Foto: Seikyo Press

Não há nada mais belo para um ser humano que os laços de mestre e discípulo. Não existe nada mais forte. A unicidade de mestre e discípulo é a essência do budismo. Mas devemos nos lembrar de que um mestre não é um ser superior; mestre e discípulo são companheiros que se empenham juntos na vida real para alcançar um mesmo ideal.

Brasil Seikyo, ed. 1.583, 9 dez. 2000, p. A3.

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Pode haver muitas maneiras de conceber a relação de mestre e discípulo, professor e aluno, diferindo de pessoa para pessoa, ou conforme a instituição ou país. Acredito que essa relação seja indispensável para modelar positivamente nações, sociedades e a época com inabalável integridade, paixão e energia.

Os mestres expõem aos discípulos todos os objetivos e todo bem que desejam realizar. Por quê? Porque a vida é limitada. Precisamos passar o bastão para a próxima geração e depois para a outra, a fim de alcançarmos algo de valor duradouro.

IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 3: Kosen-rufu e Paz Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 216.

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Sem a relação de mestre e discípulo, qualquer coisa que realizarmos simplesmente terminará junto com a nossa existência. Não passará de um breve drama e de uma busca por satisfação pessoal. Em contraste, a relação de mestre e discípulo nos habilita a viver uma vida conectada ao grandioso fluxo da humanidade, uma vida comparável a um caudaloso rio, uma vida que faz parte de uma ininterrupta corrida de revezamento.

O budismo ensina a unicidade de mestre e discípulo. Não se trata de uma hierarquia com o mestre acima e o discípulo abaixo. Mestre e discípulo compartilham o mesmo ideal e avançam juntos em direção a ele.

Ibidem, p. 217.

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Mestres e discípulos são como atletas numa corrida de revezamento. Eles avançam, passando adiante o bastão ao longo da trilha pela justiça, felicidade e paz de toda a humanidade. Os mestres correm na frente para, depois, transferir o bastão aos discípulos.

Nada significativo pode ser alcançado sem mestres. Desse modo, eles merecem máximo respeito. Os discípulos põem em prática o que aprenderam com o mestre e dão continuidade ao trabalho que ele lhes deixou para efetuarem no futuro.

O presidente [Josei] Toda sempre dizia que os discípulos devem buscar ultrapassar seus mestres. Somente mestres de pensamento mesquinho exigem que os discípulos os sigam e aceitem tudo o que disserem com obediência cega. Mestres genuínos instigam os discípulos a superá-los, a realizar o que eles não puderam realizar. E discípulos verdadeiros se esforçam ardentemente para fazer exatamente isso.

Ibidem, p. 218.

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A relação entre mestre e discípulo é como a da agulha com a linha. O mestre abre o caminho e revela os princípios, enquanto o discípulo prossegue o trabalho do mestre, aplica, desenvolve e concretiza esses princípios. O discípulo também deve seguir adiante e ultrapassar o mestre. O mestre, por sua vez, está pronto a dar tudo de si, até mesmo a própria vida, pelo discípulo.

Sempre mantive o compromisso de assumir como meu dever não me poupar de dor ou esforço algum e de fazer qualquer sacrifício necessário para abrir o caminho de um futuro radiante para nossos jovens e construir o palco para as atividades deles.

Ibidem, p. 219.

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Embora os discípulos se sintam totalmente diferentes do mestre em termos de sabedoria e de benevolência, enquanto mantiverem o mesmo compromisso e juramento, e os mesmos ideais e esforços abnegados que o mestre, sem falta desfrutarão uma condição de vida tão sublime e vasta quanto a do mestre. Esse é o caminho para manifestar a iluminação com base na unicidade de mestre e discípulo que pulsa no Sutra do Lótus.

Terceira Civilização, ed. 502, jun. 2010, p. 44.

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Na sociedade existem os vencedores e os perdedores. Não há como medir a boa sorte nem a falta dela. No entanto, mesmo que alguém triunfe, esse entusiasmo não durará para sempre. Porém, uma pessoa que tem consciência de si mesma, ainda que sofra alguma derrota temporária, poderá continuar avançando e construir um futuro mais vasto, profundo e grandioso do que aquela que venceu numa circunstância inicial. O importante é não sermos vencidos em nosso espírito, e avançarmos passo a passo confiantes em nossa vitória final. Ainda acredito nisso até hoje.

Pessoas conscientes de si mesmas são aquelas que despertaram para o juramento conjunto de mestre e discípulo, para a sua missão como discípulas. São pessoas cujo senso de propósito e missão pelo kosen-rufu tornaram-se uma única coisa.

Brasil Seikyo, ed. 2.441, 27 out. 2018, p. B1.

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A unicidade de mestre e discípulo inicia-se pelo ato de viver com o mesmo espírito do mestre e de sempre mantê-lo firmemente no coração. É fácil falar sobre o caminho de mestre e discípulo, mas se nosso mestre não estiver em nosso coração, não estaremos praticando o budismo genuinamente.

Se pensarem no coração do mestre como algo que existe fora de vocês, as ações e a orientação dele não atuarão mais como um padrão ou modelo interior para vocês. Então, em vez disso, poderão adotar como parâmetro de conduta a maneira como seu mestre os vê ou os avalia. Se isso acontecer, tenderão a se esforçar com afinco se o mestre lhes disser estritamente que o façam, mas poderão diminuir o empenho ou até se tornar calculistas na tentativa de obter a aprovação dele. Dessa forma, não conseguirão aprofundar a fé nem realizar sua revolução humana.

E se os líderes cederem a essa tendência, aniquilarão o verdadeiro espírito do budismo e o puro mundo da fé se transformará num reino de questões mundanas governado por vantagens pessoais e conjecturas.

Somente estabelecendo firmemente o grandioso caminho da unicidade de mestre e discípulo no próprio coração, a pessoa consegue promover a perpetuação da Lei.

IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 25, 2020, p. 275.

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Era apenas um rapaz de 19 anos quando encontrei esse magnífico mestre, de quem recebi intenso treinamento. Aos 32 anos, tornei-me presidente da Soka Gakkai e, com o passar do tempo, transformei-a na organização global que é hoje. Tenho certeza de que tanto Tsunesaburo Makiguchi [primeiro presidente da Soka Gakkai] como Toda sensei estão na “terra pura do Pico da Águia”, orgulhosos e sinceramente me elogiando: “Este é o meu discípulo!”, “Meu discípulo triunfou!”.

Meu mestre, Josei Toda, foi o verdadeiro discípulo de Makiguchi sensei. Sou o verdadeiro discípulo de Josei Toda. A Soka Gakkai prosperou por causa dessa relação de mestre e discípulo forte e sólida como uma rocha, existente entre os três primeiros presidentes.

No budismo, os discípulos são o ponto essencial. A vitória do discípulo é também a do mestre. Somente quando os discípulos vencem, e de forma consistente, é que uma duradoura era Soka é criada. Por favor, nunca se esqueçam desse ponto fundamental.

Brasil Seikyo, ed. 2.505, 29 fev. 2020, p. 5.

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Quando visitei o Brasil pela primeira vez, em 1960, eu estava realmente muito doente, mas determinado a realizar a viagem, mesmo que morresse. Com o desejo de abrir o caminho para o kosen-rufu no Brasil, incentivei sinceramente cada pessoa que encontrei. Também fundei nessa viagem o primeiro distrito da Soka Gakkai fora do Japão.

Nas décadas seguintes, os membros da BSGI, fazendo do meu coração e do meu sonho os deles, empenharam-se para promover nosso movimento com a mesma dedicação abnegada. Fico profundamente comovido com sua sinceridade. Declaro que o Brasil triunfou graças ao compromisso compartilhado entre mestre e discípulo.

Não há nada mais grandioso nem mais precioso que a fé na Lei Mística. Quando vocês se dedicarem ao kosen-rufu, sua vida brilhará com o supremo tesouro da fé — mesmo que não sejam ricos. Esse é um tesouro dourado, eterno e indestrutível. O coração de vocês se torna assim seu maior tesouro.

Idem, ed. 1.959, 11 nov. 2008, p. A3.

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Estou agora dando o máximo de mim para construir o alicerce para a eterna vitória da Soka Gakkai. Toda sensei disse: “Daisaku está plenamente ciente do que sinto no coração”. Nós discutimos juntos todos os tipos de planos e eu concretizei cada um deles.

As aparências e as construções não são o mais importante. O que importa é a relação de mestre e discípulo. Independentemente de quantos prédios grandiosos deixarmos, se esse ponto fundamental for esquecido, nosso movimento ficará com sérios problemas.

Se há algo do qual possa me orgulhar é o fato de eu ter me devotado ao caminho de mestre e discípulo e ter apoiado Toda sensei com toda a sinceridade.

Idem, ed. 1.981, 4 abr. 2009, p. A4.

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Um líder da Divisão dos Jovens perguntou sobre como ensinar aos novos membros o espírito de mestre e discípulo. Em primeiro lugar, precisamos estar cientes de que ensinar não quer dizer forçar algum assunto quando as pessoas não querem ouvir; se fizerem isso, o ouvinte não aceitará nada do que disserem, não importando quanto insistirem. A melhor oportunidade para conversar sobre a relação de mestre e discípulo é quando a outra pessoa expressa alguma curiosidade ou interesse nisso.

Além do mais, é importante manter em mente que o fato de a pessoa conhecer o conceito de mestre e discípulo não significa que ela realmente o compreende.

Cada pessoa é diferente. Algumas pessoas têm o coração puro, ao passo que outras são mais irreverentes por natureza. Há aquelas que tendem a ser mais atiradas e outras são mais tímidas. Existe todos os tipos de pessoas. Não faz sentido apresentar as coisas exatamente da mesma forma para todas elas.

Depois que realmente conhecerem bem uma pessoa, chegará o momento em que, com sincera preocupação por ela, vocês sentirão a necessidade de lhe falar sobre a fé. Nesse ponto, é de suma importância extrair a sabedoria intuitiva de um filósofo humanístico, a qual se reflete em sua capacidade de compreender o sentimento do outro e escolher o momento e a situação certa para começar a conversar. Esse é também o tipo de sabedoria necessária para conseguir apresentar outras pessoas ao budismo. Uma infinita sabedoria resulta da séria oração em prol da felicidade dos nossos membros e amigos. Isso nos capacita a incentivar sinceramente os outros para que possam brilhar com todo o esplendor.

Idem, ed. 1.888, 21 abr. 2007, p. A3.

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Como podemos triunfar nos próximos cinquenta anos? Como concretizar, nos próximos cem anos, um retumbante sucesso? Oro sempre com seriedade e sinceridade, exigindo o máximo da minha capacidade de pensamento e criando “valores humanos’ para assegurar que a Soka Gakkai, com sua missão pelo kosen-rufu, desenvolva-se para sempre e desfrute um esplêndido e brilhante futuro. (…)

É essencial cultivarmos a força para nunca sermos derrotados por nada. O ponto de partida para chegar a essa meta é a relação de mestre e discípulo. Depende de cada um de nós realizar todos os dias a própria mudança para crescer hoje mais que ontem e amanhã mais que hoje.

Idem, ed. 1.723, 15 nov. 2003, p. A4.

Na vida que reverencia como mestre um grande homem,

tornando-o seu modelo, há justiça.

Há avanço.

Há desenvolvimento. Há plenitude.

Quem vive a relação de mestre e discípulo

compreende a missão.

Não há felicidade maior que possuir um mestre.

Não há orgulho tão sublime quanto

lutar junto com o mestre.

A gratidão por esse mestre é a fonte

para continuar trilhando uma vida correta. (…)

Para Makiguchi sensei, Toda sensei foi um bom discípulo.

Para Toda sensei, eu fui um bom discípulo.

O valor do mestre se define pelo discípulo.

Não se define pelo mestre, mas pelo discípulo.

As três gerações Soka de mestre e discípulo estão

em exato acordo com as escrituras budistas.

A relação de mestre e discípulo

não tem a ver com distância física.

Mesmo que estejam separados por longas distâncias,

o coração de ambos se conecta instantaneamente.

E, também, ultrapassando as épocas,

a vida de cada um reverbera com a outra.

Nem o espaço nem o tempo

são barreiras que impeçam

a relação de mestre e discípulo.

Nos belos laços de mestre e discípulo

resplandece a coroa de louros de vitórias

como ser humano.

O espírito Soka se encontra no

juramento seigan de luta conjunta de mestre e discípulo,

que se levantaram para construir a paz e a felicidade

indestrutíveis em prol das pessoas do mundo.

Nossos laços de mestre e discípulo, que vivem pelo

grande desejo eterno chamado kosen-rufu,

também são eternos.

Brasil Seikyo, ed. 2.619, 24 set. 2022, p. 6.

Leia mais

Especial com o tema “Três de Julho — o Ponto Central da Relação de Mestre e Discípulo” 

Matéria de Capa da revista Terceira Civilização, ed. 552 , ago. 2014, com o tema “Unicidade de Mestre e Discípulo — A Eterna Chama da Vida”.

Assista

Ao vídeo A Visão Budista sobre Mestre e Discípulo.

Ouça

Podcast com o tema Shitei Funi (Unicidade de Mestre e Discípulo)” .

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN