VÍDEO: REPORTAGEM NA ÍNTEGRA DA TV 3.0
ROTANEWS176 22/08/2025 14:10
Por Fernando Lauterjung

Reprodução/Foto-RN176 Daniela Abravanel Beyruti, do SBT; Paulo Marinho, da Globo; Claudio Luiz Giordani, do Grupo Bandeirantes; e Marcus Vinícius Vieira, da Record, no SET Expo 2025. (Crédito: Divulgação)
Em um movimento que sinaliza uma nova fase de cooperação no setor, os CEOs das quatro maiores redes de televisão do Brasil reuniram-se nesta semana, em São Paulo, para apresentar uma visão unificada sobre o futuro da radiodifusão. Durante um painel no SET Expo, Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, Daniela Abravanel Beyruti, CEO do SBT, Marcus Vinícius Vieira, CEO da Record, e Claudio Luiz Giordani, CEO do Grupo Bandeirantes de Comunicação, defenderam a força da TV aberta e detalharam os planos para a implementação da DTV+. O ponto central do encontro foi o reconhecimento de que a competição tradicional entre as emissoras tornou-se secundária diante do avanço de novos concorrentes globais.
Para o presidente da SET, Paulo Henrique Castro, a presença conjunta dos executivos no evento simboliza uma mudança fundamental no setor. Em declaração a este noticiário, ele afirmou que o encontro aponta para uma nova fase da radiodifusão, na qual as emissoras deixam de ser apenas produtoras de conteúdo para se transformarem em “mediatechs”. Segundo Castro, não há mais um distanciamento entre a engenharia e as decisões executivas; a tecnologia está cada vez mais entranhada no negócio e vice-versa.
Essa integração reflete a tônica do próprio congresso, que está permeado por debates sobre a aplicação de tecnologia nas mais distintas áreas do negócio de mídia, desde a produção e distribuição de conteúdo até a monetização e mensuração de audiência. A discussão liderada pelos CEOs, portanto, não foi um fato isolado, mas o ponto alto de um movimento que atravessa toda a indústria.
O debate, mediado pelo jornalista e colunista de mídia Guilherme Ravache, girou em torno da percepção de que existe uma “narrativa” de enfraquecimento da televisão que não corresponde aos dados de audiência. “Quando a gente olha o número puro, quando a gente observa o Crossmedia na Kantar, quando a gente pega só a TV, a TV linear tem 78% da audiência”, afirmou Ravache. Paulo Marinho complementou, citando o consumo em outras telas: “Se a gente move para os celulares, são quase 65% do consumo”.
Daniela Beyruti, do SBT, atribuiu a consolidação dessa percepção a uma falta de ação das próprias emissoras. “Eu acho que talvez, cada um focado nos seus trabalhos, com as suas emissoras, a gente deixou isso acontecer”, disse. Para ela, o encontro representa um marco para reverter esse cenário. “Eu acho que, antes tarde do que nunca, estamos aqui juntos justamente para derrubar essa narrativa”.
Essa união, segundo os executivos, é o principal diferencial para o desenvolvimento e implementação da DTV+. A nova tecnologia, que permitirá a transmissão de imagens em altíssima definição (4K e 8K), áudio imersivo e uma integração completa com a internet, está sendo desenvolvida de forma colaborativa. “É um momento único, porque reunimos as principais emissoras do país com uma visão articulada, conjunta, sobre o futuro do nosso negócio”, declarou Marinho. Beyruti reforçou a importância da cooperação, comparando-a com a transição anterior. “Quando a gente saiu do analógico para o digital, estava cada um de nós, individualmente, trabalhando nessa transição. Nesta, desde o início, a gente está trabalhando juntos. O que está acontecendo agora, provavelmente, vai ser mais rápido do que foi a transição anterior, justamente pela nossa unidade, nosso compartilhamento de informação”.
A colaboração estende-se também à racionalização de custos operacionais. Claudio Giordani, da Bandeirantes, destacou a necessidade de otimizar recursos para viabilizar os altos investimentos que a nova tecnologia exigirá. “É importante que a gente aproveite para compartilhar nossos sites, compartilhar custos. Nós precisamos racionalizar esses custos, melhorar nossas margens”, afirmou. Ele também mencionou a importância de apoio governamental para o financiamento da transição, que tem um cronograma previsto até 2035. “Isso exigirá, certamente, de financiamento com boas condições. Será necessário, e eu estou falando de uma concessão pública, de um entretenimento gratuito, que é importante que o governo subsidie de alguma forma para que isso possa chegar rapidamente na ponta”.
A nova arena da competição
A aliança entre as emissoras é uma resposta direta à mudança no cenário competitivo. A disputa pela atenção do consumidor não se dá mais primariamente entre os canais abertos, mas com as gigantes de tecnologia e plataformas de streaming. “Antigamente, estávamos acostumados a competir entre nós. Hoje em dia, essa competição se ampliou, se acirrou pela busca da atenção do consumidor”, explicou Paulo Marinho.
Giordani foi enfático ao identificar os novos adversários. “Nossos concorrentes não somos nós”, declarou. Segundo ele, há uma pressão constante que ameaça a visibilidade da TV aberta nos próprios aparelhos televisores. “Nós estamos vendo essa competição acirrada tentando nos expulsar da tela, de alguma forma”.
Essa disputa pela “tela” coloca os fabricantes de televisores em uma posição central. Os executivos expressaram preocupação com a possibilidade de os canais abertos se tornarem meros aplicativos que podem ser “escondidos” nas interfaces dos aparelhos, perdendo a proeminência histórica. Daniela Beyruti relatou dificuldades práticas para acessar os canais abertos em alguns televisores modernos. “Tem alguns fabricantes de TV que, se você for procurar, demora muito tempo, a ponto de a pessoa desistir. Eu, que gosto de assistir, fui procurar em uma delas e tive vontade de jogar o controle no espaço”.
Para os radiodifusores, a solução passa por uma combinação de tecnologia e regulação. Marcus Vinícius Vieira, da Record, afirmou que o padrão da DTV+ já contempla mecanismos para garantir o acesso. “Você vai ter o botão onde você vai poder ver mais. E quando você clica ali, você vai ter a TV aberta. Somos nós”. No entanto, Paulo Marinho argumentou que a proeminência deve ser garantida por conta da natureza do serviço prestado pela TV aberta. “O ponto é que a TV aberta é um serviço de concessão pública, é um serviço público, em conformidade com leis e regulações brasileiras, e nós temos obrigações com a sociedade”, disse. Ele acrescentou que, embora não haja restrição à competição com os fabricantes, a função social da TV justifica um tratamento diferenciado. “Nós defendemos que a televisão aberta tem que ser carregada, tem que ter um espaço de proeminência nos televisores, por conta da sua função de serviço público”.
Criatividade em tempos de pressão
O cenário de competição acirrada e pressão por resultados financeiros impõe um dilema estratégico: apostar em fórmulas seguras ou arriscar em novos formatos e talentos. Paulo Marinho reconheceu o risco de a criatividade ser inibida. “O contexto em que a gente está, sim, ele pode te levar a uma inibição, mas é algo que a gente tem que tomar muito cuidado”, ponderou. Ele citou o exemplo de remakes de novelas que fizeram sucesso, mas ressaltou a necessidade de “manter um olhar muito atento à criatividade, a desenvolver novos conteúdos”. “A gente tem que ter espaço para a tentativa e erro”.
Claudio Giordani, por outro lado, destacou a realidade financeira. “A gente não tem margem para podermos ficar na tentativa e erro para que o produto dê certo”, afirmou, explicando que a análise de custos e receitas é feita “dia e noite”. Ele acredita que não há uma “fórmula mágica” e que o caminho será de “muitas tentativas e erros para acharmos essa equação”.
A recente movimentação do SBT, com a contratação de influenciadores digitais como Virgínia Fonseca, foi citada como um exemplo de aposta na renovação. Daniela Beyruti explicou a estratégia: “O motivo pelo qual eu trouxe influenciadores é porque eu queria mostrar que o SBT estava vivo, atual”. Ela revelou que muitos no mercado duvidavam do interesse de figuras como Virgínia na TV aberta, mas a resposta foi surpreendente. “[Ela] falou: ‘A TV é o que consolida. A TV é o que dá pra gente um selo de que a gente de fato é famoso. A gente agora está em outro patamar'”.
Esse movimento de influenciadores buscando a televisão foi visto como uma validação da relevância do meio. Para Beyruti, a TV “chancela” o sucesso obtido no ambiente digital. Marinho analisou o fenômeno como parte da complexidade do ecossistema de mídia atual. “Acho que o desafio de todos nós é, nesses outros ambientes, cada vez melhor, desenvolver modelos de negócio”, disse.
O desafio das métricas e parcerias
Uma das frentes de batalha mais importantes para a TV aberta é a da mensuração de audiência e resultados publicitários. Os executivos criticaram a falta de um padrão comparável entre a televisão e as plataformas digitais.
Paulo Marinho defendeu o modelo brasileiro de medição, auditado por entidades independentes, que garante isonomia, e afirmou que a DTV+ trará novas possibilidades. “Nós teremos a possibilidade de medição censitária sobre o nosso conteúdo. Poderemos ter uma publicidade mais personalizada, segmentada”, explicou. Ele enfatizou a necessidade de construir modelos que permitam “comparar banana com banana”. Marcus Vinícius Vieira complementou que a nova tecnologia permitirá um refinamento ainda maior na medição. “A gente está falando de uma segmentação de campanha mais eficiente”.
Apesar da competição, a parceria com os players digitais também faz parte da estratégia. Claudio Giordani mencionou colaborações existentes: “Todos nós, de alguma forma, temos algum tipo de parceria com as empresas de streaming. Temos parcerias com a Disney, com a HBO Max, enfim, na divulgação de conteúdo”. Paulo Marinho citou o YouTube e o Google como parceiros da Globo em diversas iniciativas.
Qualidade e regionalização
Olhando para o futuro, os CEOs apostam na evolução da qualidade técnica e no fortalecimento do conteúdo regional como diferenciais da TV aberta. “Com a TV 3.0, a gente vai poder oferecer conteúdo em 4K, 8K, áudio imersivo, esse poder de personalização”, detalhou Marinho. Ele exemplificou que, em uma transmissão esportiva, o espectador poderá escolher entre ouvir o áudio da torcida ou o da narração.
A regionalização foi um ponto de convergência, especialmente para Bandeirantes e Record. “Acredito bastante na regionalização também. Nosso grupo tem 21 emissoras próprias espalhadas pelo país”, disse Giordani, que vê no fortalecimento local uma forma de manter a relevância. Vieira concordou: “Eu queria acompanhar aqui o Cláudio no fortalecimento da regionalização. É um fato que a TV 3.0 também tem essa característica. A gente tem trabalhado bastante nisso com os nossos afiliados”.
Ao final, a visão de futuro compartilhada foi a de uma televisão que se consolida como um porto seguro em meio ao excesso de informação. “Eu vejo a TV aberta […] como um porto seguro. Uma referência. Uma informação segura que você pode ter certeza que não é fake”, projetou Daniela Beyruti. Marinho complementou, falando na capacidade de curadoria e na ambição de “continuar sendo um ponto de encontro importante para a população brasileira”. A certeza, para os quatro, é que a televisão terá uma “vida muito longa”.
RN176; Assista ao vídeo da reportagem da TV Brasil, em que as 4 principais emissoras do Brasil, em São Paulo, apresentam uma visão unificada sobre o futuro da radiodifusão simultaneamente na tecnologia da TV 3.0. Faça o seu comentário das visões das 4 principais emissoras do país!
FONTE: TELEVIVA










