ROTANEWS176 13/09/2025 09:00
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Doutoranda em Ciências da Saúde, Suellen transforma sonhos em realidade e segue inspirando outras jovens.

Reprodução/Foto-RN176 Suellen Caroline Matos Silva. Na BSGI, atua como responsável pela Juventude Soka da RM Porto Alegre Norte, CRE Sul. Suellen posa feliz no campus onde estuda. Fotos: Arquivo pessoal
Com honra e orgulho, começo este relato com uma frase do meu mestre da vida, Daisaku Ikeda, que motiva minha trajetória e está grafada em dois documentos importantes para a conclusão de minhas formações acadêmicas:
É claro que sem esforços tenazes, os sonhos terminarão em meras fantasias. O esforço é a ponte que liga o sonho e a realidade.1
Eu me chamo Suellen Caroline Matos Silva e tenho 29 anos. Encontrei esse incentivo ao ler a RDez, revista destinada a crianças e adolescentes, publicada pela Editora Brasil Seikyo, quando era menina. Desde essa ocasião, eu carrego esse encorajamento no coração. Divido com vocês minha jornada.

Reprodução/Foto-RN176 Com a família prestigiando sua formatura de graduação Fotos: Arquivo pessoal
Atualmente, moro em Porto Alegre, RS. De origem nordestina, lembro-me da intensa dedicação dos meus pais, que batalharam desde jovens no trabalho. Eles concluíram somente o ensino médio e, mesmo passando por severas dificuldades financeiras, nos guiaram no caminho da educação. Uma estrada que meus irmãos gêmeos, Gabriel e Guilherme, de 26 anos, e eu lutamos para seguir. A convicção dos nossos pais foi alicerçada na prática do budismo, inspirando-nos sempre.
As primeiras vitórias surgiram cedo. Em nossa cidade na época, São Luís, MA, almejei passar em uma escola de referência e consegui. Além do meu esforço em estudar, meu pai creditou àquele resultado o fato de eu ser fukushi (pessoa que nasce num lar budista) e por ter muita boa sorte ao recitar Nam-myoho-renge-kyo. A partir disso, senti-me muito mais capaz de realizar qualquer objetivo que desejasse. Identifiquei-me com as disciplinas ciências e biologia.

Reprodução/Foto-RN176 Em atuação numa capacitação profissional da área Fotos: Arquivo pessoal
Desejei cursar medicina, mas a experiência de um acidente grave com minha avó fez com que repensasse a carreira. Após concluir o ensino médio, não entrei imediatamente na faculdade, mas persisti e iniciei um curso técnico enquanto me preparava para o Enem. Inspirada por uma professora, escolhi biologia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e fui aprovada. Durante a graduação, encontrei-me na área, estagiando em imunologia e pesquisando doenças como dengue, zyka e, especialmente, leishmaniose — tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Meu objetivo sempre foi dar visibilidade a doenças negligenciadas e contribuir para melhorar a vida das pessoas afetadas.
Mestrado desafia
Depois de concluir a graduação em biologia em 2021, iniciei o mestrado em veterinária na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), RS. Enfrentei momentos difíceis ao mudar de cidade. Por sentirmos solidão longe da família e dos amigos, a angústia tenta nos dominar. Só quem passa por isso, sabe. Desenvolvi hipertensão e sintomas de depressão. Diante dessas circunstâncias, o daimoku foi fundamental para fortalecer minha fé nesses desafios. A aproximação com a organização de Pelotas, o apoio dos membros e a condição de poder praticar com o Gohonzon em casa me deram ânimo para seguir meu sonho e não desistir. Apesar da distância, continuei me dedicando à felicidade das integrantes jovens da minha localidade de origem. Fazia daimoku e, mesmo com um trilhão de coisas paralelas, conciliando os estudos e minha missão como integrante da Juventude Soka em ambas as cidades, sentia-me realizada.
Vitória e vitória

Reprodução/Foto-RN176 Organização Porto Alegre Fotos: Arquivo pessoal
Participei de um grupo de pesquisa em epidemiologia pela Universidade Federal de Pelotas, na fronteira com Uruguai, onde aprofundei meu entendimento sobre os desafios dos profissionais da saúde. Ao final, decidi buscar o doutorado, surgindo a dúvida entre permanecer em Pelotas ou trilhar um novo caminho. Com o apoio do orientador e da equipe, dediquei-me ao doutorado, sendo aprovada tanto na Universidade de São Paulo (USP) quanto na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), já com bolsa garantida.
Optei por Porto Alegre na federal da saúde, primeira e única no Brasil. Hoje, trabalho como pesquisadora em projetos sobre infecções sexualmente transmissíveis, em parceria com o Hospital Moinhos de Vento e o Proadi-SUS, com o objetivo de me tornar professora universitária.

Reprodução/Foto-RN176 Organização Maranhão Fotos: Arquivo pessoal
Encontrei na Soka Gakkai apoio e inspiração para crescer na vida acadêmica e pessoal. Aprendi que, independentemente da profissão ou do título, o essencial é nunca esquecer nosso compromisso de praticar a fé e buscar a felicidade para nós e para quem nos rodeia, seguindo o exemplo de Ikeda sensei. Meus pais, França e Sérgio, e meus irmãos são líderes Soka no Maranhão e nos mantemos conectados com o coração do Mestre, que nos encoraja:
As pessoas que se esforçam são cheias de esperança. Isto significa que a esperança nasce do esforço. Tenham grandes sonhos e avancem até onde forem capazes. Isso é juventude.2
Muito obrigada Ikeda sensei, por me tornar essa jovem de esperança!
Suellen Caroline Matos Silva, 29 anos. Doutoranda em Ciências da Saúde. Na BSGI, atua como responsável pela Juventude Soka da RM Porto Alegre Norte, CRE Sul.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Juventude, sonhos e esperanças. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 36, 2020.
2. Ibidem.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO










