Pilotos de avião que saiu da pista testaram positivo para álcool; comissário tinha traços de cannabis

ROTANEWS176 13/09/2025 18:50

Por Carlos Ferreira

RN176 Air Peace é uma companhia aérea privada nigeriana, após o pouso que a aeronave passou da pista

Testes toxicológicos indicaram consumo de álcool por ambos os pilotos de um Boeing 737-500 da Air Peace, que aterrou longamente e saiu da pista em Port Harcourt, de acordo com investigadores nigerianos. Ainda será determinado o quanto isso afetou no incidente.

O Escritório de Investigação de Segurança da Nigéria relatou que o primeiro oficial fez “pelo menos uma” chamada para um procedimento de arremetida antes que o comandante, que estava pilotando, decidisse prosseguir com a aterrissagem.

O incidente ocorreu em 13 de julho, quando o voo, proveniente de Lagos, chegou a Port Harcourt às 07h46, enquanto realizava uma abordagem ILS para a pista 21, que possui 3.000 metros de comprimento.

Segundo o depoimento do comandante aos investigadores, o 737 estava estável na aproximação final a 1.000 pés acima do solo, e o piloto automático foi desligado a 500 pés. Contudo, a aeronave parece ter desviado da trajetória de descida, e o comandante declarou: “Quando percebi, já havia cruzado a linha de limitação a 200 pés.

O comandante reconheceu que o primeiro oficial o alertou para optar por uma arremetida, mas ele decidiu continuar com a aterrissagem. Após cruzar a linha de limite a 200 pés, a aeronave tocou o solo após o meio da pista.

Embora a gravação de voz da cabine tenha sido sobrescrita, a análise dos dados de voo mostra que a aeronave aterrissou a 2.264 metros da cabeceira, cerca de três quartos do comprimento da pista. O 737 ultrapassou a pista por mais de 200 metros e parou em uma área gramada. Nenhum dos 96 passageiros e sete membros da tripulação ficou ferido. A aproximação foi realizada durante o dia, com boa visibilidade e condições calmas.

A autoridade nigeriana ainda investiga o incidente, mas observa que a Air Peace deve “reforçar os procedimentos internos” para determinar a aptidão da tripulação para o serviço, dados os testes positivos para “algumas substâncias”, incluindo a presença de THC, um componente da cannabis, em um dos comissários de bordo, além do álcool no sangue dos pilotos.

A companhia também deve intensificar o treinamento da tripulação, conforme recomendado, especialmente em relação às decisões de arremetida. O comandante do voo era experiente, com 64 anos e 10.000 horas de voo no modelo, emparelhado com um primeiro oficial de 28 anos com aproximadamente 880 horas de voo.

FONTE: AEROIN