ROTANEWS176 22/11/2025 10:15
JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Reprodução/Foto-RN176 Desenhos para ilustrações da matéria
Você, com certeza, deve ter ouvido falar sobre mudanças climáticas e como elas impactam a vida no planeta. O termo descreve alterações de longo prazo nas temperaturas e nos padrões climáticos. Desde o século 19, as atividades humanas têm sido o principal motor dessa mudança, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, como carvão, petróleo e gás.
O estudo mais recente State of the Climate Report,1 publicado na revista BioScience, da Universidade de Oxford, traça um retrato preocupante de como a Terra está em 2025. O documento aponta um aquecimento global sem precedentes e o rompimento de limites ecológicos que sustentam a vida.
Diante desse cenário, como imaginar o futuro? Nós e o ambiente somos inseparáveis, numa relação de interdependência. Portanto, é preciso assumir com coragem e esperança a missão de construir um mundo sustentável. Isso envolve cuidar da saúde mental, apoiar projetos locais de desenvolvimento sustentável e acompanhar ativamente as entidades públicas e privadas responsáveis pela fiscalização ambiental.
Cuidar da saúde é essencial
Você sabe o significado de ecoansiedade (ou ansiedade climática)? O termo, oficializado em 2017 pela Associação Americana de Psicologia (APA), descreve a angústia generalizada diante das consequências das mudanças climáticas, que afeta principalmente jovens e crianças.
Esse foi um dos temas da última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP29), no Azerbaijão, em 2024, dada a sua relevância para as gerações mais novas. Segundo uma pesquisa² de 2023 do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais da metade (57%) dos jovens entre 16 e 24 anos sente ecoansiedade.
Para lidar com essa condição, a cartilha³ do curso de psicologia clínica da PUC-SP (2024) recomenda cuidar da saúde física e mental (com exercícios e boa alimentação), aprender a re-gular as emoções diante da realidade e a se envolver em boas práticas ambientais na rotina.
Assumir a responsabilidade
Morar em um espaço exige responsabilidade com tarefas de manutenção constante. Imagine uma casa onde ninguém compra comida, lava a roupa, paga as contas ou limpa o chão. Como seria possível se alimentar, vestir, tomar banho, carregar o smartphone ou simplesmente andar por ali?
O conceito de esho-funi esclarece a interdependência entre o ser vivo e seu ambiente, deixando clara a responsabilidade de nossas ações. No livro Vida — Um Enigma, uma Joia Preciosa, Ikeda sensei orienta:
Como a influência da vida se estende ao seu meio ambiente, este muda de modo automático de acordo com a condição de vida. Assim, um meio ambiente, que é o reflexo da vida interior de seus habitantes, sempre revelará a mesma característica daqueles que nele habitam.⁴
Agir e criar o futuro
Você está em pé num chão coberto de folhagens, respirando o ar quente e úmido. Ao olhar ao redor, vê uma vegetação densa, com árvores imensas que quase tocam o céu. As copas dessas árvores se unem, tornando-se uma só e tampam a luz do sol, que mal toca o solo.
Esse cenário descreve as florestas tropicais, que englobam a Mata Atlântica (presente em todo o litoral brasileiro) e a Floresta Amazônica. Sozinha, a Amazônia abrange nove países da América Latina e soma 421 milhões de hectares. Ela é o bioma foco da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorreu este mês em Belém, PA.
COP é a sigla para “Conferência das Partes”. As “Partes” são os 198 países que assinaram o acordo climático original da ONU na Rio-92, onde foi firmada a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
Esse tratado internacional estabeleceu o compromisso dos países em controlar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, servindo como base institucional para a criação das COP.
E esse é o maior evento global das Nações Unidas para discussão e negociação sobre as mudanças climáticas. O encontro é anual, e a presidência se alterna entre as cinco regiões reconhecidas pela ONU.
O evento permitiu ao Brasil demonstrar seus esforços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, além de reforçar a sua atuação histórica em processos multilaterais (como na Eco-92 e na Rio+20).
Os principais temas em discussão incluíram: redução de emissões de gases de efeito estufa; adaptação às mudanças climáticas; financiamento climático para países em desenvolvimento; tecnologias de energia renovável e soluções de baixo carbono; preservação de florestas e biodiversidade; justiça climática e os impactos sociais das mudanças climáticas.
Protagonizar na COP
O Mutirão das Juventudes é uma plataforma criada pela COP 30 para mapear lideranças jovens que atuam na pauta climática. A mensagem do mutirão é clara: não existe justiça climática sem a participação da juventude, e você pode fazer parte desse movimento. Se você tem um projeto, iniciativa ou ação voltados para a pauta climática, pode fazer parte do mapeamento, inscrevendo-se até 24 de novembro de 2025 (https://www.mutiraodasjuventudes.com/ ).
Além disso, o evento que discute iniciativas globais para mudanças climáticas conta com diferentes correspondentes jovens, como Alice Pataxó (ativista e comunicadora indígena), Amanda Costa (internacionalista e ativista climática) e Ellen Monielle (pesquisadora e influenciadora digital).
Empreender ações
Diante do quadro atual de eventos climáticos extremos, o planeta precisa urgentemente de mudanças, e a juventude tem a força e a paixão para implementar as ações necessárias, transformar a realidade e criar um futuro sustentável, em que todas as formas de vida consigam viver.
Quando desenvolvemos ações locais, como realizar mutirões de limpeza em parques, promover rodas de conversa para identificar os desafios ambientais do bairro e propor soluções em conjunto, entre muitas outras, nós nos movimentamos para transformar nossa localidade e construirmos juntos o futuro que queremos.
Fontes:
1. https://ifz.org.br/relatorio-revela-agravamento-da-crise-climatica-em-2025/#:~:text=O%20relat%C3%B3rio%20aponta%20que%20o,84%25%20dos%20recifes%20do%20planeta. Acesso em: 10 nov. 2025.
2. Observatório de Inovação de Cidades Sustentáveis. Ansiedade Climática e Saúde Mental: O Impacto das Mudanças Ambientais nas Pessoas. Disponível em: https://educacaoeterritorio.org.br/glossario/ecoansiedade-ansiedade-climatica/. Acesso em: 10 nov. 2025.
3. Você sofre com ansiedade climática? PUC-SP, 2024. Disponível em: https://www.pucsp.br/sites/default/files/download/posgraduacao/programas/psicologiaclinica/cartilha-ansiedade-clim%C3%A1tica-v2.pdf. Acesso em: 10 nov. 2025.
4. IKEDA, Daisaku. Vida — Um Enigma, uma Joia Preciosa. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, p. 217.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










