ROTANEWS176 22/11/2025 11:15
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Inspirado por um propósito e uma filosofia que guiam cada passo de sua jornada, Rodrigo, de Manaus, AM, avança em sua missão de proteger o meio ambiente.

Reprodução/Foto-RN176 Rodrigo, ao lado na COP, em Belém, PA. Fotos: Colaboração local | Arquivo pessoal
Há duas coisas que considero essenciais na juventude: amizade verdadeira e encontrar o propósito de existência. Eu me chamo Rodrigo Yuiti Izumi, estou com 38 anos, moro em Manaus, AM. Hoje, posso dizer que encontrei sentido em uma juventude de valor. É sobre essa fase dourada da minha vida que divido com vocês neste relato.
Nasci em uma família budista da Soka Gakkai e, na infância, nós nos mudamos de São Paulo, SP, para São José dos Pinhais, PR. Eu me sentia diferente, era tímido mas travesso. Frequentava a Gakkai pelas brincadeiras e pela comida, mas, no início da adolescência, preferi os amigos da zoeira e acabei me afastando.
Devido a isso, aos 16 anos, meus pais me enviaram para umas “férias compulsórias” em São Paulo. Foi nessa época que mergulhei nas oportunidades que a Soka Gakkai oferece aos jovens, como diversas atividades culturais, e revivi algo raro e poderoso: o calor de ser acolhido e genuinamente valorizado. A prática do Nam-myoho-renge-kyo, somada à sabedoria das orientações de Ikeda sensei, revelaram um universo inimaginável.
No fim de 2003, prestes a completar 17 anos, mudei para o Japão com meus pais. Apesar de não falar o idioma, pude construir um ambiente de amizade Soka. Passei cinco anos cercado de membros brasileiros e de boas amizades, participando da criação de grupos de teatro, banda de rock, dança, coral e staffs.
O sentido da vida
Em 2008, ao tomar conhecimento da Proposta de Paz do presidente Ikeda sobre questões ambientais, especialmente sua preocupação com a Amazônia — o que resultou na criação do Instituto Soka Amazônia (na época, Cepeam) —, resolvi dedicar minha vida à concretização dessa missão em seu nome.

Reprodução/Foto-RN176 Cerimônia de conversão de um amigo, um dos quase cinquenta para quem apresentou o budismo
Essa forte decisão fez levantar inúmeros obstáculos. Fui demitido, perdi minha poupança em razão de um acidente de carro e minha família decidiu não retornar comigo ao Brasil. Mas, tendo o daimoku como base e um juramento a cumprir, triunfei. Aos 22 anos, em 2009, voltei ao Brasil para um ano de desafios intensos: reorganizar a vida, terminar o ensino médio por cursinho (EJA) e aprender a poupar.
Movido pela pedagogia da criação de valor de Tsunesaburo Makiguchi, buscando o belo, o benefício e o bem,1 escolhi me graduar em engenharia ambiental. Com persistência e vencendo vários desafios, incentivado pelos veteranos a não desistir e a selar meu juramento, iniciei uma jornada como voluntário no Instituto Soka Amazônia, em Manaus, viajando de Curitiba, PR, para lá. Meses depois, a abertura do banco de currículos da BSGI foi decisiva para minha vitória: inscrevi-me, superei as etapas de seleção e, cerca de doze anos após a minha decisão, finalmente, tornei-me funcionário. Pude comprovar o poder do Gohonzon!
Imerso em um novo ambiente, em meio à terra e às árvores, compreendi a real dimensão do desafio. Com resiliência, dediquei-me a um aprendizado inestimável: dominar a identificação de espécies, o manejo de mudas e a otimização da produção. Superando os obstáculos da pandemia, em 2020, ingressei no mestrado em ciências de florestas tropicais no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Atualmente, com orgulho, essa trajetória me permite atuar como coordenador da Área de Proteção da Natureza no instituto.
E procuro cumprir minha missão. Em novembro, pude apoiar e participar da COP 30, realizada em Belém, PA. Esse evento não foi apenas um marco nas atividades preservacionistas que a Amazônia tanto carece, mas a comprovação do meu juramento de servir à missão do Dr. Ikeda. Tenho a certeza de que sensei ficaria muito feliz em ver um discípulo atuando em uma conferência tão vital, no coração da Amazônia, a qual ele tanto prezava.
Ser um bom amigo
Encerrei meu ciclo na Juventude Soka, em 2025, após atuar na liderança da RM e do Gajokai, CRE Oeste. A experiência mais marcante é a do shakubuku, a prática de ser um bom amigo, determinado a ser braço e ombro para inspirar pessoas ao budismo.

Reprodução/Foto-RN176 Em atividade no Instituto Soka Amazônia
No plano pessoal, tenho como metas dominar novos idiomas, fazer novos cursos de aprimoramento profissional e conhecer diferentes culturas. Meu maior desejo é me tornar alguém do calibre do Dr. Ikeda, uma pessoa que, com ações e palavras, cria ondas de felicidade e de transformação positiva ao seu redor.
Gostaria de encerrar com uma passagem do poema Brasil, Seja Monarca do Mundo, de Ikeda sensei, que sempre renova minha determinação: “Não faz mal que seja pouco, / o que importa é que o avanço de hoje / seja maior que o de ontem. / Que nossos passos de amanhã / sejam mais largos que os de hoje. / Deixem seus méritos gravados / na história de suas contínuas vitórias! / A dificuldade no momento presente / será a glória em seu futuro! / O desbravar do caminho do novo século / será proporcional a sua caminhada!”2
Rodrigo Yuiti Izumi, 38 anos. Engenheiro ambiental, mestre em ciências de florestas tropicais. Na BSGI, é membro da Divisão Sênior do Distrito Laranjeiras, Sub. Amoc, CRE Oeste.
Ouça
Rodrigo declama trecho do poema Brasil, Seja Monarca do Mundo!. Clique aqui.
Notas:
1. Pela teoria de valor exposta por Makiguchi, há três tipos de valor: do belo, do benefício e do bem. Na área do trabalho, o valor do belo significa encontrar um emprego de que gostem; o valor do benefício é conseguir um emprego que proporcione um salário com o qual possam se sustentar; e o valor do bem significa conquistar um emprego pelo qual possam ajudar os outros e contribuir para o bem da sociedade. (Brasil Seikyo, ed. 2.132, 19 maio 2012, p. C2).
2. Leia o poema Brasil, Seja Monarca do Mundo! na íntegra no Brasil Seikyo, ed. 1.617, 25 ago. 2001.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










