A consciência, e não os átomos, pode ser a base do universo

ROTANEWS176 05/12/2025 10:38

Uma nova proposta científica sugere que a consciência pode ser o fundamento primordial do universo, precedendo até mesmo o espaço, o tempo e todas as formas de matéria como as conhecemos.

Reprodução/Foto-RN176 Crédito da imagem ilustrativa: n3m3/Bing/Copilot

A hipótese, desenvolvida pela pesquisadora e física Maria Strømme e apresentada em um estudo recente, propõe que o que chamamos de “realidade física” não é o ponto de partida do cosmos, mas sim uma consequência de um campo fundamental de consciência presente em tudo o que existe. Essa ideia ambiciosa e profundamente disruptiva busca oferecer uma estrutura teórica que unifique conceitos da física, da matemática e da filosofia para repensar a própria natureza do universo.

Reprodução/Foto-RN176 Maria Strømme, física e pesquisadora. Crédito da imagem: NTNU – Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia – Maria Strømme

Uma mudança de perspectiva sobre os fundamentos do cosmos

A abordagem começa com uma pergunta radical: e se a consciência não emergisse da matéria, mas sim a matéria emergisse da consciência? De acordo com o modelo proposto, o universo seria sustentado por um campo de consciência subjacente, universal e onipresente, semelhante em espírito — embora não em essência — aos campos fundamentais descritos pela física de partículas. Nesse cenário, o espaço-tempo não seria uma estrutura preexistente, mas uma estrutura secundária criada por flutuações dentro desse campo consciente.

Essa linha de pensamento está ligada a correntes filosóficas como o panpsiquismo, mas busca ir além, fornecendo à ideia uma linguagem matemática formal e uma arquitetura conceitual inspirada na teoria quântica. A autora articula esse modelo em torno de três princípios: “mente universal”, “consciência universal” e “pensamento universal”. Cada um representa um nível distinto de organização dentro do suposto campo da consciência, que varia do potencial criativo mais básico à geração de experiências específicas.

Um universo onde a matéria seria um padrão de consciência

Nessa perspectiva, partículas, corpos celestes e organismos vivos não seriam entidades independentes, mas sim configurações locais dentro do campo universal. Assim, um elétron ou um cérebro humano seriam essencialmente expressões organizadas da mesma substância mental subjacente. A separação entre sujeito e mundo, entre indivíduo e ambiente, surgiria da maneira como essas configurações diferem, e não de uma divisão ontológica real.

Para ilustrar isso, o modelo sugere que a experiência subjetiva depende não apenas da função cerebral, mas também da interação entre o cérebro e o campo universal. Dessa forma, a consciência individual seria uma manifestação temporária e localizada de uma consciência mais ampla. Essa perspectiva abre caminho para a consideração de fenômenos frequentemente negligenciados pela ciência tradicional — como certas experiências transpessoais ou estados alterados de percepção — dentro de uma estrutura teórica mais abrangente.

Implicações para a ciência e os fenômenos da mente

Um dos aspectos mais provocativos do modelo é a sua tentativa de reinterpretar experiências humanas intensas, desde a sensação de unidade com o ambiente até experiências de quase morte, como possíveis correlações dentro do campo universal. Embora a proposta não afirme que esses fenômenos constituam evidência de vida além do corpo ou de realidades sobrenaturais, ela sugere que eles poderiam ser compreendidos como manifestações naturais de uma consciência subjacente que transcende o puramente material.

Essa abordagem também levanta questões sobre a natureza do pensamento, da percepção e da memória. Sob esse paradigma, o pensamento não seria meramente um processo neuronal, mas uma modulação específica do campo universal. Criatividade, intuição e certos processos mentais complexos poderiam ser interpretados como interações entre a configuração cerebral e dinâmicas mais amplas do campo da consciência.

Os limites, desafios e oportunidades do novo modelo

A teoria enfrenta desafios significativos. A ciência contemporânea exige evidências empíricas e modelos matemáticos verificáveis, e, por ora, a proposta encontra-se em um estágio conceitual inicial. Integrar um campo de consciência à estrutura da física requer não apenas uma formalização rigorosa, mas também a capacidade de gerar previsões testáveis. Sem isso, permanecerá uma hipótese sugestiva, porém especulativa.

No entanto, a proposta tem um valor significativo: ela abre uma via de reflexão diferente num momento em que a física e a neurociência ainda lutam para explicar a natureza profunda da consciência. Uma vez que os modelos materialistas não conseguiram resolver o chamado “problema difícil” — como a experiência subjetiva surge de processos físicos — explorar perspectivas alternativas pode oferecer pistas valiosas para pesquisas futuras.

Embora seja cedo demais para determinar se essa teoria será integrada ao conhecimento científico, seu impacto conceitual já é notável. Ela nos convida a imaginar um universo onde a consciência não é um subproduto da evolução biológica, mas a fonte primordial de toda a existência. Um universo onde cada átomo, cada estrela e cada forma de vida seriam expressões da mesma estrutura mental fundamental.

Essa possibilidade, tão ousada quanto desafiadora, nos lembra que a ciência avança questionando seus próprios fundamentos. E talvez, como sugere esse novo modelo, o maior mistério não esteja nas partículas ou nas galáxias, mas naquilo que nos permite percebê-las.

Os resultados da pesquisa intitulada “Consciência universal como campo fundamental: uma ponte teórica entre a física quântica e a filosofia não dual” foram publicados na AIP Advances.

FONTE: OVNI HOJE