A força de um juramento

ROTANEWS176 31/12/2025 09:45

RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Do Rio de Janeiro, André Alves comprova a virada olímpica de sua vida.

Reprodução/Foto-RN176 A união em família, no aguardo da mais nova herdeira. Fotos: Arquivo pessoal

Determinar a vitória e persistir até alcançá-la. Virar o jogo quando a derrota se avizinha. Esse parece ser um modelo tático no esporte, em uma cena que se constrói, por exemplo, no tempo pedido pelo técnico quando o time está perdendo. Numa fração de segundos, o jogo pode ser decidido. Na vida, essa virada de jogo acontece pela força de um juramento, assim considero. Sou André Alves, tenho 45 anos e morocom minha esposa, Bruna, no Rio de Janeiro, RJ.

Minha família se converteu ao budismo antes de eu nascer, e as dificuldades financeiras e de desarmonia foram transformadas aos poucos. Cresci na Soka Gakkai, ambiente no qual ouvia direcionamentos do presidente Ikeda para que tivéssemos sonhos altos. Mais tarde, ao decidir por um curso superior, optei pela educação física, área que sempre me atraiu. O sonho passou a existir.

Em 2004, no primeiro ano da faculdade, fui convidado a integrar um grupo de aprimoramento de jovens no Japão, denominado Grupo Sekai Kofu do Brasil. Foram momentos inesquecíveis, nos quais fortaleci minha relação com o Mestre. E lá recebi um poderoso direcionamento: tornar-me um profissional de nível olímpico.

Em meio a grandes desafios, busquei corresponder em tudo. Graduei-me e avancei na carreira. Na organização, desenvolvi-me entre os jovens Soka, comprovando uma juventude de propósito. Formei família. E, em 2019, assumi renovada postura como integrante do Grupo Alvorada, da Divisão Sênior da BSGI, buscando me aprimorar agora como um pilar de ouro.

A vida pede tempo

A cena descrita no início do texto, do momento em que temos de decidir se jogamos a toalha ou nos levantamos para lutar, é aqui ambientada num hospital. Em meados de 2023, depois de uma crise na coluna cervical, fiquei com parte do lado esquerdo paralisado. Após a realização de vários exames, com a possibilidade de substituição de três discos por meio cirúrgico e o medo de ficar sem me mover, tinha de reagir. Precisava das pernas para cumprir minha missão. O que me fez levantar daquela situação foi o juramento feito ao Mestre. Primeiro, meu trabalho exige mobilidade; segundo, e que muito pesou naquele momento: era véspera do Encontro da Divisão Sênior e havíamos determinado reunir cem integrantes da nossa localidade.

Reprodução/Foto-RN176 Com os integrantes do grupo de aprimoramento no Japão, em 2004

Por vezes, temos de ser lembrados do poder da nossa oração. Na Soka Gakkai, essa é a função de quem realiza visitas individuais. E foi numa dessas ocasiões que um líder local me incentivou fortemente. Lancei-me à recitação do Nam-myoho-renge-kyo “de juramento”, aquele que fazemos “Com forte convicção, capaz de produzir fogo com lenha encharcada ou obter água do chão ressequido”,1 como ensina o buda Nichiren Daishonin.

Foram quase trinta dias deitado num colchão em frente ao oratório, recitando fervoroso daimoku, apoiado pela minha esposa. Mesmo acamado, realizei visitas virtuais, promovi diálogos, contando com o companheirismo de todas as divisões. No dia, reunimos 101 participantes; e eu estava de pé, ao lado de todos.

Desafios e conquistas

Há quase dois anos, assumi a liderança da RM Cachambi e, em união harmoniosa, criamos uma onda de mudanças. Nessa mesma época, as questões de saúde da minha mãe se agravaram. Para dar conta de tudo, contraí uma dívida e me desestabilizei financeiramente. Em meio a todas essas batalhas, veio a luta da Seniors League e depois da Liga Monarca. Então, percebi que era a grande oportunidade de movimentar minha vida. Com o objetivo de tornar a RM Cachambi um local em que os membros se desenvolvem e triunfam com base na prática da fé, vencemos unidos. No trabalho, fui promovido e, assim, pude quitar dívidas e dar um conforto melhor para a família.

1 a 0 para a plenitude

Em 2026, minha família completará cinquenta anos de Soka Gakkai. Tenho imensa gratidão ao meu pai, Paulo Alves, e à minha mãe, Antônia Pereira (que faleceu em maio de 2025).

Escrever este relato me trouxe à mente trechos da mensagem oferecida há 21 anos pelo Mestre aos componentes do curso de aprimoramento que integrei. Ele menciona que no budismo é exposto o princípio da “consistência do início ao fim”, incentivando-nos: “Vocês que são os grandiosos representantes, a imponente luta e vitória de cada um ocasionará a glória de suas gerações vindouras e da BSGI”.2

Tenho uma família maravilhosa e, mesmo com as filhas Maya e Bella residindo a duzentos quilômetros de distância, estamos sempre unidos. Em 2026, chega Stella, mais uma herdeira. Quanta gratidão!

Na profissão, trilhei o juramento feito a Ikeda sensei: atuo hoje na construção de políticas públicas de Esporte, depois de liderar projetos de âmbito nacional, trabalhos como gestor de arenas esportivas onde aconteceram os Jogos Olímpicos, evento nacionais e internacionais. Convivo com atletas e medalhistas olímpicos do mundo inteiro. Mais recentemente, trabalhei como gerente da diretoria de Esporte e Recreação do Sesc RJ.

A alegria maior é ver os integrantes da nossa RM Cachambi vencendo a cada dia. Minha decisão é cumprir o juramento feito ao Mestre de contribuir para a realização do kosen-rufu no Rio de Janeiro. Muito obrigado!

Reprodução/Foto-RN176 Visita ao companheiro da Divisão Sênior, rumo à grande vitória em 2026

André Luiz Pereira Alves, 45 anos. Executivo na área do esporte. Na BSGI, é responsável pela RM Cachambi e líder do Grupo Alvorada da Coordenadoria Rio Carioca, CGERJ

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 464, 2020.

2. Brasil Seikyo, ed. 1.766, 9 out. 2004, p. C4.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO