ROTANEWS176 31/12/2025 10:35
CONHEÇA O BUDISMO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
O diálogo é a essência do Budismo de Nichiren Daishonin porque constitui o meio que o Buda utiliza para conduzir as pessoas à felicidade absoluta.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humano de lustração da matéria
A capacidade de dialogar é uma característica humana fundamental. Outros seres vivos conseguem se comunicar de diversas formas, mas somente as pessoas podem transmitir conhecimentos, ideias e sentimentos de maneira tão complexa a ponto de gerar o desenvolvimento que a humanidade alcançou. Portanto, a comunicação interpessoal é uma poderosa ferramenta e, como tal, é importante a utilizarmos com base em uma condição interior de vida e propósitos elevados, manifestando o desejo pela felicidade da pessoa com quem dialogamos.
No contexto da filosofia budista, para um diálogo existir, deve-se partir do princípio de que o outro é um buda. E, ao nos esforçarmos para isso, criamos a causa para evidenciar essa mesma natureza. Portanto, o diálogo de vida a vida ou de coração a coração é, na realidade, um diálogo de um buda com outro buda, conforme o presidente Ikeda afirma:
Abraçar a fé no Gohonzon significa viver de acordo com o espírito do Buda e dedicar a vida ao juramento do Buda de conduzir todas as pessoas à iluminação.1
Transmitir a Lei Mística
Tanto Shakyamuni como Nichiren Daishonin e os Três Mestres Soka — Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda — fizeram do diálogo sincero, de pessoa a pessoa, o principal caminho para transmitir o budismo visando à transformação da sociedade em direção à felicidade e à paz. Com essa mesma finalidade e sentimento, temos a oportunidade de compartilhar esta maravilhosa filosofia com as pessoas ao redor, isto é, realizar o shakubuku, tendo também o diálogo como nosso maior aliado.
O presidente Ikeda enfatiza:
Shakyamuni passou toda a sua vida conversando com as pessoas. Nichiren Daishonin, da mesma forma, além de seus esforços em manter diálogos, deixou para a posteridade ampla coleção de escritos maior que a de qualquer outra pessoa de sua época. Ele verdadeiramente escreveu e dialogou com determinação incansável. E, devido aos seus nobres esforços, as gerações posteriores podem aprender os ensinamentos que ele expôs. É uma batalha de palavras. As palavras iluminam não somente a época em que foram proferidas ou estabelecidas, mas também as épocas futuras. Na esperança de deixar algo de valor para as sucessivas gerações, profiro discursos sobre o budismo e conduzo diálogos com líderes mundiais.2
Intercâmbio
É importante salientar que o verdadeiro diálogo não é algo unilateral, mas uma troca em que os participantes compartilham experiências, incentivos e conhecimentos, crescendo juntos em direção a um objetivo em comum. Ikeda sensei esclarece:
Uma atitude de benevolência não significa considerar uma pessoa de uma posição de superioridade. Não é um relacionamento vertical, mas horizontal. É um sentimento de solidariedade com os outros como seres humanos companheiros. E é fundamentado no respeito. Eis por que é chamado “recinto de benevolência”. Nós convidamos um amigo para um benevolente espaço vital e calorosamente o abraçamos, sentamos no mesmo recinto e discutimos a vida como iguais. Discutimos coisas e aprendemos uns com os outros como seres humanos companheiros. Criar esse espaço caloroso e acolhedor para o diálogo e o intercâmbio é em si o shakubuku.3
Saber ouvir
Não se trata de um diálogo quando uma pessoa fala sem parar, monopolizando a conversa e não ouvindo a opinião das demais. O presidente Ikeda enfatiza:
Não pode ser chamado de diálogo quando uma pessoa constantemente interrompe enquanto a outra está tentando expressar sua opinião, e então formula conclusões radicais.
Mesmo que vocês achem um pouco esquisito o que alguém está dizendo, em vez de fazer constantes objeções, deveriam ter a mente ampla para tentar entender seus pontos de vista. Então, a pessoa se sentirá segura e poderá ouvir o que têm a dizer.
Nesse sentido, um buda é realmente um mestre no diálogo.
Shakyamuni e Daishonin tinham personalidades calorosas que apenas por encontrá-los já proporcionavam às pessoas um sentimento de imensa alegria. Provavelmente por isso, muitas pessoas tinham enorme prazer em ouvir suas palavras.4
O anfitrião e o viajante
O tratado Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra foi escrito por Nichiren Daishonin na forma de um diálogo entre o anfitrião e o viajante. Em determinada parte do texto consta: “O senhor uniu-se a um amigo na sala de orquídeas”.5 Essa citação é usada para descrever o momento em que o viajante é tocado pela benevolência do anfitrião. Sobre essa frase, Ikeda sensei comenta:
Quando alguém passa um tempo numa sala repleta de orquídeas, a fragrância das flores naturalmente impregna suas roupas. Assim, o diálogo deveria ser conduzido de tal forma que a outra pessoa seja impregnada com a fragrância da benevolência.6
Ele continua:
Shakubuku não significa forçar alguém a alguma coisa, nem é algo em prol da organização. É um ato de venerar a natureza de buda na vida dos outros. Portanto, nossos esforços no shakubuku deveriam ser motivados pelo máximo respeito pela outra pessoa. O presidente Josei Toda dizia: “A base para fazer o shakubuku é um sentimento de solidariedade com os sofrimentos dos outros. Benevolência é fundamental. Não se faz shakubuku com um espírito de confrontação, tentando refutar as ideias de alguém e conquistar a pessoa para o seu lado”.7
Espírito do budismo
O Mestre conclui:
O diálogo é o eterno e imutável espírito do budismo. Lançar diretrizes de cima não é diálogo. O diálogo surge quando abrimos o coração, percorremos juntos o caminho da vida e trabalhamos em conjunto. Durante a guerra, quando as autoridades militares fecharam seu cerco obscuro sobre Makiguchi sensei, ele deu continuidade às suas atividades de shakubuku e a seus diálogos para transmitir a grandiosidade do Budismo Nichiren até o fim. Ele foi preso em Shimoda, península de Izu, após ter realizado uma longa jornada desde Tóquio até lá para se encontrar com as pessoas e dialogar com elas. (…)
Como é importante conversarmos com as pessoas, engajarmo-nos em diálogos! Armados de paciência e trajando o “manto da cortesia e da tolerância”, vamos insistir em sempre falar com os outros com uma voz clara e vibrante. Vamos dialogar de forma calorosa e alegre. Vamos realizar diálogos que inspirem e incentivem; diálogos transbordantes de filosofia. São esses diálogos que abrirão o caminho para um mundo realmente mais humano. E vamos nos empenhar ao máximo para ligar esses diálogos à contínua vitória do nosso movimento.8
Fonte:
Brasil Seikyo, ed. 2.100, 19 set. 2011, p. A6.
Notas:
- Brasil Seikyo, ed. 1.412, 3 maio 1997, p. 3. / 2. Ibidem. / 3. Ibidem. / 4. Ibidem. / 5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 23, 2020. / 6. Brasil Seikyo, ed. 1.412, 3 maio 1997, p. 3. / 7. Ibidem. / 8. Ibidem.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










