Dialogar e agir pelo bem das pessoas

ROTANEWS176 31/12/2025  10:50 

NOVA REVOLUÇÃO HUMANA 

Por Ho Goku

Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

Parte 93

Desejando fortemente a felicidade dos membros, Shin’ichi Yamamoto afirmou:

— Referindo-se à passagem dos escritos de Nichiren Daishonin “Quando uma pessoa conhece o Sutra do Lótus, ela compreende o significado de todas as questões seculares”,1 Toda sensei declarou que é um grande erro interpretá-la de maneira equivocada, pensando que podemos obter benefícios sem qualquer esforço. Ele prosseguiu: “Pessoas que não percebem pontos falhos nem aspectos a serem melhorados em seus negócios devem refletir seriamente. O contínuo esforço e a incessante pesquisa sobre seus negócios são indispensáveis. Meu desejo é que todos vocês, membros, compreendam o significado de todas as questões seculares o mais rapidamente possível em seus próprios empreendimentos e conduzam uma vida segura e estável”.2 O desejo de Toda sensei é também o meu próprio. Hoje, os ventos da recessão econômica são desfavoráveis em todo o mundo. Porém, não devemos apenas lamentar essa situação. Em vez disso, devemos manifestar extraordinária sabedoria e energia vital por meio da nossa prática da fé para, assim, superar brilhantemente as circunstâncias adversas. É isso que nos torna alguém que “compreende o significado de todas as questões seculares”.3

A atitude despreocupada de que as coisas vão se resolver simplesmente por estar praticando o budismo é um erro. É justamente por praticarmos o budismo que devemos orar seriamente e nos esforçarmos ao máximo para a solução dos problemas que estamos enfrentando. É a partir desse espírito determinado, de seriedade e desafio, que nasce a mais elevada sabedoria. A chave para a vitória em tudo se encontra em conseguir extrair ou não o extraordinário poder desse princípio de que prática da fé é, em si, a própria sabedoria.

Na edição do jornal Seikyo Shimbun, datada de 11 de fevereiro, aniversário natalício de Josei Toda, foi publicada a conclusão do romance Revolução Humana, de doze volumes, no qual Shin’ichi narrou as ações do seu mestre pelo kosen-rufu. Shin’ichi começou a escrevê-lo em Okinawa, no dia 2 de dezembro de 1964, e a publicação em série no Seikyo Shimbun iniciou com a edição do dia 1o de janeiro do ano seguinte, em 1965. Ao longo dos anos, houve períodos prolongados de ausência de publicação da obra devido a seguidas viagens internacionais ou a problemas de saúde de Shin’ichi. No dia 24 de novembro de 1992, ele havia concluído a escrita do romance, cuja parte final, de número 1.509, foi veiculada na edição de 11 de fevereiro de 1993. No posfácio, Shin’ichi registrou: “Dedico ao meu venerado mestre, Josei Toda”.

A obra Revolução Humana foi escrita para expressar o juramento seigan pelo kosen-rufu do discípulo, Shin’ichi Yamamoto, como também a retribuição e a gratidão ao mestre.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

Parte 94

No dia 11 de fevereiro, Shin’ichi Yamamoto participou da cerimônia em que recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em seu discurso de agradecimento, mencionando que aquele era o dia do aniversário natalício do seu venerado mestre, Josei Toda, discorreu sobre sua filosofia.

— Aprendi com meu mestre a filosofia que explica que todos, seja quem for, podem igualmente revelar o supremo tesouro inerente à vida. Ele também me confiou o nobre caminho da paz a ampliar a rede de solidariedade entre as pessoas por meio do acúmulo de sinceros diálogos. Herdei a filosofia humanística que prega o emanar de ilimitada sabedoria quando se dedica com firme determinação compassiva em prol do povo e do ser humano. Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, meu mestre propôs aos jovens cultivar o ideal denominado “cidadania global”. Na época, sua visão não foi reconhecida, mas o mundo de hoje, atormentado pelo agravamento dos conflitos étnicos, está começando a buscar esse caminho da coexistência harmoniosa.

Shin’ichi desejava transmitir a grandiosidade do seu mestre ao mundo. Ele também queria dedicar o título de doutor honoris causa que acabava de receber ao seu venerado mestre, que o havia treinado.

No dia seguinte, 12 de fevereiro, Shin’ichi visitou a Academia Brasileira de Letras no Rio de Janeiro, onde se encontrou e dialogou com o presidente da instituição acadêmica, Austregésilo de Athayde. Durante o encontro, concordaram com a publicação de um diálogo entre os dois intitulado Direitos Humanos no Século 21 cuja proposta já vinha sendo discutida.

Eles decidiram que, para iniciar o processo, Shin’ichi prepararia algumas perguntas por escrito e as enviaria ao presidente da academia.

Athayde disse:

— Estou muito feliz em dialogar com o presidente Yamamoto, uma pessoa que compreende tão profundamente os direitos humanos. Não há dúvida de que a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi publicada, porém é o senhor que está traduzindo e divulgando seu espírito de forma clara em termos de ações concretas. Sua contribuição supera a de pessoas que redigiram a declaração. A ação é fundamental às pessoas, e também é importante a ideologia. Vamos concluir juntos o nosso diálogo.

Shin’ichi renovou sua decisão para corresponder a essa enorme expectativa de Athayde.

Parte 95

Falando em voz baixa, mas com um tom que transmite profundo sentimento, o presidente Athayde disse a Shin’ichi:

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

— Estou chegando aos 100 anos, porém é a primeira vez na minha vida que desejei tanto conhecer uma pessoa. O senhor tem uma grandiosa missão. É uma pessoa de filosofia e de natureza humanística, e um líder espiritual. Tudo em sua vida possui significado. O destino do mundo vem passando por significativas mudanças com suas ações. O senhor está mudando os rumos da história da humanidade. Tenho profunda admiração pelo fato de o senhor ter realizado seus ideais de forma concreta por meio de suas próprias ações.

Shin’ichi sentiu que a expectativa do presidente Athayde continha o forte desejo de tornar realidade o espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Olhando fixamente para Shin’ichi, o presidente Athayde disse:

— Em breve, chegará o novo século. Creio que isso significa o início de uma nova era para o Brasil e para o Japão, e para o mundo inteiro.

— Isso mesmo, respondeu Shin’ichi.

— O senhor veio lutando para criar essa nova era. Eu também. Nosso objetivo é inaugurar uma nova era em que todas as pessoas possam viver felizes, completou.

O presidente Athayde sorriu com as palavras de Shin’ichi e disse vigorosamente:

— O termo verbum em latim significa “palavra” e possui também o significado de Deus. Vamos lutar utilizando essa sublime palavra como a maior arma!

O espírito de Shin’ichi e o de Athayde ressoaram juntos intensamente.

Na sequência de seu encontro com o presidente Athayde, Shin’ichi participou da cerimônia de nomeação como sócio correspondente estrangeiro da Academia Brasileira de Letras.

Essa academia foi fundada em 1897, depois que o país passou do regime de monarquia para república, com o objetivo de se tornar o farol da sabedoria para a pátria brasileira. É composta por quarenta membros brasileiros e vinte estrangeiros, sendo todos vitalícios.

Parte 96

Entre os sócios correspondentes estrangeiros admitidos na Academia Brasileira de Letras como “extraordinários guardiões da cultura e da literatura” figuravam nomes de gigantes intelectuais como o escritor russo Liev Tolstói, o romancista francês Émile Zola e o sociólogo britânico Herbert Spencer.

Shin’ichi Yamamoto tornou-se o primeiro japonês e o primeiro asiático a ser nomeado sócio correspondente estrangeiro.

A cerimônia de posse contou com a presença do ministro da Cultura, Antônio Houaiss, representando o presidente da República, e de outras importantes personalidades dos círculos cultural e intelectual do Brasil. O presidente Itamar Franco também enviou uma mensagem de congratulações.

Adicionalmente, na cerimônia, Shin’ichi foi agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito Machado de Assis. Com a gravação da figura do primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, essa medalha era a maior honraria da academia concedida a “homens de cultura com contribuições em escala mundial”.

Em comemoração da nomeação como sócio correspondente estrangeiro, Shin’ichi proferiu uma palestra intitulada “A Alvorada da Esperança da Civilização Universal”.

Na palestra, ele observou que, no mundo atual em que a globalização avança com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, a religião deve cultivar e elevar a espiritualidade humana, tornando-se a base para a construção de uma nova ordem mundial harmoniosa. Essa natureza religiosa aberta formará a espinha dorsal da civilização universal do século 21.

Jornalistas dos principais jornais brasileiros estiveram presentes à cerimônia, e a posse de Shin’ichi como sócio correspondente e sua palestra comemorativa foram divulgadas pela imprensa.

Shin’ichi sentiu que a homenagem da Academia Brasileira de Letras e diversas outras concedidas a ele no Brasil eram a comprovação da vitória dos esforços consistentes dos membros da BSGI na contribuição social e no trabalho para promover o reconhecimento da Soka Gakkai pela sociedade. No passado, o mal-entendido e o preconceito em relação à Soka Gakkai chegaram a ponto de o visto de entrada de Shin’ichi ao país ser negado. Mas agora, conquistando a profunda confiança e o mais alto reconhecimento da maior instituição intelectual da América do Sul, tornava-se seu sócio correspondente estrangeiro. O acúmulo de esforços diários inconspícuos pode mudar a sociedade.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

Shin’ichi desejava louvar sinceramente cada membro e bradar: “Viva o Brasil!”.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Notas:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 395, 2020.

2. Toda Josei Zenshu [Obras Completas de Josei Toda]. Tóquio: Seikyo Shimbunsha, v. 1, p. 162, 1981. Tradução do japonês.

3. Ibidem.

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUNSHA=JSS