Construir a paz duradoura

ROTANEWS176 17/01/2026  11:15

ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS  

Fundada em 1975, a Soka Gakkai Internacional (SGI) forma uma correnteza global de pessoas valorosas dedicadas à felicidade da humanidade com base nos ideais do Budismo Nichiren.

Reprodução/Foto-RN176 Representantes da SGI de diversos países durante curso de aprimoramento da organização (Japão, set. 2025). Foto: Seikyo Press

O sol da paz despontou. Abriram-se as cortinas de novos horizontes para o kosen-rufu mundial. Em 26 de janeiro de 1975, uma onda de paz colossal irrompeu da paisagem verde-esmeralda da ilha de Guam, no extremo sul das Ilhas Marianas, no Pacífico Ocidental. Naquele dia, 158 membros representando 51 países e territórios se reuniram no prédio do Centro do Comércio Internacional de Guam para a Primeira Conferência para a Paz Mundial. No evento, deu-se a fundação da Soka Gakkai Internacional (SGI), entidade internacional composta por organizações afiliadas espalhadas pelo mundo inteiro; e por solicitação de todos os presentes, Shin’ichi Yamamoto [pseudônimo de Daisaku Ikeda no romance Nova Revolução Humana] foi nomeado presidente da instituição. Assinalava-se um momento histórico e decisivo para a edificação do século da vida e da paz.1

Esse trecho abre o volume 21 do romance Nova Revolução Humana, e descreve os fatos que marcaram a histórica fundação da SGI há 51 anos.

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda discursa durante a fundação da Soka Gakkai Internacional (Guam, 26 jan. 1975). Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional — Foto: Seikyo Press

Origem

As raízes organizacionais da SGI foram fincadas bem antes; datam de 1930, no Japão, quando os educadores Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda fundaram a Soka Kyoiku Gakkai [Sociedade Educacional de Criação de Valor], precursora da Soka Gakkai [Sociedade de Criação de Valor]. Com Makiguchi como primeiro presidente, a organização era focada na reforma educacional, porém se converteu mais tarde em um movimento dedicado à melhoria da sociedade em geral, por meio de uma transformação interna e individual baseada no Budismo Nichiren.

Resistindo à pressão do governo militarista do Japão para que abandonassem sua crença religiosa, Makiguchi sensei e Toda sensei foram presos em 1943. O primeiro faleceu na prisão e seu principal discípulo, libertado em 1945, passou a reconstruir a organização e se tornou seu segundo presidente.

Em 1947, em meio ao caos do Japão pós-guerra, Daisaku Ikeda, então com 19 anos, conheceu Josei Toda, que se tornaria seu mestre por toda a vida. Ele se converteu de imediato ao budismo ingressando na Soka Gakkai, e anos depois, em 1960, tomou posse como terceiro presidente da organização, iniciando viagens para diversos países a fim de propagar a filosofia budista. Dessa iniciativa surgiram as primeiras organizações fora do Japão, incluindo o Brasil. Todas se desenvolveram intensamente ao longo das décadas.

Filosofia para todos

O nascimento da SGI, quinze anos após a primeira viagem do presidente Ikeda ao exterior, marcou um avanço fundamental na expansão do movimento pela paz no mundo, que chamamos de kosen-rufu. Assim, o Budismo de Nichiren Daishonin, anteriormente conhecido apenas como uma “religião japonesa”, acabou reconhecido como uma real prática de transformação do sofrimento em esperança e alegria — uma religião mundial, sem fronteiras, acessível a todas as pessoas. Com a fundação, as organizações no mundo inteiro realizaram, de maneira mais efetiva, atividades voltadas para a respectiva sociedade.

Também no romance Nova Revolução Humana, encontramos o seguinte trecho:

De manhã cedo, em 26 de janeiro, dia em que se daria a Primeira Conferência para a Paz Mundial, Shin’ichi estava na praia da ilha de Guam.Lembrou-se de uma viagem que fez com seu mestre, Josei Toda, no verão de 1954, à terra natal dele, Atsuta, um vilarejo em Hokkaido. Fitando o Mar do Japão enquanto o sol se punha, o Sr. Toda sensei disse a Shin’ichi:“Construirei uma sólida base para o kosen-rufu no Japão, mas você assentará o caminho para o kosen-rufu no mundo inteiro”.Shin’ichi gravou aquelas palavras em seu coração como se fossem uma ordem expressa e final.E agora, recordando-se delas, disse a Josei Toda em seu coração:“Sensei! Hoje, membros de 51 países e territórios estão se reunindo para a conferência para a paz mundial. O kosen-rufu está se propagando para todos os cantos do mundo, divulgando sua mensagem de paz global. Parece que, na conferência de hoje, vou me tornar presidente da Soka Gakkai Internacional e passar a assumir a liderança, tanto nominal como efetiva, do kosen-rufu mundial. Como seu representante, estou prestes a alçar voo pelo mundo”.E naquele dia, Shin’ichi foi, de fato, nomeado presidente da SGI por decisão unânime dos participantes da conferência. Aquele momento assinalou o alvorecer de um novo e épico dia na história do kosen-rufu.2

Em suas palavras durante a fundação da SGI, o presidente Ikeda afirmou:

Talvez se possa dizer que se trata de uma pequena conferência, uma reunião de pessoas anônimas de vários países e territórios. Entretanto, acredito que o encontro de hoje resplandecerá intensamente na história por séculos no futuro, e o nome de vocês, sem dúvida, ficará gravado não apenas na saga da propagação mundial do budismo, mas também na história da humanidade. (…)O sol do Budismo Nichiren começou a despontar no horizonte. Em vez de buscarem aclamação ou glória pessoal, espero que dediquem sua nobre vida a plantar as sementes da paz da Lei Mística no mundo. Farei o mesmo. Às vezes, assumirei a liderança na linha de frente; outras, estarei ao seu lado; e, em outros momentos, zelarei por vocês nos bastidores. Sempre estarei apoiando-os de todo o coração. (…)Como bravos, compassivos e dedicados discípulos de Nichiren Daishonin que se devotam inteiramente à verdade e à justiça, vivam de modo positivo e edificante, lutando pela prosperidade do seu respectivo país, pela felicidade das pessoas e pela preciosa existência da própria humanidade. (…)3

Inspirados por essas palavras de Ikeda sensei, eterno presidente da SGI, que encerrou sua nobre existência em 15 de novembro de 2023, os membros da organização continuam a se dedicar para plantar as preciosas sementes da Lei Mística em todos os cantos do globo. Hoje, graças a esses esforços conjuntos, eles estabeleceram uma firme base para o kosen-rufu em seu respectivo país, contribuindo para a propagação do budismo e para a felicidade dos povos.

Sublime missão

As ações da SGI para ajudar a construir uma cultura duradoura de paz se baseiam no compromisso com o diálogo e a não violência, e no entendimento de que a felicidade individual e a realização de um mundo pacífico estão intrinsecamente ligadas. Como organização não governamental com vínculos formais com a Organização das Nações Unidas (ONU), a SGI também colabora com outras organizações da sociedade civil, agências intergovernamentais e grupos religiosos nos campos de desarmamento nuclear, educação em direitos humanos, desenvolvimento sustentável e assistência humanitária.

Guiadas pelo objetivo comum de contribuir para a paz do mundo com base no respeito pela dignidade da vida, as organizações locais da SGI desenvolvem atividades alinhadas com os contextos culturais de sua respectiva sociedade. As principais atividades, denominadas “reuniões de palestra”, são diálogos com base nos ensinamentos budistas e com ênfase na transformação da sociedade a partir do desenvolvimento de cada um. Paralelamente, promove-se a conscientização sobre as questões globais por iniciativas como exposições, simpósios e conferências, diálogo inter-religioso e campanhas para promover a não violência. Anualmente, desde 1983 até 2022, o presidente Ikeda formulou propostas de paz endereçadas às Nações Unidas e dirigidas à comunidade internacional, abordando questões que a humanidade enfrenta, sugerindo soluções baseadas na filosofia budista. Muitos dos temas levantados nessas propostas de paz são abordados pela SGI e por outras ONGs, além de fornecer inspiração para as contribuições sociais de seus membros em todo o mundo.

Atualmente, há um crescente reconhecimento de que a política, a economia e a ciência, sozinhas, não podem resolver os problemas que o mundo enfrenta; e também de que chegou o momento de focalizar a educação e os direitos humanos se quisermos efetuar uma restauração da humanidade. E é nesse aspecto que o avanço vigoroso da SGI, uma organização baseada no humanismo budista que transcende as questões étnicas e de nacionalidade, pode servir como uma luz de esperança.

Campos de atuação

As atividades da SGI para a paz são baseadas nos seguintes elementos-chave derivados da filosofia de vida do Budismo Nichiren:

Dignidade acima de tudo

Todas as pessoas possuem inerentemente uma condição de vida de dignidade suprema e, nesse sentido, são fundamentalmente iguais e têm potencial ilimitado.

Interconexão plena

Uma consciência da inter-relação e da unicidade da própria vida ajuda a pôr fim às atitudes discriminatórias e ao comportamento destrutivo em relação aos demais e ao meio ambiente.

Reflexão, diálogo e não violência

A reflexão interior nos permite sentir o sofrimento dos outros como próprios. Pelo diálogo, fortalecemos a compreensão mútua e nos unimos contra a violência e a privação da vida.

Paz e desarmamento

Os esforços pela abolição nuclear da SGI têm suas raízes em 1957, quando o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, fez uma declaração pública pedindo a eliminação e a proibição de armas nucleares. A partir de então, a organização atua em prol de um mundo livre de armas nucleares e para a criação de uma cultura de paz por meio de uma série de iniciativas e eventos, incluindo a exposição Tudo o que Você Valoriza — Por um Mundo Livre de Armas Nucleares.

Desenvolvimento sustentável

A SGI elucida questões para uma vida sustentável por meio de vários eventos e exposições educacionais, incluindo Sementes da Esperança e Ação: Tornando Realidade os ODS, iniciativa conjunta com a Earth Charter International (Carta da Terra Internacional) em apoio à Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

Atividades humanitárias

Os membros da SGI estão ativamente engajados em diversas atividades de ajuda humanitária, imediatamente após os desastres, e em esforços de reconstrução em longo prazo. Eles também participam com outras ONGs de projetos para a redução do risco de desastres.

Educação em direitos humanos

A busca pela construção de uma cultura de direitos humanos pode ser percebida como “um desafio à alteridade”, no qual os indivíduos desenvolvem a coragem de reconhecer, respeitar e apreciar as diferenças entre as pessoas. Em apoio ao Progra-ma Mundial de Educação em Direitos Humanos, a SGI organiza muitas atividades, como fóruns e seminários, para promover a educação em direitos humanos.

Empoderamento das mulheres

Junto com outros grupos afins, a SGI organiza diversos eventos para apoiar os esforços para promover a igualdade de gênero, apoiando as atividades da ONU Mulheres e da Comissão sobre o Status da Mulher (CSW).

Foco na cidadania global

À medida que o mundo enfrenta cada vez mais desafios globais que exigem soluções globais, é imperativo à SGI que sejam feitos esforços visando promover a educação que incentive um senso de pertencimento e de responsabilidade com a comunidade humana de todo o planeta.

Leia mais

Sobre a fundação da SGI no volume 21 do romance Nova Revolução Humana.

Fontes: Brasil Seikyo, ed. 2.498, 18 jan. 2020, p. 6-9. / www.sokaglobal.org 

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2019. p. 9.

2. Ibidem, p. 29.

3. Ibidem, p. 36.

FONTE: JORNAL SEIKYO  SHIMBUN=JSS