ROTANEWS176 17/01/2026 11:25
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Dona de uma alegria e energia contagiantes, mesmo com um pulmão a menos, Mayra comprova a força do budismo que a inspira a não se limitar.

Reprodução/Foto-RN176 Mayra Helena Lopes Rinco da Silva. Na BSGI, é responsável pela Juventude Soka do Distrito Teotônio Vilela, RM Sapopemba, CCLP
A cena se dá num hospital. Uma gravidez considerada de baixo risco evolui para diabetes gestacional crítica, infecção generalizada e os médicos sinalizam que a sobrevivência de mãe e filha não é garantida. Qual das duas salvar? Eis o momento crítico que definiu a chegada ao mundo de Mayra Lopes Rinco, hoje com 22 anos, que, mesmo antes de nascer, já desafiava a medicina. “Vão-se salvar as duas!”, disse categórico o pai, Wanderley Rinco, à equipe médica.
Mayra também herdou essa convicção de sua mãe, Marisa de Fatima, que conheceu a prática budista aos 14 anos, sem nenhum apoio familiar. Em pouco tempo, comprovava a força do Nam-myoho-renge-kyo, recebendo seu Gohonzon (objeto de devoção) aos 16 anos. Logo após, casou-se com o pai de Mayra, ampliando a família. Ela teve dois filhos, Wesley, hoje com 36 anos, e Paloma, com 33. Mayra veio dez anos depois, com a missão de lutar pela vida.
Os primeiros três meses de vida da jovem transcorreram normalmente, até surgirem complicações que exigiram internação. Alimentava-se por sonda e respirava com a ajuda de balão de oxigênio. Foram realizadas duas cirurgias, das quais a primeira lhe retirou o pulmão direito. E após doze dias, foram ligadas duas artérias e fechado um sopro. No mesmo ano, fez-se necessário o cateterismo. Até completar 7 meses de vida, o hospital se tornou um lar para mãe e filha. Convulsões e paradas cardíacas desafiam a vida de Mayra, e, mais uma vez, era hora de vencer a investida do carma: “Filha, você tem de sobreviver, pois Ikeda sensei a está esperando”.
Não era a espera de um milagre, mas a forte determinação gravada no universo: (neste momento),1 que, no budismo, aprendemos ser a força de propósito capaz de mudar nosso carma. Os pais estavam convictos, resultado do fortalecimento da prática da fé e aplicando no dia a dia as orientações do Mestre, o qual reforça: “Continuem a avançar com coragem, paciência e persistência até serem vitoriosos”.2
E assim Mayra sobreviveu. “Eu me considero uma pessoa de imensa boa sorte”, ressalta a jovem. Seu quadro inicial indicava que não conseguiria andar nem frequentar a escola, mas bons especialistas, as pessoas certas na hora certa, surgiram em seu caminho. E mais, ela cresceu nos jardins Soka, com uma forte rede de apoio que ela considera ser o divisor de águas em sua jornada saudável, em que aprendeu a não se limitar. Enumera feliz suas referências nessa caminhada. A primeira delas é a do presidente Ikeda, que, na juventude, tinha saúde frágil e ouvia sempre dos médicos que não passaria dos 30 anos. Ele chegou aos 95 anos. “Não tenho um pulmão, dei muito trabalho para minha família em constantes internações, mas sei que se meu mestre venceu, eu também não serei derrotada. Já passei dos vinte e não vou parar. Sigo firme, avante”, celebra orgulhosa.
Música da paz
A outra grande paixão de Mayra é a música. Desde menina, integra a banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil, grupo musical da Juventude Soka que tem como missão transmitir esperança às pessoas. Encantou-se pela flauta transversal, e por ser um instrumento de sopro, e a falta de um dos pulmões, logo seria um problema e tanto. “Mas quem disse que não consigo”, propôs-se. A limitação deu lugar a um grande sonho, que a jovem persistiu até concretizar. “Família que luta junto, vence junta”, reforça Mayra, que se mantém ativa no grupo, hoje atuando no Conjunto Harmonia. “Meus irmãos sempre me apoiaram, meus pais são presentes em tudo, a Kotekitai sempre me protegeu. Agora é minha vez. Sou imensamente grata!”.

Reprodução/Foto-RN176 Junto com os pais e os irmãos, unidos sempre
Avançar sem medo
Na profissão, Mayra atua há três anos em uma multinacional do setor de recursos humanos. Reconhecida pelo temperamento calmo e por uma alegria contagiante, destaca: “Nunca deixo ninguém ficar triste perto de mim”. É assim também na BSGI. Depois de passar duas décadas na sua localidade de origem, o Distrito Lar Nacional, recentemente foi confiada a liderança da Juventude Soka do Distrito Teotônio Vilela. São organizações de base situadas na zona leste de São Paulo, SP. “Cada um com sua característica, nós nos apoiamos, vibramos e desafiamos a tudo. Nunca estamos sozinhos e sabemos que podemos contar uns com os outros. Uma juventude feliz de verdade.”
Longe das limitações que poderiam povoar a mente de uma jovem que já passou por tanto, Mayra se sente segura em suas decisões e passos futuros. Na saúde, sabe que ocorrerão novos desafios. Em julho de 2025, após catorze anos de tratamento, veio uma primeira crise convulsiva, seguida de outras duas em curto espaço de tempo e nova internação. Mais uma vez, especialistas e atendimento impecável foram vitais para seu restabelecimento. “Já comprovei a força do daimoku. Não há o que temer”, determina Mayra, que encerrou 2025 com a família reunida, agora complementada pelo namorado, Vinícius, também companheiro da Juventude Soka.
Mayra agradece a todos os familiares, amigos e companheiros, que estão sempre ao seu lado. “Budismo é causa e efeito. As adversidades são fatos reais da vida, mas a convicção da vitória também se aloja dentro de nós. Não serei derrotada!”, sela.
Mayra Helena Lopes Rinco da Silva, 22 anos. Profissional de recursos humanos. Na BSGI, é responsável pela Juventude Soka do Distrito Teotônio Vilela, RM Sapopemba, CCLP
Notas:
1. Leia mais no Guia para a Vitória, encarte do Brasil Seikyo, ed. 2.695, 22 nov. 2025.
2. Brasil Seikyo, ed. 2.104, 22 out. 2011, p. A3.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










