ROTANEWS176 17/01/2026 12:15
NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Por Ho Goku
Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Plaza de Mayo, em Buenos Aires. Ilustrações: Kenichiro Uchida
Parte 97
Em 14 de fevereiro [1993], Shin’ichi Yamamoto partiu do Rio de Janeiro rumo à sua primeira visita à Argentina.
Pouco tempo depois, o presidente da Academia Brasileira de Letras, Austregésilo de Athayde, adoeceu. Porém, seu entusiasmo para a publicação do diálogo com Shin’ichi não diminuiu em nada. Quando se recuperou um pouco em meados de junho, respondeu às perguntas de Shin’ichi verbalmente, gravando as respostas em fita.
Como se travasse uma batalha contra o tempo limitado que lhe restava, reunia todas as forças para extrair as palavras que desejava comunicar. Ele dedicou a vida até o final na luta pelos direitos humanos em prol da nova era vindoura.
Os preparativos para a publicação do diálogo foram conduzidos por correspondência com base nos assuntos acordados durante o encontro dos dois no Rio de Janeiro. As últimas palavras do presidente Athayde foram proferidas em meados de agosto. Alguns dias depois, ele foi hospitalizado e, em 13 de setembro de 1993, antes do seu aniversário de 95 anos, encerrou-se a extraordinária existência deste gigante dos direitos humanos.
O diálogo foi inicialmente veiculado em série na revista mensal Ushio, afiliada à Soka Gakkai, sob o título Nijuisseiki no Jinken o Kataru (Direitos Humanos no Século 21). O livro sobre esse diálogo, em japonês, foi publicado posteriormente em 11 de fevereiro de 1995.
Em 15 de fevereiro, dia seguinte à chegada de Shin’ichi a Buenos Aires, capital da Argentina, ele se encontrou, no hotel onde estava hospedado, com o ex-secretário-geral da Presidência, Alberto Kohan. Após o encontro, participou da conferência de representantes da SGI-Argentina realizada na mesma cidade.
Entre os participantes, havia também o rosto bronzeado e animado de jovens que se dedicavam aos preparativos do 11o Festival Cultural dos Jovens pela Paz Mundial, que seria realizado no dia 18 de fevereiro.
Na Argentina, os jovens haviam alcançado um esplêndido crescimento, abrindo um infindável caminho do kosen-rufu para o futuro.
O anoitecer do dia 15 de fevereiro na Argentina correspondia, no Japão, à manhã do dia 16 de fevereiro, data de aniversário natalício do buda Nichiren Daishonin. Shin’ichi disse enfaticamente aos membros presentes:
— Quando o sol se levanta nos céus do leste, sua grande luz ilumina o mundo inteiro. Da mesma forma, o Budismo do Sol de Nichiren Daishonin, que nasceu no Japão, iluminará brilhantemente as pessoas de todo o mundo, envolvendo-as com a luz da grandiosa compaixão da Lei Mística. A atuação dos senhores, da Argentina, está comprovando de forma magnífica a natureza global e universal do Budismo de Nichiren Daishonin.
Parte 98
Intensificando a voz, Shin’ichi Yamamoto disse:
— A Argentina e o Japão ficam em lados opostos do planeta, separados por uma grande distância. Mas hoje estamos celebrando juntos o aniversário natalício de Nichiren Daishonin. Ele deve estar muito feliz! Um provérbio argentino diz que o sol brilha para todos. O Budismo do Sol de Daishonin é o budismo da igualdade. Daishonin revelou a grande Lei em prol de todos, isto é, de todas as pessoas dos “dez mil anos” ou mais, dos Últimos Dias da Lei. Não podemos permitir de forma alguma que se faça discriminação entre pessoas que praticam ou não este budismo. Por favor, desejo que os senhores espalhem o brilho da esperança para todas as pessoas da Argentina, com amplo coração e radiantes como o sol.
Shin’ichi continuou a incentivar os membros com o sentimento de que “…este é o último momento de sua vida”,1 e citou as palavras do renomado poeta argentino Almafuerte: “Há ocasiões em que um grandioso destino se encontra adormecido para ser despertado por angústias e sofrimentos”.2

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humano de ilustração da matéria – Ilustração: Kenichiro Uchida
Ele prosseguiu:
— O budismo elucida o princípio de “desejos mundanos são iluminação”. Não há ninguém livre de problemas ou preocupações. Da mesma forma, não há nenhuma família nem sociedade que não tenham sofrimentos. A vida é uma batalha contra as adversidades. O importante é como resolver os diversos problemas e sofrimentos que nos afligem. Deve-mos acumular esforços invocando a sabedoria rumo à vitória após a superação das dificuldades. O modo de viver sonhando com uma situação livre de adversidades, fugindo da realidade, é de derrota. Pessoas que estão sempre se esforçando positivamente, pensando em como superar cada problema e transformá-lo em fonte de valor e de vitória, são vencedoras da vida. A determinação mental da pessoa define sua vida. Espero que se tornem renomados atores dos próprios dramas da vitória a comprovar brilhantemente esse princípio. Além disso, sejam pessoas que encorajam a todos os que estão ao redor, transmitindo-lhes autoconfiança.
Shin’ichi desejava que cada membro da Argentina fosse, sem exceção, “um indomável soberano da vitória”.
Parte 99
Ao meio-dia de 16 de fevereiro, Shin’ichi Yamamoto visitou o presidente argentino Carlos Menem no palácio presidencial em Buenos Aires.
No diálogo, Shin’ichi enfatizou a importância de tornar o século 21 uma era de integração da humanidade e de florescimento da cultura global. Para tanto, ele expressou sua expectativa na natureza cosmopolita da Argentina, um grande solo multicultural e multiétnico. Essa viagem à América do Sul foi marcada por uma sequência ininterrupta de eventos oficiais e de encontros com líderes de cada país. As intérpretes e tradutoras de língua espanhola, que conduziram brilhantemente a tarefa, eram integrantes da Divisão Feminina de Jovens originárias da Argentina. Elas cresceram no país sul-americano como filhas de imigrantes japoneses. Na adolescência, aprenderam sobre a fé com as atividades da Kotekitai e adquiriram o sentimento profundo de viver em prol do kosen-rufu e da felicidade das pessoas.
Essas jovens estudaram em universidades estatais da Argentina e em universidades do Japão como bolsistas do governo japonês para estudantes estrangeiros. Além de se dedicarem aos estudos nas áreas escolhidas, empenharam-se para aperfeiçoar o idioma japonês, tornando-se mais tarde intérpretes oficiais da SGI.
As sementes de juramento plantadas no coração de um jovem acabam se tornando uma grandiosa árvore da missão, crescendo altivamente rumo aos céus.
Na noite de 16 de fevereiro, Shin’ichi visitou o Senado e a Câmara dos Deputados, a Câmara Alta e a Câmara Baixa da Argentina.
O Congresso Nacional, sede das duas câmaras, era um majestoso edifício em estilo greco-romano, concluído em 1906, que permaneceu fechado durante o período do regime militar, com a proibição das atividades legislativas. Mas, quando a ditadura militar chegou ao fim em 1983, o Congresso Nacional foi reaberto, simbolizando o amanhecer da democracia na Argentina.
O Senado prestou uma homenagem a Shin’ichi concedendo-lhe um certificado especial em reconhecimento às suas “incansáveis atividades em prol da paz”. A Câmara dos Deputados também o homenageou pela luta em prol da “paz de todos os povos do mundo”. No outro lado do planeta, havia pessoas que ouviam atentamente as declarações de Shin’ichi e observavam suas ações.
Isso também era decorrente do acúmulo dos sinceros diálogos promovidos pelos membros da SGI-Argentina que expandiram o círculo de confiança na sociedade. Shin’ichi desejava agradecê-los profundamente por suas maravilhosas contribuições e compartilhar com eles as homenagens que recebia.

Reprodução/Foto-RN176 Edifício do parlamento nacional argentino – Ilustração: Kenichiro Uchida
Parte 100
No diálogo com Shin’ichi Yamamoto, o presidente do Senado disse-lhe que o Congresso argentino havia aprovado uma lei baseada, entre outras, em sua Proposta de Paz.
Tratava-se de uma lei que estabelecia uma nova data no calendário, o “Dia da Paz”, além da realização de diversas atividades nas escolas de ensinos fundamental e médio da Argentina visando ao aprendizado sobre a paz.
Na justificativa dessa nova lei consta: “Um notável pensador japonês resumiu os desafios da época em que vivemos da seguinte forma”. E, então, mencionando o nome de Shin’ichi, cita o seguinte trecho da Proposta de Paz do Dia da SGI do ano de 1983:
O século 21 está diante dos nossos olhos. Não devemos permitir que a guerra destrua o futuro brilhante da geração jovem cujo palco de atuação será o século 21. Se queremos que nossos filhos tenham algum futuro, nós, cidadãos comuns do mundo, devemos fazer a sábia escolha de dar atenção ao instinto pacifista de todos os povos.
Essa lei entrou em vigor em agosto de 1985.
O presidente do Senado disse:
— Acredito que a afirmação do presidente da SGI de que “Paz não é simplesmente ausência de guerra” seja uma mensagem para construirmos um mundo em que as pessoas possam viver com respeito e dignidade mútuas. Felizmente a Guerra Fria acabou. Porém, a guerra e os conflitos continuam em diversas partes do mundo. Estou certo de que nas atividades do senhor e da SGI se encontram as referências básicas e os valores para a solução desses conflitos.
A expectativa do mundo em relação à SGI era demasiadamente grande. Todas as pessoas da comitiva que acompanhavam Shin’ichi sentiram, de fato, que o movimento pela paz embasado no budismo de respeito à dignidade da vida era a exigência da época.
No dia seguinte, 17 de fevereiro, foi realizada a cerimônia de outorga do título de professor honorário em direito e de doutor honoris causa da Universidade Nacional Lomas de Zamora da Argentina a Shin’ichi. Na ocasião, também foi anunciado que a Assembleia Legislativa da Província de Buenos Aires havia adotado a resolução tornando a visita de Shin’ichi à Argentina um evento oficial. Além disso, dez municípios dessa província o homenagearam com placa ou chave da cidade.

Reprodução/Foto-RN176 Cerimônia de concessão do título de doutor honoris causa da Universidade Nacional Lomas de Zamora da Argentina ao presidente Ikeda – Ilustração: Kenichiro Uchida
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.
Notas:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo,, v. I, p. 225, 2020.
2. ALMAFUERTE. Obras Completas. Buenos Aires: Editora Claridad S.A., 1990. p. 62. Tradução do espanhol.
Ilustrações: Kenichiro Uchida
FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUNSHA=JSS










