Escalar a montanha da vida

ROTANEWS176 16/03/2026 08:00 

NOVA REVOLUÇÃO HUMANA        

PorHo Goku

Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda palestra durante a formatura na Universidade Tribhuvan do Nepal. Ilustrações: Kenichiro Uchida

Parte 113

Em 1o de janeiro de 1995, denominado “Ano da Glória e do Progresso Dinâmico”, Shin’ichi Yamamoto iniciou suas atividades do ano liderando o Gongyo de Ano-Novo, realizado na sede da Soka Gakkai.

Em 15 de janeiro, “Dia da Maioridade”, Shin’ichi realizou uma conferência com representantes da Divisão Feminina e do bairro de Shinjuku, em Tóquio, e falou sobre a figura de líder a se encarregar do século 21.

— Quais são os requisitos exigidos de um líder daqui em diante? Em uma única palavra, resume-se à “sinceridade”. Deve ser uma pessoa que não demonstra arrogância e se dedica em prol dos companheiros. As qualidades que todos buscam num líder são honestidade, gentileza, responsabilidade, convicção e a característica de serem pessoas comuns. Logo, não é necessário mostrar-se como alguém diferente de quem você é. O importante é ser autêntico e que continue crescendo como ser humano com base na prática da fé.

Para o bem do futuro, Shin’ichi desejava registrar, em linguagem simples, sobre a postura do líder:

— O objetivo do budismo é aliviar o sofrimento das pessoas. Isso não deve ser apenas um idealismo teórico, mas deve ser feito, de forma concreta, por meio da sabedoria aliada à ação. De nossa perspectiva, trata-se da “transformação da fé em sabedoria”, isto é, a conquista da sabedoria do buda em nossa vida pela prática da fé. Portanto, tudo se inicia com a oração, e devemos continuar orando e agindo até surgirem os resultados. Tanto Shakyamuni como Nichiren Daishonin eram pessoas de ação. Nós também devemos ser assim.

Dois dias depois, às 5h46 da madrugada do dia 17 de janeiro, um grande terremoto assolou o centro-oeste do Japão. Os danos mais graves ocorreram em Kobe, na ilha de Awaji, e em regiões ao sul da província de Hyogo, afetando até áreas de Osaka e de Quioto. O terremoto derrubou vias expressas elevadas, destruiu casas e edifícios e provocou incêndios generalizados nessas áreas. Entre as vítimas do desastre, houve cerca de 6.400 mortes e 44 mil feridos. A tragédia ficou conhecida como o Grande Terremoto de Hanshin ou o Terremoto de Kobe, em 1995.

Ao receber a notícia da tragédia, Shin’ichi tomou medidas para que a Soka Gakkai mobilizasse imediatamente todos os recursos para ajudar no resgate e no socorro às vítimas.

Estava prevista uma viagem de Shin’ichi para o Havaí onde se realizaria uma palestra no Centro Leste-Oeste, uma importante instituição acadêmica da região da Ásia-Pacífico, porém adiou sua partida e concentrou esforços para fazer tudo o que estivesse ao alcance para ajudar as vítimas do terremoto.

Tanto na sede da Soka Gakkai em Tóquio como em Kansai, centrais de coordenação das atividades de apoio às vítimas foram instaladas imediatamente. Shin’ichi participou pessoalmente das discussões com os líderes centrais da Soka Gakkai e de reuniões de coordenação.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

Parte 114

Nas áreas afetadas pelo Grande Terremoto de Hanshin, as instalações da Soka Gakkai se tornaram locais de abrigo temporário e centros de apoio à coleta, ao armazenamento e à distribuição de suprimentos de emergência.

Ruas e estradas registravam enormes congestionamentos devido ao colapso de trechos de vias expressas e ao grande número de vias interrompidas pelos escombros dos edifícios destruídos. Os membros da Soka Gakkai formaram rapidamente um grupo de motociclistas que passaram a percorrer ruas cheias de entulhos para entregar suprimentos de emergência às áreas afetadas pela tragédia.

Ao pensar nas pessoas que perderam entes queridos, o lar e o local de trabalho, a dor de Shin’ichi Yamamoto parecia cortar seu coração. Seu desejo era se dirigir pessoalmente às áreas afetadas para incentivar a todos, mas o dia da palestra no Centro Leste-Oeste, no Havaí, se aproximava. Então, ele disse ao presidente da Soka Gakkai, Eisuke Akizuki, à coordenadora da Divisão Feminina e ao coordenador da Divisão dos Jovens que estavam prestes a ir juntos para a área da tragédia:

— Quero que incentivem a todos em meu lugar com o sentimento de dedicar a vida. Deve haver pessoas que perderam seus familiares praticantes do budismo. Para essas pessoas, por favor, transmitam-lhes: “Mesmo que tudo se destrua, a boa sorte acumulada na vida é eternamente indestrutível. Recitando mesmo uma única vez Nam-myoho-renge-kyo, o Budismo de Nichiren Daishonin possibilita à pessoa atingir o estado de buda. Não há dúvida de que os membros falecidos transformaram seu destino nesta vida e nascerão num lar com Gohonzon na próxima existência, e se tornarão felizes. Além disso, por meio da prática da fé, pode-se transformar veneno em remédio. Nichiren Daishonin afirma: ‘Quando um grande mal ocorre, um grande bem o sucederá’.1 Por maiores que sejam os sofrimentos neste momento, tenham a convicção de que poderão ser felizes. Ou melhor, tornem-se felizes sem falta. Estarei orando e aguardando pela sua magnífica reconstrução com forte espírito e vida repleta de energia”.

A comitiva de Akizuki visitou as áreas afetadas pela tragédia para incentivos no dia 24 de janeiro. E na noite do dia seguinte, Shin’ichi partiu do Japão rumo a Honolulu, Havaí.

No dia 26 de janeiro, após uma visita à Universidade do Havaí em Manoa, ele se dirigiu ao Centro Leste-Oeste nas proximidades dessa faculdade, onde proferiu uma palestra em comemoração do cinquentenário do estabelecimento das Nações Unidas, intitulada “Paz e Segurança Humana: Uma Perspectiva Budista para o Século 21”.

Parte 115

Em sua palestra, Shin’ichi Yamamoto observou que, até então, a garantia da segurança vinha sendo discutida no âmbito das instituições e das estruturas do Estado. Ele prosseguiu:

— Porém, enquanto nos concentrarmos apenas no reforço das estruturas da sociedade e do Estado, evitando a questão fundamental da mudança interior do ser humano, os esforços pela paz acabarão se tornando, muitas vezes, contraproducentes. Não é essa a lição do século 20?

Ele declarou ser imprescindível uma mudança para um pensamento humanístico, “do conhecimento para a sabedoria”, “da individualidade para a diversidade” e “da soberania do Estado para a soberania do ser humano”, pois a transformação da sociedade deveria partir da revolução humana do indivíduo.

No Centro Leste-Oeste, Shin’ichi se reencontrou com o Dr. John Montgomery, professor emérito da Universidade Harvard, com o Dr. Glenn Paige, professor emérito da Universidade do Havaí, com o fundador dos estudos para a paz, Dr. Johan Galtung, e com outros.

No Havaí, Shin’ichi participou do 13o Festival Cultural dos Jovens pela Paz Mundial, em comemoração do cinquentenário da fundação das Nações Unidas, e da Conferência Pan-Pacífica de Paz e Cultura da SGI.

No dia 2 de fevereiro, Shin’ichi retornou ao Japão, voando diretamente para Kansai, onde participou da reunião do comitê conjunto da Soka Gakkai de Tóquio e de Kansai de apoio às vítimas do Grande Terremoto de Hanshin, como também das cerimônias de gongyo em memória dos falecidos na tragédia. Shin’ichi dedicou todos os esforços para encorajar os membros. Na cerimônia em memória dos falecidos, ele disse:

— Estou orando pelo mais breve restabelecimento de Kansai. O mundo inteiro está apoiando calorosamente seus esforços. Por favor, levantem-se corajosamente como “Kansai, Modelo para o Mundo”. Os companheiros que perderam a vida logo estarão de volta às fileiras da “Kansai de Contínuas Vitórias”. Nichiren Daishonin afirma: “Sem impedimentos, atingirá o mais elevado nível de renascimento na Terra da Luz Tranquila. Então, em pouco tempo retornará ao domínio dos sonhos de nascimento e morte dos nove mundos”.2 Significa que alcançamos a suprema Terra da Luz Tranquila, isto é, o estado de buda, e, após a morte, retornamos logo a este domínio dos nove mundos [o mundo saha], para novamente atuarmos em prol do kosen-rufu. Meu desejo é que todos nós possamos avançar recitando altivamente a Lei Mística [Nam-myoho-renge-kyo], radiantes e cheios de esperanças, inclusive em nome dos falecidos.

O caminho para o ressurgimento da poderosa luz da grandiosa boa sorte, neste momento, é aqui em Hyogo e em toda a Kansai, com base no princípio da unicidade da vida e da morte. Por favor, transmitam, reiteradamente, as melhores recomendações às pessoas das áreas afetadas pela tragédia.

Parte 116

Desde o final de outubro de 1995, Shin’ichi Yamamoto viajou para quatro países e territórios da Ásia, incluindo sua primeira visita ao Nepal, terra natal de Shakyamuni. Esse era o 51o país visitado em sua jornada pela paz.

Em 1o de novembro, Shin’ichi se encontrou com o rei Birendra, do Nepal, no palácio real em Katmandu. No dia 2, participou como principal convidado da formatura da Universidade Tribhuvan do Nepal realizada no Centro Internacional de Convenções naquela cidade. E ali proferiu uma palestra comemorativa intitulada “Homenagem ao Sagarmatha do Humanismo: As Lições Vivas do Gautama Buda”.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de Ilustração da matéria – ilustração de  Kenichiro Uchida

Na palestra, ele discorreu sobre o legado espiritual de Shakyamuni, o grande mestre da humanidade, a partir de duas perspectivas: “a grande luz de sabedoria” e “o grande oceano de compaixão”. Ele enfatizou que a rede de solidariedade humanística que ora pela felicidade de si e de outras pessoas será a força para edificar a prosperidade de seu respectivo país e iluminar o glorioso futuro de toda a humanidade. Ele também manifestou sua expectativa pelos estudantes graduados, possuidores de profunda missão como líderes da próxima geração, para que voem majestosamente como a grande fênix rumo ao século 21 de paz e de respeito à dignidade da vida, estendendo as asas da sabedoria e da compaixão.

No dia 3, Shin’ichi recebeu das mãos do ministro da Educação e pró-reitor da Universidade Tribhuvan o título de doutor honorário em letras dessa instituição.

Em seu discurso de agradecimento, Shin’ichi descreveu o Nepal como “uma grande terra de belo espírito poético” e enfatizou que a riqueza de uma nação deriva do brilho do coração do seu povo.

Naquele mesmo dia, conduzido pelos membros da SGI-Nepal, Shin’ichi se dirigiu de carro às colinas dos arredores de Katmandu. Ele pretendia corresponder ao desejo dos membros que queriam lhe mostrar o imponente aspecto do Himalaia, a mais alta montanha do mundo.

Iniciava o crepúsculo e o Himalaia estava envolto por nuvens brancas peroladas. Porém, quando a comitiva de Shin’chi chegou ao local, as nuvens se dissiparam e, por um breve momento, apareceram os picos cobertos de neve como se tivessem levantado o véu. Sob o sol do entardecer, o céu estava levemente rosado e as montanhas se elevavam majestosamente com esplendor.

Shin’ichi pegou sua câmera e tirou muitas fotos.

Logo as montanhas do Himalaia foram envolvidas pelo crepúsculo e uma grande lua prateada surgiu no céu.

Curiosos, cerca de vinte meninos e meninas o observavam à distância. Quando Shin’ichi lhes acenou, eles se aproximaram timidamente. Seus olhos brilhavam como pedras preciosas.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Ilustrações: Kenichiro Uchida

Nota:

1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 387, 2017.

2. The Writings of Nichiren Daishonin [WND], p. 860.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS