ROTANEWS176 16/03/2026 08:50
DO BUDISMO E SOCIEDADE DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
A sabedoria e a capacidade das mulheres para criar a cultura de paz.

Reprodução/Foto-RN176 Desenhos de ilustrativo da matéria
Napoleão Bonaparte (1769–1821) certa vez comentou:
Também me arrependo de não ter conversado mais com as mulheres. Poderia ter aprendido com elas muitas coisas que os homens não ousam dizer para mim. As mulheres, de fato, possuem uma independência peculiar.1
O trecho é extraído da obra Nova Revolução Humana, de autoria do pacifista Daisaku Ikeda, que complementa:
Napoleão pode não ter buscado aprender com as mulheres ou ter deixado de se valer da inteligência e potencialidades femininas. Mas para nosso movimento de revolução pacífica chamado kosen-rufu, voltado para a construção de uma era do povo, a sabedoria e a força das mulheres são absolutamente essenciais.2
É com esse senso de valorização do universo feminino que a Soka Gakkai fundamenta seu avanço ao longo de sua jornada, quase centenária. Vale dizer que, num pós-guerra do Japão, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, decidiu reerguer a organização das cinzas com a pioneira fundação da Divisão Feminina, em junho de 1951. E, no mês seguinte, abriu o futuro glorioso para as jovens também. Ikeda sensei relembrava sempre:
Josei Toda demonstrava carinho por várias dessas mulheres e as incentivava. Ele não afrouxava seus esforços para orientá-las. Se não conseguisse ter a empatia dessas senhoras e nem fazê-las compreender plenamente a prática, nenhuma filosofia ou fé religiosa poderia ser considerada uma força enraizada no povo. A democracia também só se torna sólida por meio das ações e da elevada consciência das mulheres que tenham despertado para ela. Esse era o princípio de Josei Toda.3
Assim a Soka Gakkai seguiu, fazendo com que a sabedoria e a capacidade das mulheres se tornassem a força da cultura de paz.
Recentemente, duas celebrações ocorreram. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, no dia 11 de fevereiro, e o Dia Internacional das Mulheres, no dia 8 de março. São iniciativas instituídas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para reconfirmar a valorização da presença feminina em todos os espaços, bem como a reflexão sobre os desafios contínuos enfrentados por elas na sociedade.
O fato é que elas chegaram a áreas de destaque na ciência, nas artes e nos esportes, entre outros campos de atuação. Independentemente de qualquer posição social, são presenças indispensáveis nos lares. “As mulheres são as criadoras da paz. A força da mulher é indispensável para tornar o século 21 o século da paz, o século da vida e o século da humanidade”, reforça o presidente Ikeda.4
Nesta edição de Budismo e Sociedade, trazemos trechos de suas obras literárias, exemplos citados por ele e outras fontes de inspiração. Acompanhe!
Como o milenar ensinamento do budismo expressa-se contra a desigualdade?
Daisaku Ikeda: Embora Shakyamuni tenha vivido numa época em que as mulheres eram tratadas com cruel desprezo, nunca as discriminou. Ele as admitiu na Ordem, na qual, mesmo após a morte dele, as mulheres continuaram desempenhando papel ativo. Há mais de sete séculos, Nichiren Daishonin expressou-se contra a desigualdade de gênero, acreditando que tanto homens como mulheres possuem nobre missão: “Não deve haver discriminação entre os que propagam os cinco ideogramas do Myoho-renge-kyo nos Últimos Dias da Lei, sejam homens, sejam mulheres”.5 O sistema mais valioso é, sem dúvida, aquele em que homens e mulheres fazem pleno uso de suas características individuais no lar, no local de trabalho e na comunidade, por meio do respeito mútuo e da igualdade.6
Qual é a força das mulheres na construção de uma cultura de paz?
Daisaku Ikeda: Em toda a longa história da humanidade, as mulheres foram as que mais sofreram sempre que a sociedade foi assolada pela guerra, violência, opressão, abuso de direitos humanos, doenças e fome.
São as mulheres que, apesar disso, vieram perseverando para direcionar a sociedade para a o bem, a esperança e a paz. As mulheres detêm a chave para abrir um futuro repleto de esperança, assim como Mahatma Gandhi apontou:
Se por força queremos dizer força bruta, então, realmente a mulher é menos bruta que o homem. Se por força queremos dizer força moral, então, a mulher é imensuravelmente superior ao homem […] Se a não violência é a lei do nosso ser, o futuro depende da mulher.7
(…) Paz não é algo a ser delegado a outros em lugares distantes, mas algo a ser criado dia a dia mediante nossos esforços para cultivar carinho e consideração pelos outros, estreitar laços de amizade e confiança em nossas respectivas comunidades por meio de nossas ações e exemplo.8
O que torna uma pessoa culta?
Daisaku Ikeda: Como podemos caracterizar uma pessoa verdadeiramente culta? A resposta do filósofo suíço Carl Hilty é clara: “Uma pessoa culta é aquela que sempre possui emoção e entusiasmo para todo tipo de ‘bem’”.
Para mim, essas características são próprias das mulheres Soka que se dedicam dia após dia com emoção e entusiasmo em prol do grande bem — a felicidade dos amigos e a paz da sociedade.
São as mulheres Soka que têm o budismo como fonte e dignificam a vida ao máximo, manifestam a sabedoria e vivem em harmonia e com esperança. Elas são “cultas doutoras da felicidade”.9
A voz das mulheres muda o mundo
O diálogo sensível
e sábio das mulheres.
Essa sua força
possui o poder de abrir até mesmo
a espessa porta de ferro do coração.
A voz da justiça das mulheres
faz as pessoas agirem
e segue mudando a era.
Daisaku Ikeda
(Da série “Incentivo das Quatro Estações”, Brasil Seikyo, ed. 2.518, 6 jun. 2020, p. 3)
Mulheres que fazem história
A ciência é de todas
Marie Curie foi a primeira mulher a receber o Prêmio Nobel, sendo também a primeira pessoa e a única mulher a conquistá-lo duas vezes e em dois campos científicos diferentes. Com o exemplo da própria vitória, Marie instilou a convicção e o orgulho no coração das jovens que seguiam seus passos.
Chegar ao espaço
O mundo aplaudiu com entusiasmo a façanha de Valentina Tereshkova, que se tornou a primeira mulher a tripular uma nave espacial. Ela nasceu numa família humilde. Seu pai foi motorista de trator e faleceu no campo de batalha na Segunda Guerra Mundial. Desde a infância, junto com dois irmãos, foi criada pela mãe que trabalhava numa fábrica de tecidos. Ela aprendeu com a mãe a coragem de não sucumbir diante das dificuldades.
Nobel de Literatura
Em 1938, uma mulher se tornou a primeira norte-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura. Ela se chamava Pearl Buck, uma romancista. Dentre suas obras de destaque está A Boa Terra. Também é conhecida como ativista social que lutou contra a discriminação e a violência. Ela dizia: “O segredo da vida e sua satisfação é começar um novo dia com fé e coragem para fazer deste o melhor de todos os dias”.
Leia mais
Matéria “Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência ”, publicada no BS+.
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A trajetória inspiradora de Valentina é contada pelo presidente Ikeda na obra de sua autoria Nova Revolução Humana, v. 8, capítulo “Expansão”.
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Na série Heróis que Superaram Adversidades, publicada na revista Terceira Civilização, ed. 690, fev. 2026, p. 44 .
Notas:
1. GOURGAUD, Gaspard. Saint Hélène: Journal inédit de 1815-1818 [Santa Helena: Jornal Não Publicado entre 1815-1818]. Paris: Ernest Flammarion, 1899. p. 54. Tradução do francês.
2. IKEDA. Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 26, p. 343, ano 2021.
3. Ibidem, v. 5, p. 80, ano 2023.
4. Ibidem, v. 22, p. 211, ano 2019.
5. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 485, 2020.
6. IKEDA. Daisaku. O Princípio Humanístico — Diálogo sobre a Compaixão e a Tolerância. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, ano 149. p. 2023.
7. GANDHI, Mahatma. All Men Are Brothers: Autobiographical Reflections [Todos Somos Irmãos: Reflexões Autobiográficas]. Compilação e edição: Krishna Kripalani. Nova York: Editora Continuum, 2000. p. 148.
8. IKEDA. Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 3: Kosen-rufu e a Paz Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2000, p. 148.
9. Brasil Seikyo, ed. 2.282, 4 jul. 2015, p. B2/B3.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS









