ROTANEWS176 16/03/2026 08:55
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
A segunda visita de Ikeda sensei ao Brasil, em 1966, abriu uma nova era de avanço da BSGI, que enfrentou inúmeros desafios para cumprir sua missão de construir uma sociedade de paz

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda, ao centro, cumprimenta membros da BSGI na recém adquirida Sede da Soka Gakkai da América do Sul durante sua segunda visita ao Brasil (São Paulo, SP, mar. 1966). ele foi; pacifista, filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente era o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional – Foto Brasil Seikyo
A segunda visita do presidente Ikeda ao Brasil, em 1966, foi envolta pelo clima político reinante no país, que ainda sofria as consequências do golpe militar de 1964. O presidente Ikeda chegou ao Rio de Janeiro no dia 10 de março. Neste dia, foi informado por um de seus assessores que estava em São Paulo que a Soka Gakkai era considerada como uma organização política perigosa pelo Departamento de Ordem Política e Social, o extinto Dops.
No dia 11, o presidente Ikeda concedeu uma entrevista a um repórter brasileiro, esclarecendo os reais propósitos da Soka Gakkai (Veja mais na primeira parte deste Especial publicada no Brasil Seikyo, ed. 2.701, 28 fev. 2026).
No dia 13, já em São Paulo, ele participou do Festival Cultural da América do Sul, realizado no Thea-tro Municipal, e de um encontro com os membros no Ginásio de Esportes do Pacaembu. Durante todas as atividades na capital paulista, a comitiva da Soka Gakkai foi acompanhada de perto pelos policiais do Dops.
Durante sua curta estada no país, Ikeda sensei tomou todas as providências para a aquisição de um imóvel no qual desejava estabelecer a sede da BSGI. Alguns meses depois, em 15 de maio de 1966, a sede foi inaugurada. Atualmente nesse imóvel se encontra instalada a Sede Social da Divisão Feminina.
Ritmo de expansão
O período de 1967 a 1969 ficou conhecido como “Anos Dourados da Expansão do Kosen-rufu do Brasil”. Com esse grande movimento de propagação do budismo, o número de famílias da BSGI chegou a cinquenta mil.
Devido a esse crescimento, a partir de 1970 começaram a surgir as sedes regionais, sendo a de Londrina, PR, a primeira delas.
Era natural que, em meio a todo esse empenho, os membros da BSGI nutrissem o forte desejo de receber o presidente Ikeda novamente no Brasil, o que quase chegou a se concretizar em 1974. No entanto, como o cenário político do país havia se agravado, o governo brasileiro negou-lhe a concessão do visto de entrada no país, impedindo sua visita, o que só ocorreria dez anos depois, em 1984.
Sem perder as esperanças, esses pioneiros da organização começaram a propagar os ideais de paz, cultura e educação na sociedade brasileira, com o propósito de construir um mundo mais humano e justo.
Os grandes festivais culturais, como o realizado em Brasília para comemorar seu 15º aniversário, ganham força, marcando toda uma época.
Um outro fato significativo desse período foi a inauguração do Centro Cultural da BSGI, em 24 de agosto de 1977, no qual se encontrava instalada também a sede central.
Consolidar a base
Após 18 anos, em 19 de fevereiro de 1984, o presidente Ikeda retorna ao Brasil e aqui encontra um cenário totalmente diferente das duas primeiras visitas.
A BSGI vive momentos inesquecíveis com a realização do I Festival Cultural-Esportivo da SGI, no dia 26, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. No dia anterior, durante o ensaio geral para o evento, Ikeda sensei surpreendeu a todos ao adentrar o ginásio e saudar os companheiros sob um clima de intensa emoção e decisão. Foram dezoito anos de espera até esse reencontro que se tornou um dos momentos mais memoráveis da história da BSGI.
Visando a impulsionar ainda mais a organização, o presidente Ikeda sugere a fundação da Divisão dos Jovens, atual Juventude Soka, fato que se consolida em 11 de março, poucos dias após sua partida, em 29 de fevereiro.
No ano seguinte, a BSGI comemorou seu Jubileu de Prata. Nessa ocasião, o presidente Ikeda denominou a organização de “Modelo do Kosen-rufu Mundial”.
A partir de 1987, com a criação do nível de comunidade, o ritmo das atividades da organização acelera e as dificuldades de longas distâncias e de locomoção dos membros foram reduzidas.
Com a expansão da organização, surge a necessidade de se construir mais sedes regionais, centros culturais e prédios que comportassem um número maior de pessoas.
O Auditório Presidente Ikeda, inaugurado em 21 de fevereiro de 1987, o Centro Cultural do Rio de Janeiro, inaugurado em 29 de julho de 1989, e o Centro Cultural Campestre, inaugurado em 18 de fevereiro de 1990, foram algumas das edificações que cumpriram esse propósito.
Grandes festivais culturais protagonizados pelos jovens, como o realizado em 1990, são promovidos de forma ampla.
Vitória absoluta
A quarta visita do presidente Ikeda ao Brasil ocorreu em 1993. Foi uma ocasião de grande expectativa, já que se desenrolava a problemática do clero, que teve início no começo da década de 1990. Foi um período marcado por uma grande indignação, em que todos os membros da BSGI empenhavam-se diligentemente pelo triunfo da justiça. Por todos esses esforços, em 1998, o presidente Ikeda denominou a BSGI de “Fonte Inesgotável do Kosen-rufu Mundial”. No final da década, a BSGI conquistou a vitória, retomando o prédio da Sede Social Josho e sendo denominada pelo presidente Ikeda como “Corredora Líder do Mundo”.
A vez dos sucessores
Se em 1974 o presidente Ikeda foi impedido de entrar no Brasil, sua quarta visita foi a grande consumação da vitória. A atuação exemplar dos membros da BSGI gerou uma grande onda de expansão dos ideais de paz, cultura e educação na sociedade brasileira. No campo da cultura, por exemplo, as exposições ganharam força e na área educacional a BSGI desenvolveu importantes projetos embasando-se na teoria de valor do professor Tsunesaburo Makiguchi. Assim, a sociedade brasileira veio reconhecendo os esforços empreendidos pelo presidente Ikeda na liderança do movimento mundial em prol da paz.
Nos poemas A Longa e Distante Correnteza do Amazonas e Brasil, Seja Monarca do Mundo!, dedicados à BSGI, Ikeda sensei eterniza a história do movimento pelo kosen-rufu do Brasil, repleta de lágrimas e sorrisos, desafios e de vitórias. Neste último, ele expressa:
Oh! Meus amigos!
Por mais distantes que estejamos,
nunca estamos separados,
mais próximo está
nosso coração.
Percorramos juntos eternamente,
sublimes companheiros
do kosen-rufu,
pela grande estrada dourada
de paz e felicidade.
“À minha existência, viva!
Sou eu de vitórias mil!”
Levantemos este
brado retumbante
pela glória do
trabalho triunfante.(…)
Que haja saúde em ti, vanguardista do novo milênio!
Que haja vitória em ti, monarca do kosen-rufu mundial!
Que haja perene prosperidade na terra natal do meu coração, Brasil que se ergue soberbo!2
Hoje, os integrantes da BSGI dedicam-se a dar continuidade ao legado construído por Ikeda sensei, perpetuando e propagando seus ideais, de pessoa a pessoa, de geração a geração, numa infindável e grandiosa correnteza de “valores humanos” que se dedicam à felicidade da humanidade.
Fonte:
Terceira Civilização, ed. 458, out. 2006.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 11. 2021. p. 79.
2. Brasil Seikyo, ed. 1.617, 25 ago. 2001, p. A3.
Gratidão que abre caminhos

Reprodução/Foto-RN176 Confraternização da família de Geraldo e Marcia Shirayama, ao centro, que chega à quarta geração de membros da BSGI.
Geraldo Shirayama e sua esposa, Marcia, começaram a praticar o Budismo de Nichiren Daishonin nos anos 1960. Ele, por incentivo de um grande amigo, e ela, seguindo o exemplo do pai, que se convertera algum tempo antes. Dois jovens que enfrentavam inúmeros de-safios como dificuldades financeiras, de saúde e de relacionamento familiar, mas que encontraram, na prática budista, esperança e coragem para construir uma vida de vitórias.
Ambos participaram do Festival Cultural da América do Sul, no Theatro Municipal de São Paulo, SP, durante a segunda visita do presidente Ikeda ao Brasil, em 1966. Geraldo, com 24 anos, fez parte da apresentação da ginástica montada e Marcia, com 19, do coral, num momento que jamais sairia da memória e do coração deles.
Ao término do evento, se dirigiram rapidamente, cada qual em um taxi, para o Ginásio de Esportes do Pacaembu, para participar do encontro dos membros com o Mestre. Antes, na saída do teatro, a surpresa: Geraldo viu Ikeda sensei descendo as escadas acompanhado da comitiva e dos líderes da BSGI. Notou também a presença de um grupo de policiais.
Marcia conta que um dos incentivos de Ikeda sensei durante a visita que ficou profundamente gravado em sua vida foi para recitar muito daimoku e se tornar uma jovem feliz.
Dois anos depois, eles se casaram e, ao longo dos anos, tiveram quatro filhos: Marcelo, Mônica, Gilson e Gláucia. Foram muitos momentos de dificuldades e de comprovação nessa jorna-da. Hoje, a família está na quarta geração de praticantes do budismo com seus integrantes se dedicando às atividades pelo kosen-rufu.
A filha Mônica comenta que a dedicação do Mestre e dos veteranos, como seus pais, é um exemplo para ela. “Com muita gratidão por poder seguir este mesmo caminho, também venho me empenhando, recitando ‘muito mais daimoku’ e incentivando os companheiros”, enfatiza.
A neta Júlia Keiko expressa: “Procuro retribuir ao sensei e aos veteranos me esforçando como integrante da juventude Soka e aluna do Colégio Soka do Brasil para me desenvolver como uma jovem que contribua pela felici-dade das outras pessoas, uma cidadã global que promova o diálogo, a cultura de paz e a criação de valor”.
Relembrando a época da juventude, Geraldo reflete: “As dificuldades que enfrentamos quando éramos jovens, no início da prática, ajudaram a nos tornar mais fortes, a termos garra para ultrapassá-las. Foi um aprimoramento sem igual, pois aprendemos a dedicar pela felicidade das pessoas”.
Márcia manifesta: “Temos imensa boa sorte por orarmos ao Gohonzon e contarmos com os companheiros da família Soka, com quem, unidos, compartilhamos alegrias e superamos dificuldades para estabelecer uma sociedade melhor como dignos discípulos de Ikeda sensei rumo a 2030”.
Geraldo Shirayama é membro do Conselho Consultivo da CGSP e consultor da Sub. Centro-Sul, CNSP. Marcia Kiyoco Shirayama é consultora da Divisão Feminina (DF) da mesma subcoordenadoria. Mônica Nobuco Shirayama Palo é responsável pela DF do Distrito Gumercindo, RM Brasílio Machado. Júlia Keiko Inoue Shirayama é membro da Juventude Soka do Distrito Botânico, RM Saúde.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS









