ROTANEWS176 18/03/2026 10:35
Por Felipe Frazão
BRASÍLIA – O governo dos Estados Unidos enviou ao Brasil uma comitiva de representantes para falar em evento sobre minerais críticos, nesta quarta-feira, 18, em São Paulo, que inclui nomes da Casa Branca e de outros cinco órgãos, com um enviado diretamente vinculado à política de segurança americana e ao presidente Donald Trump.
O principal nome da delegação americana (veja lista completa ao final) é David Copley, assessor especial de Trump no Conselho de Segurança Nacional. Quando promovido à função, no ano passado, ele foi retratado na imprensa americana como o “novo czar” de minerais e cadeia de suprimentos na Casa Branca. O título de “czar dos minerais críticos” também tem sido usado por diplomatas estrangeiros que buscam se aproximar de Copley.

Reprodução/Foto-RN176 Governo Trump faz ofensiva no Brasil por acordo em terras raras Foto: Adobe Stock
Oficial da reserva da Marinha dos EUA, Copley ainda atua como especialista em inteligência e desempenha uma função estratégica na formulação da política de minerais críticos. Ele acumula larga experiência prévia no setor privado, em empresas de mineração, e também no Departamento de Estado.
Copley tem propagado as quatro ações-chave dos EUA no setor: investir em projetos minerais, estocar minerais críticos (inclusive para defesa), proteger as mineradoras (com estabilização de preços) e reconstruir o ecossistema de mineração.
A comitiva foi divulgada pela organização do evento Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos.

Reprodução/Foto-RN176 O czar dos minerais críticos de Trump, David Copley Foto: Divulgação/Departamento de Estado dos Estados Unidos
O encontro vai debater a política americana para minerais críticos e terras raras, os impactos geopolíticos sobre a cadeia de suprimentos global, o desenvolvimento do setor no Brasil, atração de investimentos e apresentação de sete projetos no País.
São eles: Meteoric REE Caldeira Project; Viridis Colossus REE Project; South Star Battery Metals Santa Cruz Project; Brazilian Nickel Piauí Nickel Project; Atlas Lithium Neves Project; Sigma Lithium Grota do Cirilo Project; e St George Mining Araxá Project.
Além do Departamento de Estado, há representantes da própria Casa Branca/Conselho de Segurança Nacional (NSC), do Departamento de Energia, do Banco de Exportação e Importação (EXIM), da Agência de Comércio e Desenvolvimento (USTDA) e da Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional (DFC).
Na última sexta-feira, 13, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou cancelar o visto de um enviado diplomático dos EUA que participaria do fórum, depois de ele ter entrado na lista oficial de visitantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, na cadeia.

Reprodução/Foto-RN176 Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, atuou no setor privado como empresário de mídia e estrategista político e já trabalhou na Casa Branca como redator de discursos Foto: Department of State
O Itamaraty disse que Darren Beattie, assessor sênior para Políticas sobre o Brasil, havia omitido e falseado informações sobre o objetivo de sua visita ao País, quando requisitou o visto diplomático. Ele faz parte do núcleo ideológico no Departamento de Estado e cultiva laços com a família do ex-presidente Bolsonaro.
O Estadão perguntou ao Departamento de Estado sobre os efeitos da cassação do visto de Beattie e sobre quem seria seu substituto, mas não obteve resposta.
Até a semana passada, os organizadores americanos haviam determinado que nada poderia ser acompanhado publicamente. Depois de Beattie ter sido barrado por Lula, agora apenas o painel inaugural terá cobertura de jornalistas previamente credenciados junto ao Consulado dos EUA em São Paulo. Depois da primeira hora, apenas convidados terão acesso às discussões.
O primeiro segmento prevê a participação de Abrão Neto, presidente da Amcham Brazil, Shawn Sullivan, diretor-executivo de Relações Governamentais para a América Latina no Citi, Ana Sanches, presidente do Conselho do Ibram e CEO da Anglo American Brazil, Neil Herrington, vice-presidente sênior para as Américas na Câmara de Comércio dos Estados Unidos e Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil.
O fórum é promovido no País pela Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil, Amcham Brasil, Citi e U.S. Chamber of Commerce, com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
EUA x China
A discussão é parte de uma ofensiva diplomática americana para reagiar à dominância chinesa no setor. A China é o principal detentor e, sobretudo, processador de minerais críticos do mundo e terá um papel central nas próximas décadas, conforme projeções da Agência Internacional de Energia.
Pequim domina o refino de 19 dos 20 minerais críticos listados em estudo da agência Perspectivas Globais para Minerais Críticos 2025: com 44% do cobre, 70% do lítio, 92% das terras raras, 95% do grafite e 99% do gálio.
Como retaliação à guerra comercial com os EUA, Pequim já represou a exportação de minerais críticos, o que afetou a indústria americana, inclusive a base de defesa.
Em fevereiro, os EUA já haviam anunciado o investimento de US$ 565 milhões para extração de terras raras leves e pesadas no Brasil. Os recursos foram aportados na mineradora Serra Verde, em Goiás.
O Brasil é considerado um manancial de recursos, sobretudo das terras raras (segundo maior detentor global de reservas), mas ainda explora pouco e desconhece o potencial completo de seu subsolo. Estima-se que o País abrigue ao menos 23% da reservas globais de terras raras.
Além dos cerca de US$ 600 milhões, do DFC e do EXIM Bank, já destinados a projetos de mineração em andamento, a diplomacia americana afirma que há potencial para chegar a bilhões de dólares. O governo americano entende que o Brasil é um parceiro seguro e confiável.
Embora o governo Lula tenha sido convidado para estar presente na reunião de ministros promovida por Trump, o chanceler Mauro Vieira faltou e a embaixada brasileira mandou apenas um observador, que não aderiu a acordos. O governo Lula rejeitou assumir comprmoissos de exclusividade e/ou fazer parte de alianças com viés político.
O governo americano já disse, desde então, estar disposto a atender demandas do Brasil, como o processamento e refino em território nacional. A reação brasileira foi positiva. Há negociações em andamento com vistas a um possível acordo, que seria anunciado na futura visita de Lula a Washington, ainda sem data certa para ocorrer.
Delegação americana em São Paulo
- David Copley, Assessor Especial do Presidente no Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca
- Gabriel Escobar, Encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA no Brasil
- Brian Whitesides, Diretor Executivo do Escritório de Infraestrutura e Minerais Críticos do DFC
- Brian J. Greeley, Diretor de Operações Bancárias no EXIM
- Mike Kopp, Consultor Sênior sobre Minerais Críticos no Departamento de Energia
- Keith Eischeid, Diretor Regional do USTDA
- Matthew Lowe, Conselheiro Econômico da Embaixada dos EUA no Brasil
FONTE: ESTADÃO










