Amizades de valor 

ROTANEWS176 28/03/2026  10:15

CONEXÃO JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração da matéria

Ser um bom amigo nos faz construir vínculos verdadeiros e é o primeiro passo para expandirmos nossa rede humanística de “valores humanos” pela paz.

Com o aumento dos cursos virtuais e vagas de trabalho remoto, o ambiente digital se torna, cada vez mais, um local de construção de relações de amizade entre os jovens. Mas, por videochamada, pelo chat ou em encontros presenciais, é fundamental cultivar relacionamentos construtivos e saudáveis.

Como ser um bom amigo?

Existem diferentes tipos de amizade. Uns mais superficiais, outros duram a vida toda; uns são curtos e outros mais longos. Independentemente do grau e do tempo dessas relações, o importante é ter a iniciativa de ser sincero, autêntico e prezar cada uma delas.

Verdadeiros amigos compartilham momentos de alegria e de tristeza, seja com um incentivo, seja com um abraço caloroso. Eles têm a coragem de falar, um ao outro, o que é preciso para o crescimento de ambos. A amizade genuína pressupõe compartilhar opiniões em comum e respeitar as diferenças, desenvolver o próprio caráter e manter o companheirismo.

Por outro lado, quando surge um desentendimento com alguém que estimamos, não devemos deixar a mágoa vencer. Darmos o primeiro passo para uma conversa sincera, procurando compreender o coração do outro e exercitando a empatia, é a forma de desenvolver nosso potencial, assim como diz Ikeda sensei em um diálogo com responsáveis pela Divisão dos Estudantes do Japão:

Em japonês, a palavra que designa “ser humano” (ningen) é escrita com dois ideogramas chineses que signifi-cam “pessoa” (nin) e “entre” (gen), expressando a ideia de que os seres humanos somente existem em sua plenitude com o relacionamento entre as pessoas. (…) Os problemas de relacionamento humano são oportunidades para crescerem e amadurecerem. Se não se deixarem derrotar por esses problemas, eles podem fazer com que vocês formem seu caráter. Por isso, é importante que vocês não se isolem. Ninguém pode viver longe dos outros. Viver separado dos outros faz com que cultivem o egoís-mo, e isso não leva a nada.¹

Relacionamentos negativos

Assim como nossos familiares, professores e outras pessoas importantes, os amigos influenciam muito nossa vida. Um bom amigo pode nos apoiar e nos incentivar a vencer desafios em busca dos nossos objetivos, mas se nos deixar influenciar pelas más amizades, podemos tomar atitudes das quais nos arrependeremos no futuro.

No desejo de nos relacionar com outras pessoas, é comum querermos viver experiências novas. Porém, quando isso requer criar algo ruim para nós ou para os outros, ou desrespeitar nossa humanidade, não podemos ceder a essa influência e ir por esse caminho.

Nesse momento, convém ponderarmos e termos a sabedoria para nos afastar de relações destrutivas, uma vez que uma verdadeira amizade é para a felicidade e para o bem-estar de cada indivíduo.

Amizades abrem as portas para a paz

Ikeda sensei visitou Moscou pela primeira vez em setembro de 1974, quando a Rússia ainda era integrante da União Soviética, durante a Guerra Fria. Interrogado na época por que visitaria um país considerado inimigo pelas potências ocidentais (e pelo Japão), o presidente Ikeda respondeu: “Eu estou indo porque existem pessoas lá”.² O Mestre avançou com o sincero desejo de encontrar cada pessoa e expandir a rede do humanismo Soka ao trocar ideias, construir novas amizades e aprender com pessoas do mundo inteiro.

Na Proposta de Paz de 2017, ele comenta o seguinte:

Os laços de amizade proporcionam um alicerce para resistir às correntes de ódio e incitação em momentos de agravamento das tensões entre países ou de conflitos entre tradições religiosas.3

O diálogo é o meio fundamental para estreitar vínculos entre as pessoas. Ao reconhecermos a realidade única de cada indivíduo e estabelecermos conexões baseadas no respeito, fincamos as raízes de uma paz duradoura.

Pessoas felizes

Ao dialogarmos com nossos amigos sobre o Budismo Nichiren, o mais importante é a convicção com que transmitimos os ensinamentos e o genuíno sentimento de conduzir aquela pessoa à felicidade, como o Mestre explica:

Não há ninguém que se converta ao budismo por compreender inteiramente seus princípios filosóficos profundos e abrangentes. Isso ocorreu também comigo quando iniciei a prática aos 19 anos. A maioria das pessoas é movida a aceitar o budismo pela transbordante convicção de quem explicou sobre o ensinamento ou algum de seus princípios como, por exemplo, a “transformação do destino”. Normalmente o “empurrãozinho” para a decisão de abraçar a prática da fé vem, acima de tudo, da confiança que o apresentador inspira e da emoção que se sente por sua sincera preocupação.⁵

Vamos assumir o compromisso de ser bons amigos para as pessoas ao redor, construindo e fortalecendo laços de amizade por meio do diálogo para expandir nossa rede de paz agindo como discípulos do presidente Ikeda.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 1.521, 28 ago. 1999, p. A3.

2. RDez, ed. 186, jun. 2017, p. 6.

3. Terceira Civilização, ed. maio 2017, p. 20.

4. Brasil Seikyo, ed. 2.393, 28 out. 2017, p. A3.

5. Idem, ed. 2.498, 16 jan. 2020, p. 3.

A maior das alegrias

Confira a seguir os relatos de Fábio de Souza Rocha e Ludmilla Ellen Lopes de Souza, os quais ampliaram os laços de amizade com base na prática da fé

Conheci a Ludmilla quando assumi como professor na universidade em que trabalho atualmente. Ela era minha aluna, tornou-se minha estagiária e depois minha orientanda. Ao final dos dias de trabalho, eu sempre dava carona para ela.

Em uma dessas ocasiões, ela compartilhou comigo o que estava vivenciando e eu a incentivei sobre o Nam-myoho-renge-kyo e, durante todo o trajeto, fomos conversando sobre a prática. Posteriormente, ela começou a participar das atividades, nas quais foi muito bem acolhida e encontrou um meio de enfrentar as adversidades recitando daimoku.

Após um tempo, surpreendentemente, em uma das nossas caronas, ela me perguntou se eu a considerava pronta para se converter ao budismo. Dei uma resposta positiva e fiquei muito feliz com a decisão dela. Pouco depois, ela recebeu o Gohonzon.

Meus esforços para realizar o shakubuku começaram com o movimento do Bloco Monarca. Nessa época, chegava a casa cheio de energia e ânimo após as visitas. Desde aquela ocasião, determinei incentivar as pessoas a realizar o shakubuku também e a concretizar uma conver-são por ano. A partir de então, meu objetivo tem sido vencer neste movimento, incentivar os membros e proporcionar um ambiente aco-lhedor para os convidados na localidade. Afinal, se recitar Nam-myoho-renge-kyo é a maior das alegrias, fazer shakubuku é a maior felicidade.

Reprodução/Foto-RN176 Fábio de Souza Rocha

Fábio de Souza Rocha é vice-responsável pela Juventude Soka da Sub. Bahia Norte e integra o Distrito Castelo Branco, RM Salvador, CRE Leste

***

Encontrar o budismo foi um processo inusitado. Na verdade, quando ainda estava no ensino médio, uma pessoa falava comigo sobre a prática, mas acabei não dando muita atenção na época.

Alguns anos depois, já na faculdade, conheci o Fábio. Estava fazendo estágio no escritório internacional da universidade, onde ele coordenava as atividades e também era meu professor. Nesse período da minha vida, encontrava-me perdida e passando por um momento bastante difícil em relação à saúde mental. Nós trabalhávamos juntos havia cerca de dois meses e ele sempre me convidava para participar de uma reunião de budismo.

Um dia, estava me sentindo particularmente mal no trabalho, sozinha no escritório, tentando lidar com meus sentimentos. Quando ele chegou e me viu daquele jeito, convidou-me para uma reunião naquele fim de semana e disse que mudaríamos aquela situação.

Desde esse primeiro encontro, algo mudou em mim. Eu me senti acolhida e conectada, encontrei um espaço onde podia refletir sobre a minha vida. Comecei a participar ativamente das atividades, a fazer daimoku e, aos poucos, fui curando feridas internas que carregava há muito tempo.

Já praticava havia cerca de um mês. Recitava daimoku todos os dias com as meninas do distrito e passei a convidar algumas amigas para participar das atividades. Ao me aprofundar na prática e fortalecer minha determinação, consegui manifestar mais coragem, foco e clareza.

Reprodução /foto-RN176  Ludmilla Ellen Lopes de Souza

Ludmilla Ellen Lopes de Souza é membro da Juventude Soka do Distrito Imbuí, RM Paralela, Sub. Bahia Norte

Depois de um tempo, os líderes da localidade perguntaram se eu não gostaria de receber o Gohonzon. Eu ainda tinha dúvidas e insegurança. Fiz daimoku para compreender o que estava passando. Percebi que o pensamento de não ser “suficiente” era apenas uma limitação que estava criando e entendi que tenho força para enfrentar e transformar minha própria realidade. Quando finalmente me converti, experimentei uma sensação profun-da de acolhimento, aceitação, leveza e esperança para conduzir minha vida. Além disso, venci as barreiras do estudo, apresentei meu trabalho de conclusão de curso (TCC) e tirei nota máxima.

No meu trabalho, sou comunicativa e, em muitos momentos, percebo que naturalmente começo a falar sobre os ensinamentos budistas. Sempre que posso, levo os amigos para conhecer essa prática. Depois de tudo o que vivi e consegui transformar nesse período, compartilhar essa experiência com outras pessoas se tornou algo espontâneo para mim.

Ter o apoio de pessoas como o Fábio, que acreditou em mim quando eu não era capaz, foi fundamental para eu transformar minha condição de vida. Com o apoio delas e por meio da prática, hoje reconheço meu próprio valor e acredito no meu potencial. Imbuída dessa certeza, enxergo a vida de forma esperançosa, tomo decisões com coragem, respeitando a mim e incentivando as pessoas ao meu redor.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS