ROTANEWS176 11/04/2026 09:10
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO
Ao avançar convicto da vitória sobre os infortúnios, Adeilton comprova a força do budismo em sua “refrescante primavera da vida”.

Reprodução/Foto-RN176 Adeilton feliz também com a família harmoniosa que construiu e o reconhecimento da sociedade: “O budismo nos ensina como vencer na vida” – Foto: Arquivo pessoal
Quando o baiano Adeilton Costa recebeu a homenagem de personalidade negra que faz a diferença, um filme passou em sua mente. Isso foi em dezembro último, no auditório da Câmara de Vereadores de Salvador, na Bahia, junto com algumas autoridades reconhecidas por seu conjunto de obra. A primeira lembrança dele veio de uma das frases célebres ditas no século 13 pelo buda Nichiren Daishonin: “O inverno nunca falha em se tornar primavera”.1
“Essa foi uma das primeiras frases que aprendi na Soka Gakkai e, prestes a completar quarenta anos de prática budista, comprovei o poder do Nam-myoho-renge-kyo, que me deu forças para vencer os invernos da vida”, emociona-se Adeilton, 60 anos.
Com alegria de sobra, é dono de um currículo que inclui as profissões de ator, professor, especialista em educação inclusiva e em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Há mais de vinte anos atua como gestor de escola pública estadual.
“Hoje, sou detentor de vários títulos e de uma condição digna de vida, mas nem sempre foi assim”, afirma, relembrando o início da prática, em 1986, alguns anos após cumprir o serviço militar na Marinha do Brasil. Jovem católico praticante e com uma família evangélica, convivia com a desarmonia familiar e os constantes episódios de violência doméstica contra a mãe, o que gerava muita revolta. “Era muito sofrimento, eu pensava… religião é para isso? Buscava culpados”.
Livre para ser feliz
Foi por intermédio de um amigo que se viu numa reunião de palestra da Soka Gakkai. “Ele nem tinha me dito que era budista e do que se tratava o encontro, mas, chegando lá, senti uma emoção muito grande ao ouvir o Nam-myoho-renge-kyo e o ambiente acolhedor no qual fui recebido. Nesse primeiro dia, já senti que o sofrimento era consequência das minhas próprias causas e que a felicidade é uma conquista possível. Queria isso para mim”, fortalece Adeilton, para quem a primeira grande vitória foi não ser mais atingido pelo pai, que o humilhava, chamando-o de “valentão”.
Após uma discussão grave que quase culminou numa tragédia, orientado pelo seu líder dos jovens, Adeilton teve a coragem de olhar nos olhos do pai e pedir perdão pela primeira vez. “Ali foi a virada de chave! Meu pai passou a me tratar de forma totalmente diferente e carinhosa, chegando a afirmar que, de toda família, eu era o único com quem ele conseguia dialogar. Ele faleceu faz dois anos, aos 97 anos, e nossa relação era como deve ser a de pai e filho”, diz, com evidente emoção, Adeilton, que também conquistou o apoio da mãe. “Essa transformação na minha vida foi crucial para eu ter plena convicção da grandiosidade da prática da fé.”
Educação como escolha
Adeilton avançou em sua jornada, agora “dono do meu destino”. Envolveu-se nas atividades da organização e também lançou olhar sobre o campo profissional dos sonhos: a educação. Das imensas dificuldades financeiras para concluir a faculdade, a boa sorte manifestou-se em todos os momentos cruciais.
“Foi o caos, mas eu não deixei de praticar firmemente, de participar das atividades, de realizar visitas, de fazer Kofu, mesmo voltando da faculdade por vezes caminhando quilômetros recitando daimoku. E dizia para mim: ‘Sou discípulo de Nichiren e não vou ser derrotado!’”, afirma Adeilton ao se lembrar dos “invernos” dessa graduação, que lhe permitiram fortalecer a convicção e avançar. Para se tornar gestor humanístico, inspirado na trajetória dos Mestres Soka, hoje é mestrando em ciências da educação e também integra a Academia de Cultura da Bahia.
“E aquele jovem que foi tantas vezes a pé para faculdade é o mesmo que fez mestrado em outro país e sem dificuldades financeiras para viajar”, ressalta Adeilton, feliz também com as conquistas da compra de apartamento “novinho em folha” e da doação que fará de seu outro imóvel ao filho.
Gratidão é ação
Na evolução conquistada de um jovem sem esperança a alguém com voz e assento na realidade social de sua cidade, Adeilton empenha-se em inspirar as pessoas à prática budista. “Oro para poder servir de inspiração aos que sofrem, aos “Adeilton que fui um dia”, e oferecer um caminho para que também transformem seus invernos, pois essa prática não nos permite fracassar em nada na vida”, reforça, alegre com o novo Centro Cultural de Salvador, que está em reforma para abrir suas portas em breve e “Expandir essa filosofia da esperança a todos. Quanta gratidão!”.

Reprodução/Foto-RN176 Foto de destaque da matéria – Foto: Arquivo pessoal
Ao agradecer ao mestre da vida, Daisaku lkeda, e a cada companheiro de luta na Soka Gakkai, Adeilton homenageia, em especial, o grande amigo e companheiro Mário Máximo da Silva (em memória). Ele finaliza: “Não tenho palavras para expressar minha mais profunda gratidão, convicto de que meu inverno se transformou numa florida e refrescante primavera. E, não importando o que possa ocorrer, tenho o mestre da vida, o Gosho e os companheiros Soka. Que alegria poderia ser maior que essa? Muito obrigado. Contem comigo, sempre!”
Adeilton Costa, vice-responsável pelo Distrito Liberdade, RM Salvador Oeste, Sub. Bahia, CRE Leste.
Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 559, 2020.
Fotos: Arquivo pessoal
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS









