2-VÍDEOS: NA ÍNTEGRA DEPOIS DA NÃO ACEITAÇÃO DOS SENADORES!
ROTANEWS176 29/04/2026 19:26
Por Henrique Rodrigues
No plenário, 42 senadores votaram contra a indicação e 34 foram favoráveis. Horas antes, a CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) do Senado havia aprovado a indicação por 16 votos a 11.

Reprodução/Foto-RN176 1ª vez em 132 anos: Messias é reprovado pelo Senado e não irá compor o STF
O silêncio que se abateu sobre o plenário do Senado Federal na noite desta quarta-feira, 29 de abril de 2026, foi interrompido apenas pelo som mecânico do painel eletrônico. Quando os números finais foram consolidados, a Praça dos Três Poderes testemunhou um evento que a República brasileira acreditava ter enterrado nos livros de história: o Senado disse “não”. Com um placar de 34 votos favoráveis e 42 contrários, Jorge Messias tornou-se o primeiro indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a ser rejeitado pelo Poder Legislativo em 132 anos.
A derrota, para alguns humilhante, do atual advogado-geral da União (AGU) não representa apenas um revés pessoal para o jurista ou uma perda política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; ela fratura uma tradição de conformidade que perdurava desde 1894. O resultado expõe uma crise de articulação sem precedentes no Palácio do Planalto e marca o auge de uma resistência institucional que transformou a indicação de Messias na batalha mais árdua e trabalhosa da história contemporânea do país.
O fantasma de Floriano Peixoto no século XXI
Para encontrar um paralelo ao que ocorreu hoje com Jorge Messias, é preciso recuar ao Brasil de 1894, quando o país ainda engatinhava sob o regime republicano e o “Marechal de Ferro”, Floriano Peixoto, tentava dobrar os demais poderes à sua vontade. Naquela época, o Senado exerceu sua força de veto de forma implacável, rejeitando cinco nomes em sequência. O caso mais icônico foi o do médico Cândido Barata Ribeiro, que chegou a exercer o cargo por dez meses antes de ser barrado pelos senadores, que entenderam que seu “notável saber” era medicinal, e não jurídico.
Desde então, o rito de passagem para o STF havia se tornado quase protocolar. Mesmo em períodos de alta tensão, como nas aprovações de André Mendonça (2021) — que enfrentou um “gelo” de quatro meses — ou de Flávio Dino (2023), o Senado jamais ousou cruzar a linha da rejeição total. Messias, no entanto, resgatou esse fantasma histórico. Sua queda no plenário encerra um ciclo de 132 anos de “sim” e prova que, no atual cenário político brasileiro, a elasticidade da política encontrou o seu limite de ruptura.
Uma maratona de hostilidades e perguntas ideológicas
A caminhada de Jorge Messias até o fatídico plenário foi uma via-crucis marcada por adiamentos estratégicos e uma “fritura” pública que durou quase um ano. Desde que seu nome começou a ventilar como sucessor de Luís Roberto Barroso, a oposição de extrema direita e o partido Novo transformaram a indicação em um “terceiro turno” eleitoral. A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que durou mais de oito horas, foi o prelúdio do que viria a ser o desastre no plenário.
Durante a sessão, Messias foi submetido a uma enxurrada de perguntas de cunho meramente ideológico e, em muitos momentos, classificadas por observadores como “cretinas”. Parlamentares bolsonaristas utilizaram o tempo de fala para alimentar bolhas radicalizadas, focando em teses conspiratórias e na sombra de áudios de 2016, ignorando a carreira consolidada do jurista como procurador da Fazenda Nacional. O esforço de Messias em manter a calma e a paciência técnica não foi suficiente para aplacar o desejo de revanchismo político que tomou conta das bancadas oposicionistas.
A articulação falha e o “trairômetro” do plenário
Diferente de seus antecessores imediatos, Messias enfrentou um cenário de incertezas que o governo Lula não conseguiu mitigar. A negociação por votos foi descrita por articuladores como “leilão” político de última hora, onde o chamado “Centrão”, liderado por figuras como Ciro Nogueira, cobrou faturas altíssimas em emendas e espaços no governo que o Planalto não pôde ou não quis liquidar integralmente. Além disso, a oposição velada e a resistência do presidente do Senado ao nome de Messias criaram um vácuo de apoio essencial.

RN176 Jorge Rodrigo Araújo Messias, advogado-geral da União no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. É membro de carreira da Advocacia-Geral da União, no cargo de procurador da Fazenda Nacional, desde 2007.
Embora o governo afirmasse ter no papel entre 44 e 48 votos, a votação secreta revelou a força do “trairômetro”. Ao menos seis senadores que haviam garantido apoio ao indicado mudaram de posição no anonimato da cabine. Três motivos principais consolidaram a rejeição: a pressão da extrema direita, que personificou em Messias o “ativismo judicial”; a cobrança agressiva do bloco independente por cargos; e o discurso de que Messias seria puramente um “homem de confiança” do Executivo, o que foi usado, assim como no caso de Barata Ribeiro em 1894, para questionar, de forma distorcida, seu notável saber jurídico.
O impacto político de uma reprovação histórica
O resultado desta noite coloca o governo Lula em uma posição defensiva e extremamente desconfortável. Ao ver sua terceira indicação no terceiro mandato ser derrubada, o presidente perde a aura de invencibilidade parlamentar e é forçado a recomeçar do zero um processo de escolha que já desgastou suas relações com o Congresso. A rejeição de Messias é um sinal claro de que o Senado retomou para si o papel de “filtro rigoroso”, deixando de lado a tradição de carimbar as escolhas presidenciais.
Para o STF, a vacância da cadeira de Barroso continua, mantendo a Corte sob pressão e com um desequilíbrio em seus colegiados. O episódio deixa claro que o “notável saber jurídico” e a “reputação ilibada”, embora presentes no currículo de Messias, tornaram-se secundários diante da polarização que divide o país. Jorge Messias entra para a história não como ministro, mas como o símbolo de uma era em que o consenso institucional foi substituído pelo veto absoluto.
A partir de amanhã, o Brasil acorda com um novo paradigma jurídico. O fantasma de Floriano Peixoto, que parecia uma curiosidade de um século distante, agora caminha novamente pelos corredores de Brasília, lembrando a todos os futuros indicados que o caminho para o Supremo Tribunal Federal nunca foi tão íngreme, tão incerto e, agora, tão passível de um “não” definitivo.
RN176; Assista aos 2 vídeos, o primeiro vídeo em que o deputado federal Nikolas Ferreira faz um alerta sobre a não votação dos senadores a não votar no candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jorge Rodrigo Araújo Messias, para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) deixada, por então Luís Roberto Barroso, sendo ministro do Supremo Tribunal Federal de 2013 a 2025, deixando o STF em 9 de outubro de 2025 ao se aposentar. O segundo e último é dos deputados e senadores comemorando, no plenário do Senado, a derrota do presidente Lula e do seu indicado para assumir a cadeira no Supremo Tribunal Federal. Deixe a sua conclusão sobre essa não escolha dos senadores!
FONTES: REVISTA FÓRUM, ITANHAEM, FOLHA POLÍTICA E RN176










