Como o mercado reagiu à rejeição de Jorge Messias ao STF: Ibovespa sobe e dólar cai com leitura política

ROTANEWS176 30/04/2026 10:52

Por Camila Pati

Reprodução/Foto-RN176 Como o Mercado Reagiu À Rejeição de Jorge Messias Ao Stf: Ibovespa Sobe e Dólar Cai com Leitura Política

A rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal por 42 votos a 34 no Senado, nesta quarta-feira (29), teve efeito no mercado financeiro. Na tarde desta quinta-feira, (30), o Ibovespa, às 14h50, subia 1,31%, aos 187.167 pontos e o dólar era negociado a 4,96 reais , um recuo de 0,72%.

Na leitura de agentes do mercado financeiro, a decisão de barrar o advogado-geral da União na Corte influencia a alta do Ibovespa e queda do dólar. O movimento do mercado reflete nesta quinta-feira, entre outros fatores externos e domésticos, o recado político por trás da votação.

Para a aprovação de Messias no STF, eram necessários 41 votos. O governo contava com cerca de 45 apoios, enquanto a oposição falava em ao menos 30 contrários. A votação secreta manteve o resultado em aberto até o fim.

Na avaliação de Wellington Depaoli, especialista de alocação da Manchester, assessoria de investimentos, o episódio expõe dificuldade do Planalto na articulação com o Senado.

“A rejeição fala mais sobre a fragilidade da articulação política do governo do que sobre o nome indicado”, afirma. “O que se viu foi uma disputa de influência entre Senado e Planalto.”

Segundo ele, o mercado olha para o sinal. “A leitura não está na votação em si, mas no equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo.”

Nesse contexto, a reação dos ativos ganha explicação. “A alta da bolsa e a queda do dólar refletem, em parte, a percepção de um governo mais limitado e de maior chance de contenção na agenda fiscal”, diz.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da assessoria Veedha Investimentos, pondera que o movimento recente da bolsa não é explicado apenas pelo cenário político.

“O mercado vinha de um topo recente e entrou em realização. É um ajuste técnico, com alguns fatores que pressionaram nos últimos dias”, afirma.

Entre eles, a volta da tensão no petróleo, que voltou a superar US$ 100, reacendendo preocupações com inflação global e reduzindo o espaço para cortes de juros.

“Isso deixa os ativos de risco mais sensíveis. Também houve uma realocação global, com saída de tecnologia e entrada em emergentes, o que beneficiou o Brasil”, diz.

Agora, parte desse fluxo começa a se inverter. No curto prazo, sinais de possível negociação envolvendo o Estreito de Ormuz ajudaram a melhorar o humor externo. No cenário doméstico, porém, a derrota do governo ganhou peso.

“A leitura é de que o governo perde força e o Congresso ganha protagonismo”, afirma Moliterno. “Isso aumenta a expectativa de alternância de poder.” Apesar da reação positiva, ele ressalta que o movimento ainda é tático. “O mercado está mais em uma correção técnica do que em uma mudança estrutural.”

FONTE: FORBES BRASIL