ROTANEWS176 08/05/2026 10:49
Por Raony Salvador

Reprodução/Foto-RN176 Nem quatro, nem cinco: essa é a quantidade exata de buracos no corpo humano
À primeira vista, a pergunta parece simples: quantos orifícios tem o corpo humano? A resposta, no entanto, depende menos da anatomia e mais da definição de “buraco”. É aí que a matemática, especialmente a topologia, entra em cena para desmontar o senso comum.
Matematicamente, um orifício não é apenas uma abertura visível, mas um canal que atravessa completamente uma estrutura, ligando uma extremidade à outra. É a mesma lógica que faz com que um donut e um canudo sejam considerados objetos com um único furo, enquanto uma bola sólida não tem nenhum.
Quando esse critério é aplicado ao corpo humano, muitas aberturas óbvias deixam de contar. Poros da pele, por exemplo, não atravessam o corpo; são cavidades fechadas. O mesmo vale para a uretra, os canais auditivos, os ductos mamários e diversas estruturas internas que terminam em tecidos ou membranas.
O que realmente conta como orifício
Sob essa lógica, entram na contagem apenas os canais que permitem uma conexão completa entre duas saídas. É o caso da boca e do ânus, que formam um único sistema contínuo, além das narinas, que se conectam internamente à cavidade nasal. Outro conjunto menos conhecido são os canais lacrimais, responsáveis por drenar lágrimas dos olhos para o nariz. Cada pessoa tem quatro deles.
Mesmo assim, o número final não corresponde automaticamente à soma das aberturas. Quando canais se conectam internamente, eles podem formar um único orifício topológico, e não vários. Por isso, apesar de o corpo humano ter diversas entradas e saídas, a matemática indica que ele possui sete orifícios distintos.
Há, porém, uma exceção possível. No sistema reprodutivo feminino, a vagina se conecta ao útero e às trompas de Falópio, que têm extremidades abertas próximas aos ovários. Estudos mostram que existe comunicação entre essas estruturas, o que permitiria a passagem contínua por esse sistema. Nesse caso, o total pode chegar a oito orifícios.
No fim das contas, a resposta não é apenas numérica. Ela revela como o corpo humano é menos “furado” do que parece e como a matemática oferece uma lente curiosa para reinterpretar algo tão cotidiano quanto a própria anatomia.
FONTE: REVISTA FÓRUM










