Ter a coragem do rei leão                                 

ROTANEWS176 09/05/2026 08:00

CADERNO NOVA REVOLUÇÃO HUMANA  

Por Ho Goku

Capítulo “Juramento Seigan”, volume 30

Reprodução/Foto-RN176 Ilustrações: Kenichiro Uchida

Parte 129

Ao som de trombetas, Shin’ichi Yamamoto entrou no recinto junto com a reitora e demais autoridades, e iniciou-se a cerimônia de formatura da Universidade de Sydney em Singapura.

A reitora Leonie Kramer e a vice-reitora Judith Kinnear dessa universidade eram renomadas educadoras. Em particular, as diversas ações da reitora em prol da sociedade eram altamente respeitadas, e ela havia sido escolhida como pessoa de valor nacional da Austrália.

A vice-reitora leu a justificativa da proposta e a reitora entregou o certificado de doutor honoris causa a Shin’ichi.

Na sequência, passou à entrega do diploma aos 45 graduados. Quando o nome era chamado, cada graduado se dirigia à frente da reitora para receber o certificado. A reitora proferia calorosas palavras para cada aluno: “Qual será seu próximo desafio?”; “Por favor, dedique-se a contribuir positivamente para a sociedade!”; “O importante é avançar prazerosamente!”.

Era uma cena comovente que lembrava uma mãe encorajando os filhos com afeto. Shin’ichi sentiu o grande poder da educação quando envolvida por um rico amor.

Em seu discurso de agradecimento, ele compartilhou as palavras do fundador da educação Soka, Tsunesaburo Makiguchi, que em sua obra Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], publicada em 1903, usou o exemplo de sua jaqueta feita de lã australiana para ilustrar o fato de que a vida de qualquer um está intimamente relacionada com o esforço de inúmeras pessoas do mundo. Ele também falou da morte de Makiguchi na prisão como consequência das perseguições por parte das autoridades militaristas japonesas na época da Segunda Guerra Mundial.

Shin’ichi afirmou ainda:

— Numa época em que a ideo­logia do imperialismo estava no auge, o presidente Makiguchi logo despertou para a natureza de interdependência global. Ele defendeu a filosofia de coexistência humana, de prosperidade de si próprio junto com a de outras pessoas por meio da contribuição altruística.

Ele também sustentou fortemente a importância de se empenhar para encerrar o período de hard power, em que se busca o domínio por meio de forças militares, políticas e econômicas, e iniciar o soft power, embasado na cultura, na espiritualidade e no caráter, capaz de inspirar um esforço mútuo em direção à excelência e à realização humanística.

Shin’ichi acreditava que o século 21 deveria ser uma época de coexistência humana, de prosperidade de si e de outros com base no humanismo e na profunda consideração pelas pessoas.

Parte 130

No dia 25 de novembro, Shin’ichi Yamamoto visitou a Escola de Educação Infantil Soka de Singapura. Era sua segunda visita àquela escola de educação infantil, porém a primeira no novo prédio localizado em Tampines.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração da matéria Ilustrações: Kenichiro Uchida

Duas crianças representantes entregaram um buquê de flores a Shin’ichi e à sua esposa, Mineko. Ele cumprimentou cada criança com um aperto de mãos, dizendo-lhes: “Obrigado!”. Algumas crianças manifestavam incontida alegria, enquanto outras se mostravam tímidas.

— Estou muito feliz em conhecer todas vocês — disse Shin’ichi.

— Ontem vi o álbum com os desenhos de vocês. Todos ficaram muito bons! — elogiou.

As crianças apresentaram, então, um gracioso coral cantando em japonês. Elas cantaram vibrantemente, balançando o pequeno corpo um ao lado do outro. Shin’ichi acompanhou o ritmo da música batendo palmas.

— O japonês de vocês é ótimo — disse Shin’ichi.

As crianças irradiavam orgulho.

A diretora da escola de educa­ção infantil que observava essa cena comentou mais tarde:

— Percebi que a expressão das crianças mudou repentinamente. Elas pareciam tão felizes por receberem tanto carinho e afeto.

Nas dependências internas da instituição foram afixados cartões com mensagens das crianças em inglês: “Senseiestá construindo a paz mundial. Por isso, quero me tornar um piloto e conduzir as pessoas para diversos países”. “Sensei está trabalhando demais. Muito obrigado. Para que possa corresponder ao carinho do sensei, também vou me esforçar ao máximo nos estudos”.

Shin’ichi disse a Mineko:

— Que gratificante! O século 21 é bastante esperançoso.

Ele visualizava um arco-íris de esperança ligando o futuro.

Depois de visitar a escola de educação infantil, Shin’ichi e comitiva foram para a sede da SGI-Singapura. Era sua primeira visita, e lá ele participou de uma reunião geral comemorativa dos quarenta anos do movimento da SGI pelo kosen-rufu mundial.

Citando as palavras de Nichiren Daishonin — “Somente os sete ideogramas do Nam-myoho-renge-kyo são a semente para se tornar buda”1 — ele afirmou:

— Aconteça o que acontecer, deve manter a fé no Gohonzon e continuar recitando daimoku. Compartilhe todas as alegrias e sofrimentos com o Gohonzon, como se fosse com sua mãe ou com seu pai. Compartilhe inteiramente seu coração. Com certeza o Gohonzon o entenderá em tudo.

Parte 131

Em 26 de novembro, Shin’ichi Yamamoto participou da Conferência Executiva Conjunta de Singapura e da Austrália. Na ocasião, observando que o nome Singapura significava “Cidade do Leão”, discorreu sobre o leão exposto no budismo.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustrativo da matéria Ilustrações: Kenichiro Uchida

— No budismo, Buda é chamado “leão” e seus ensinamentos são denominados “rugido do leão”. Nichiren Daishonin ensinou que a palavra “leão” contém o significado de “mestre e discípulo”.2O Sutra do Lótus elucida que, quando se vive junto com o Buda, que é o mestre, todos os indivíduos, que são os discípulos, podem atingir a mesma elevada condição de vida do mestre.

Mesmo em assuntos não budistas, a relação de mestre e discípulo é privilégio dos seres humanos, e imbuída de alta espiritualidade. Essa relação de mestre e discípulo é encontrada onde quer que as pessoas busquem sua própria excelência, seja no mundo das artes, da educação ou de alguma técnica profissional especializada.

Shin’ichi enfatizou aos jovens presentes:

— Possuir um mestre da vida corresponde a ter um modelo para o seu modo de viver. Em particular, não há nada tão maravilhoso quanto o mestre e o discípulo viverem juntos pelo grandioso ideal da paz e da felicidade da humanidade. Essa luta conjunta de unicidade de mestre e discípulo é a linha vital para eternizar o movimento pelo kosen-rufu. Tornar ou não a correnteza do kosen-rufu um caudaloso rio a beneficiar o mundo pelos 10 mil anos dos Últimos Dias da Lei depende inteiramente dos discípulos sucessores.

Toda sensei costumava dizer: “Se Shin’ichi estiver aqui, não há com que se preocupar!” e “Fico tranquilo se você estiver aqui!”. Agora, eu também estou plenamente convicto de que, enquanto cada um de vocês estiver trilhando o caminho do leão, de mestre e discípulo, o kosenrufu mundial será sólido e seguro.

E ainda, citando as palavras de Daishonin “Cada um dos senhores deve reunir a coragem do rei leão e jamais sucumbir às ameaças de ninguém”,3 Shin’ichi enfatizou que o coração do rei leão nada mais é que a coragem:

— Coragem é algo que todos possuem, é a chave para abrir a porta do inesgotável tesouro chamado “felicidade”. Porém, a maioria das pessoas veda essa porta e acaba vagando pelas ondas da ilusão, da fraqueza e da covardia. Espero que todos vocês manifestem a coragem e aniquilem a covardia do coração. Aí se encontra a principal causa para conquistar a vitória na vida.

O futuro pertence aos jovens, por isso mesmo eles possuem a responsabilidade de crescer como reis leões para proteger as pes­soas do povo.

Parte 132

No entardecer do dia 27 de novembro, a comitiva de Shin’ichi Yamamoto partiu de Singapura e chegou ao Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, capital da Malásia. Era a segunda visita de Shin’ichi a esse país, a qual se realizava depois de doze anos.

Nesses doze anos, tanto a sociedade malaia quanto a SGI-Malásia tiveram um notável desenvolvimento. Em Kuala Lumpur, ergueram-se muitos edifícios, arranha-céus e, em particular, as torres gêmeas Petronas, construídas em 1998, que na época eram os prédios mais altos do mundo.

O número de instalações da Soka Gakkai também cresceu, e na região central de Kuala Lumpur avançava a construção do novo Centro Cultural da SGI-Malásia, um edifício de doze andares com a conclusão prevista para o ano 2001. Além disso, já estava programado o término da instalação de maravilhosos centros culturais locais, alcançando doze dos treze estados que compõem a Malásia.

Em 29 de novembro, Shin’ichi recebeu o título de doutor honoris causa em literatura pela Universidade Putra Malásia, a maior do país, em uma sessão solene em sua homenagem. A cerimônia foi transbordante de amizade e de sinceridade.

O motivo da indicação foi lido pela educadora Kamariah Abu Bakar, diretora da Faculdade de Estudos Educacionais. Desejando expressar completamente seus sentimentos, ela inseriu um poema de sua autoria em suas palavras. De repente, ela começou a falar em japonês, deixando o malaio:

— Sensei, o senhor é uma pessoa extraordinária! Que seu sonho de paz mundial seja concretizado!

Preocupando-se que, ao discursar inteiramente em malaio, ela não conseguiria transmitir seu real sentimento, disse que aprendeu, especialmente para a ocasião, a língua japonesa a fim de que pudesse concluir sua fala diretamente em japonês.

O certificado de doutor honoris causa foi entregue a Shin’ichi pelas mãos do reitor da Universidade Putra Malásia, o governador do estado de Penang, Haji Hamdan Bin Sheikh Tahir. Em suas palavras de agradecimento, Shin’ichi disse:

— O diálogo sincero embasado na verdadeira amizade é capaz de romper todos os tipos de barreiras de divisão, superando as diferenças étnicas, as fronteiras entre países e os interesses. É da máxima importância avançar pelo caminho da tolerância, da coexistência e da criatividade, de mãos dadas, respei­tando mutuamente a diversidade e trazendo o melhor dessa multiplicidade. Em particular, a amizade criada pela educação é a mais poderosa ao proteger a paz e a felicidade.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Notas:

1. The Writings of Nichiren Daishonin[Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 804.

2. Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Nichiren Daishonin afirma: “…o rugido do leão [shishi ku] é a pregação do Buda que corresponde à pregação do Sutra do Lótus, ou seja, do Nam-myoho-renge-kyo. O primeiro shi [que significa “mestre”] refere-se à Lei Mística, que é transmitida pelo mestre. O segundo shi [que significa “filho”] refere-se à Lei Mística tal como recebida pelo discípulo. E ku [que significa “rugido”] indica o som da recitação conjunta de mestre e discípulo…” (The Record of the Orally Transmitted Teachings [Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente]. Tradução: Burton Watson. Tóquio: Soka Gakkai, p. 111).

3. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 263, 2017.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS