ROTANEWS176 09/05/2026 08:30
BUDISMO E SOCIEDADE DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Nuanças da riqueza cultural que habita o coração das pessoas e eleva o humanismo.

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria
A cultura pertence à humanidade e transcende fronteiras. A par dos conflitos políticos e ideológicos que pairam sobre o mundo, o budismo defende que o reconhecimento do respeito e do valor único de cada indivíduo é o que edificará uma nova era de paz. A analogia da floração das árvores de cerejeira, ameixeira, pessegueiro e damasqueiro é empregada em ensinamentos milenares, com cada qual desabrochando e frutificando à sua maneira, para expressar o valor da diversidade. Em outras palavras, cada ser vivo tem caráter, individualidade e propósito distintos neste mundo, pontua o pacifista Dr. Daisaku Ikeda (1928–2023), presidente eterno da Soka Gakkai Internacional (SGI).
Ao nos apresentar essa sábia analogia da natureza, ele elucida o correto modo de vida:
Assim, as pessoas deveriam desenvolver suas capacidades únicas enquanto trabalham para construir um mundo de cooperação, em que todas as pessoas reconheçam tanto suas diferenças como sua igualdade fundamental, um mundo em que se estimule rica diversidade de pessoas e culturas, cada qual desfrutando respeito e harmonia.1
A Humanidade e o Novo Milênio: do Caos para o Cosmos é o título da Proposta de Paz de 1998 do Dr. Daisaku Ikeda enviada à Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse documento, ele já reforçava a importância da diversidade cultural, utilizando o exemplo singular da natureza. Ele posiciona a educação, o diálogo e o fortalecimento do potencial humano, a arte e a cultura, como as chaves para superar as crises da humanidade e construir uma civilização global pautada na dignidade da vida.
Ao longo de setenta anos de vida pública, foram quarenta propostas anuais apresentadas por ele, verdadeiras teses de sabedoria à frente do tempo. Decorridos quatro anos da proposta encaminhada em 1998, foi declarada pela Assembleia Geral das Nações Unidas o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, celebrado a partir de então todo dia 21 de maio. Foi um ano após a aprovação pela Unesco da Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural de 2001, que reconhece a necessidade de se “aumentar o potencial da cultura como meio de alcançar prosperidade, desenvolvimento sustentável e coexistência pacífica mundial”.2
“Estou determinado a fazer dos intercâmbios culturais minha prioridade máxima e a promover genuínos laços de amizade no âmbito das pessoas comuns da sociedade, com o intuito de construir uma base eterna e inabalável para a paz.”3 Essa foi a convicção que motivou o Dr. Ikeda a erigir castelos da educação e da cultura, com a fundação da Associação de Concertos Min-On, em 1963, quando não parecia haver saída para o conflito da Guerra Fria; ao decidir se tornar fiador dos seis primeiros alunos chineses a estudar na Universidade Soka do Japão, em 1975; e a criar outras instituições como o Museu de Arte Fuji de Tóquio, berço da arte sem fronteiras.
Trazemos, nesta edição de Budismo e Sociedade, a visão e o pensamento do presidente Ikeda, com respostas que elevam não apenas a celebração da riqueza das culturas do mundo, mas a importância do diálogo e da aproximação de um coração ao outro, com respeito e dignidade. Acompanhe!
O que move a história humana?
Daisaku Ikeda: Pode ser difícil discernir o poder da cultura, mas ela é a força que ilumina as profundezas mais recônditas do coração das pessoas, extrai sua sabedoria e criatividade e molda as profundas correntes subjacentes que, contínua e seguramente, moverão a história humana em direção à paz e à prosperidade de todos. Revitalizar o valor da cultura e promover amplamente o intercâmbio cultural no âmbito popular é o caminho direto para fortalecer o ímpeto para a paz mundial.4
O “diferente” contribui para a cidadania global?
Daisaku Ikeda: Se povos de diferentes tradições culturais estiverem dispostos a dispensar tempo e energia para construir laços duradouros de tolerância, em vez de ceder à tentação de dominar e influenciar forçadamente os outros, a natureza da cultura enriquecerá a humanidade por meio da interação, e as diferenças darão origem a novos valores.5
Qual é o poder dos intercâmbios culturais?
Daisaku Ikeda: A quem pertence a cultura? Para quem ela existe? Para as pessoas, para todas as pessoas. Por mais esplêndidas que as obras de arte ou a cultura possam parecer, se desrespeitarem esse ponto essencial, elas não perdurarão, assim como castelos de areia.
De modo semelhante, a amizade entre nações, em última análise, começa com as pessoas dos dois lugares conhecendo bem umas às outras. Em cada país e sistema social, a sociedade é formada e sustentada por pessoas. Se povos de diferentes nações desenvolverem a compreensão mútua por meio de intercâmbios culturais, poderão cultivar o terreno para a paz duradoura.6
Qual o papel da religião no despertar de potencialidades?
Daisaku Ikeda: — O papel da religião deve ser o de fornecer a sabedoria para impulsionar o esforço para melhoria e desenvolvimento mútuos. Com relação a isso, o budismo ensina que um dos significados de myo (místico) é “abrir”.7
A constante busca por crescimento e aprimoramento, o desejo de revelar potencialidades, é uma característica especial da vida humana. O que se procura com urgência hoje é uma religião que atenda a esse desejo de realização e de crescimento.8
Como valorizar o respeito e a dignidade da vida?
Daisaku Ikeda: Não há fronteiras no coração das pessoas que estendem suas mãos e tentam salvar os aflitos. A diplomacia ou o intercâmbio no nível da relação entre os Estados é importante, mas não devemos nos esquecer de que o fundamental é o intercâmbio entre os povos. O povo é como o mar. Se o mar estiver calmo, muitos navios podem singrar tranquilamente. Da mesma forma, se os povos estiverem unidos pelos laços de amizade, surgirão a confiança e a paz. Assim, por esse mar de paz, os navios poderão realizar diversos tipos de intercâmbio para o bem do mundo. Nós, da Soka Gakkai, pretendemos criar o “mar de humanismo”, o “mar de amizade”, a fim de unir o mundo inteiro.9
Em sintonia com os ODS

Reprodução/Foto-RN176 Banner de objetos sustentáveis
Celebrado todos os anos em 21 de maio, o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento homenageia não apenas a riqueza das culturas do mundo, mas também o papel essencial do diálogo intercultural para alcançar a paz e o desenvolvimento sustentável.
Com a aprovação, em setembro de 2015, da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável pelas Nações Unidas e com a Resolução A/C.2/70/L.59 sobre Cultura e Desenvolvimento Sustentável, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 2015, a mensagem do Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento Sustentável é mais importante que nunca. Os dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) podem ser alcançados de maneira mais efetiva ao se aproveitar o potencial criativo das diversas culturas existentes no mundo, bem como ao se envolver em um diálogo contínuo para garantir que todos os membros da sociedade se beneficiem do desenvolvimento sustentável.
Fonte: Site da Unesco (https://www.unesco.org/pt)
Saiba mais
Visite os sites oficiais de instituições fundadas pelo presidente Ikeda.
Associação de Concertos Min-On
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 216.
2. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/node/66708#:~:text=Celebrado%20todos%20os%20anos%20em,paz%20e%20o%20desenvolvimento%20sustent%C3%A1vel. Acesso em: 24 abr. 2026.
3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 20, p. 20, 2019.
4. Idem. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 3: Kosen-rufu e Paz Mundial. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 428.
5. Ibidem, p. 429.
6. Ibidem, p. 428-429.
7. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 151, 2020.
8. IKEDA, Daisaku. Sabedoriapara Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2024. p. 217.
9. Idem. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 6, p. 60, 2019.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










