ROTANEWS176 20/05/2026 10:55
Por Julinho Bittencourt

Reprodução/Foto-RN176 Paulinho da Costa: saiba tudo sobre o primeiro brasileiro com uma estrela na Calçada da Fama
Poucos músicos brasileiros tiveram um impacto tão profundo na indústria fonográfica mundial quanto Paulinho da Costa. Nascido no Rio de Janeiro em 31 de maio de 1948, o percussionista se transformou em uma peça-chave na construção sonora do pop, do jazz, do rock e das trilhas de Hollywood nas últimas cinco décadas, participando de mais de 6 mil gravações ao lado de artistas como Michael Jackson, Madonna, Stevie Wonder e Elton John.
Radicado em Los Angeles desde os anos 1970, Paulinho consolidou uma carreira rara para um músico brasileiro: tornou-se um dos instrumentistas mais requisitados da história da música internacional sem, no entanto, alcançar a fama popular dos artistas que ajudou a transformar em fenômenos globais.
Hollywood Walk of Fame
Em maio de 2026, o músico alcançou um marco inédito ao se tornar o primeiro percussionista brasileiro a receber uma estrela na Hollywood Walk of Fame, a Calçada da Fama. A honraria consolidou oficialmente seu nome entre as figuras mais importantes do entretenimento mundial.
A estrela, de número 2.844 da tradicional calçada, foi instalada na Vine Street, próxima ao histórico prédio da Capitol Records. Durante a cerimônia, Paulinho lembrou com humor das vezes em que atravessava correndo a rua entre gravações nos estúdios da gravadora e acabava levando multas de trânsito.

RN176 Michael Jackson e Paulinho da Costa
Em discurso bilíngue, o percussionista agradeceu aos Estados Unidos pelos mais de 55 anos de acolhimento, mas fez questão de reforçar suas raízes brasileiras. “Os ritmos do Brasil correm nas minhas veias. Tudo ao meu redor se torna um instrumento musical: mesas, colheres, garrafas”, afirmou. Em seguida, emocionado, concluiu em português: “Essa estrela não é só minha, essa estrela é nossa e viva o Brasil!”.
A cerimônia reuniu nomes históricos da música, entre eles Ray Parker Jr. e Larry Dunn, além de familiares do músico.
O primeiro brasileiro
A conquista também carrega um simbolismo histórico. Embora Carmen Miranda tenha uma estrela na calçada desde 1941, ela nasceu em Portugal. Paulinho da Costa tornou-se, assim, o primeiro artista nascido no Brasil a receber a honraria máxima de Hollywood.
A bateria da Portela
O reconhecimento internacional reflete uma trajetória iniciada muito longe dos grandes estúdios americanos. Ainda jovem, Paulinho integrou a bateria da Portela, em Madureira, onde desenvolveu a precisão rítmica e a capacidade de improvisação que mais tarde o diferenciariam em Los Angeles.
Sérgio Mendes e Quincy Jones
Seu primeiro grande salto internacional ocorreu em 1973, quando foi convidado por Sérgio Mendes para integrar o grupo Brasil ’77. A experiência abriu portas no mercado americano e o aproximou de produtores influentes, entre eles Quincy Jones, parceiro decisivo em sua ascensão.
A relação entre os dois se transformou em uma das colaborações mais importantes da música pop contemporânea. Quincy passou a convocar Paulinho para gravações históricas sem sequer precisar explicar o que queria no estúdio. “Ele sabe tudo de música”, costumava dizer o produtor.
Michael Jackson
Foi assim que o percussionista brasileiro ajudou a construir a sonoridade de álbuns fundamentais, especialmente os de Michael Jackson. Em Thriller, lançado em 1982 e considerado o disco mais vendido da história, Paulinho teve liberdade total para criar os grooves de percussão que marcaram canções como “Wanna Be Startin’ Somethin’”. Segundo relatos de bastidores, Michael Jackson o descrevia como “o maior percussionista do mundo”.

RN176 Madona e Paulinho da Costa
A parceria com o Rei do Pop começou ainda em Off the Wall, de 1979, e se estendeu pelos trabalhos seguintes. Produtores e críticos apontam que boa parte da identidade rítmica das músicas desapareceria sem a percussão orgânica criada pelo brasileiro.
We Are the World, o rock, o samba e o jazz
Paulinho também esteve presente em outro momento histórico da música mundial: a gravação de We Are the World, em 1985. Foi ele quem criou a base percussiva usada como guia para artistas como Bruce Springsteen, Bob Dylan, Tina Turner e Ray Charles durante as gravações conduzidas por Quincy Jones.
Além do pop, o músico levou o samba brasileiro para discos fundamentais do rock internacional. Gravou com Supertramp em Breakfast in America, colaborou com Eric Clapton, participou de álbuns de Rod Stewart e apareceu em trabalhos do Toto e até do Alice Cooper.
Sua assinatura musical também atravessou Hollywood. Paulinho participou de trilhas de filmes como Saturday Night Fever, Dirty Dancing, Jurassic Park, The Lion King e The Color Purple.
No jazz, gravou com gigantes como Miles Davis, Dizzy Gillespie, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e George Benson.
Música brasileira e carreira solo
Mesmo vivendo nos Estados Unidos, Paulinho manteve forte ligação com a música brasileira. Participou de discos emblemáticos de Djavan, como Luz, gravado em Los Angeles com produção de Quincy Jones, além de trabalhos de Rita Lee, Roberto de Carvalho, Ney Matogrosso e do álbum histórico Brasil.
Embora seja mais conhecido como músico de apoio, Paulinho também desenvolveu carreira solo respeitada, lançando discos como Agora, Happy People, Tudo Bem! e Sunrise.
Grammy Awards
Sua importância nos bastidores da música também aparece nos números impressionantes ligados ao Grammy Awards. Os álbuns e canções em que participou acumulam 59 vitórias e 161 indicações ao prêmio. Em reconhecimento à relevância de sua atuação nos estúdios, a própria academia do Grammy concedeu ao brasileiro o raro título de “Most Valuable Player” por três anos consecutivos, além da honraria de músico emérito.
Um documentário
A trajetória do percussionista ganhou um retrato definitivo em 2026 com o lançamento do documentário The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, lançado pela Netflix. Dirigido por Oscar Rodrigues Alves e Alan Terpins, o filme levou cerca de dez anos para ser concluído e reúne depoimentos de nomes como Quincy Jones, Lionel Richie e will.i.am.
O objetivo do documentário é justamente revelar ao grande público a presença invisível de Paulinho em clássicos que moldaram gerações. Como definiu recentemente a revista Rolling Stone, ele é “o músico mais ouvido do planeta que o público não conhece pelo nome”.
FONTE: REVISTA FÓRUM E RN176










