“Budismo é a própria sociedade” 

ROTANEWS176 23/05/2026  08:05  

CADERNO NOVA REVOLUÇÃO HUMANA

Por Ho Goku

Reprodução/Foto-RN176 Ilustrações: Kenichiro Uchida

Parte 133

Shin’ichi Yamamoto sentia um profundo significado na outorga de um título honorífico pela Universidade Putra Malásia. Ele, um budista, estava sendo homenageado por uma universidade nacional de um país, a Malásia, cuja religião oficial é o islamismo.

Era uma prova de que, quando voltamos ao ponto primordial da preocupação pela paz e pela felicidade da humanidade, podemos transcender as diferenças de religião e encontrar a mútua compreensão como seres humanos. Era também uma indicação da natureza tolerante e magnânima do islamismo.

Para colocar um ponto-final numa era de divisão e de hostilidade entre as pessoas, os diálogos inter-religiosos e intercivilizações se tornam cada vez mais importantes no século 21.

Mais tarde, em 2009, Shin’ichi recebeu o título de doutor honoris causa em humanismo da Universidade Aberta da Malásia e, em 2010, da Universidade Federal da Malásia.

No dia 30 de novembro de 2000, Shin’ichi se encontrou pela segunda vez com o primeiro-ministro Mahathir Mohamad no gabinete dele.

Eles dialogaram sobre o tema “Os Jovens São o Tesouro da Humanidade”, compartilhando seu ardente sentimento de esperança pelo futuro.

Em 1o de dezembro, Shin’ichi visitou pela primeira vez a Escola de Educação Infantil Soka da Malásia (Tadika Seri Soka). E, na sequência, participou da Conferência de Representantes da SGI-Malásia em comemoração dos quarenta anos do kosen-rufu mundial, nas dependências do Centro Cultural da Malásia.

Uma grande salva de palmas repleta de paixão ecoou pelo local da reunião.

Reprodução/Foto-RN176 Ilustrações: Kenichiro Uchida

O crescimento da SGI-Malásia saltava aos olhos. Antes da entrada de Shin’ichi, o diretor-geral da SGI-Malásia, Koe Hau Fan, declarou: “Meus amigos, nós vencemos!”.

Nos últimos anos, os membros da SGI-Malásia haviam participado de muitas atividades de grande porte: espetacular painel humano, formado por 5 mil pessoas, que surpreendeu a todos em um evento nacional; desfile e ginástica montada da Divisão dos Jovens, em comemoração do Dia Nacional da Independência; festival cultural beneficente, o qual foi amplamente elogiado como exemplo de contribuição social; Conferência das Mulheres pela Paz realizada pela Divisão Feminina e Divisão Feminina de Jovens, como vanguardistas do século das mulheres, entre outras.

Todas essas atividades foram motivadas pelo profundo senso de missão dos membros em viver pelo princípio de “budismo é a própria sociedade”.

O diretor-geral Koe disse:

— É unicamente porque nos dedicamos com toda a sinceridade, com o sentimento de que cada momento era decisivo.

Em seu discurso, nesse dia, Shin’ichi enfatizou que o “tesouro do coração é eterno pelas ‘três existências’ — passado, presente e futuro” ­— e que o “palácio da felicidade se encontra no interior de nós mesmos”. E dedicou também, um verso aos membros:

Malásia,

a capital da vitória,

a maior do mundo.

Parte 134

A comitiva de Shin’ichi Yamamoto deslocou-se para Hong Kong para incentivos. Essa seria a última parada de suas viagens pelo mundo no século 20.

No dia 4 de dezembro de 2000, ele participou da Conferência Executiva de Líderes de Hong Kong e de Macau, realizada no Centro Cultural da SGI-Hong Kong. E, em comemoração dessa visita, a vigésima para Hong Kong, Shin’ichi dedicou um verso aos membros:

Reprodução/Foto-RN176 Ilustrações: Kenichiro Uchida

Vinte vezes

viva o kosen-rufu de

Hong Kong.

E, recordando as lembranças de sua primeira visita a Hong Kong em janeiro de 1961, apresentou a sincera dedicação do falecido Chow Chi Kong, um dos beneméri­tos dos primórdios do kosen-rufu da localidade.

— O Sr. Chow enviava uma carta, em média, a cada poucos dias para incentivar alguns membros espalhados em Singapura, na Malásia e em outros locais. Quando surgiam problemas, a frequência das cartas aumentava para uma a cada dois dias, e muitas vezes chegava a ser diária. Em meio aos intensos afazeres no trabalho como administrador de uma companhia de comércio, ele atuou como líder central do kosen-rufu de Hong Kong e, ainda, escrevia continuamente cartas de incentivo aos companheiros da Ásia. Deve ter sido uma árdua tarefa. As cartas eram bastante longas, de cinco a dezenas de laudas com quatrocentos ideogramas cada uma.

Naquela época, poucas pessoas tinham telefone particular e, naturalmente, ainda não existia a internet. O Sr. Chow continuou em seus árduos e incansáveis esforços no incentivo aos praticantes.

Shin’ichi prosseguiu:

— Para o líder de determinada localidade, ele escreveu: “O importante é criar muitas oportunidades para dialogar sinceramente com os membros. Para tanto, não há outra forma a não ser as visitas familiares. Nelas, pode-se dialogar aberta e francamente com os membros, estreitar os laços de relacionamento e aumentar a confiança mútua. Isso é fácil de falar, mas difícil de pôr em prática”.

O corpo humano deixa de funcionar adequadamente se não houver boa circulação sanguínea. O mesmo acontece com a organização. As visitas familiares e as orientações individuais fazem fluir o calor humano e a “corrente sanguínea” da fé. É por isso que a Soka Gakkai veio se desenvolvendo como organização humanística. Prezar uma única pessoa do fundo do coração e dedicar-se ao diálogo e ao incentivo incessantes, com cordialidade — esse é o eterno e imutável ponto-chave para um novo salto de desenvolvimento, tanto do indivíduo como da organização.

Parte 135

Na Conferência Executiva de Hong Kong e de Macau, Shin’ichi Yamamoto discorreu sobre a brilhante história do kosen-rufu de Hong Kong.

— A jornada do “retorno do budismo para o oeste”, profetizada por Nichiren Daishonin, iniciou-se aqui em Hong Kong. E quando da minha primeira visita à China para construir a ponte dourada da amizade sino-japonesa, entre maio e junho de 1974, parti daqui de Hong Kong e retornei para cá. Além disso, a Universidade Chinesa de Hong Kong foi a primeira das 73 instituições (na época) com as quais a Universidade Soka mantém intercâmbio acadêmico e educacional. E a primeira escola de educação infantil Soka fora do Japão foi inaugurada aqui, em Hong Kong, no ano de 1992.

Shin’ichi encorajou fortemente os membros de Hong Kong e de Macau:

— Gostaria que continuassem dedicando a vida a essa grandiosa e nobre missão agora e também no século 21.

Naquele ano, no mês de fevereiro, havia sido concluído o tão aguardado auditório no Jardim de Árvores Bodhi Soka, na Índia. Além disso, no mês anterior, em 26 de novembro, poucos dias antes da chegada de Shin’ichi a Hong Kong, a organização da SGI-Índia (Bharat Soka Gakkai) havia realizado uma magnífica convenção comemorativa dos setenta anos de fundação da Soka Gakkai nesse Jardim de Árvores Bodhi Soka. O Budismo do Sol de Nichiren Daishonin brilhava agora na terra da Lua, a Índia, começando a iluminar a sociedade indiana. Shin’ichi sentiu que o majestoso caminho do kosen-rufu no século 21 estava se abrindo amplamen­te na Ásia e em todo o mundo.

Na noite de 5 de dezembro, Shin’ichi e Mineko foram convidados para um jantar na residência oficial da secretária-chefe de Hong Kong, Anson Chan.

Em 1993, a senhora Chan havia se tornado a primeira mulher a ser nomeada secretária-chefe, uma posição logo abaixo do gover­nador de Hong Kong, durante o período de domínio britânico. Após o retorno de Hong Kong à China, em 1997, ela atuou como secretária-chefe da Região Administrativa de Hong Kong, uma posição que se seguia à do executivo-chefe.

Sua mãe foi a renomada pintora chinesa Fang Zhaoling cujos trabalhos foram exibidos no Museu de Arte Fuji de Tóquio na exposição O Mundo de Fang Zhaoling, proposta por Shin’ichi, fundador desse museu. Durante o período da exibição, a mostra foi muito apreciada e aclamada pelo público. Em 1996, Shin’ichi recebeu da Universidade de Hong Kong o título acadêmico honorário junto com Anson Chan e sua mãe, Fang Zhaoling, e a partir de então mantiveram contato e intercâmbio.

Shin’ichi e sua esposa foram calorosamente recepcionados pela família Chan e pelos demais convida­dos. Shin’ichi dialogou e trocou opiniões com os presentes, desejando fortemente a prosperidade de Hong Kong e da China. A visão noturna glamorosa de Hong Kong que se estendia através da janela era incrivelmente bela.

Parte 136

Em 7 de dezembro de 2000, Shin’ichi participou da cerimônia de graduação da Universidade Chinesa de Hong Kong, onde recebeu o título de doutor honoris causa em ciências sociais. Ele foi o primeiro japonês a receber tal honraria dessa instituição. Em 1992, Shin’ichi havia sido nomeado ilustre professor visitante dessa universidade e, na ocasião, proferiu uma palestra intitulada “A Tradição do Humanismo Chinês”.

Em 8 de dezembro, Shin’ichi retornou ao Japão, viajando de Hong Kong para Osaka, a capital de Kansai de Contínuas Vitórias. Osaka foi o primeiro local que ele visitou após a sua posse como terceiro presidente da Soka Gakkai (em maio de 1960). Ele desejava concluir suas viagens de orientação do século 20 também em Osaka, e abrir a porta para o século 21 junto com os membros de Kansai, que compartilhavam alegrias e sofrimentos com Shin’ichi, com seu espírito indomável.

A fisionomia dos amigos de contínuas vitórias brilhava com muita vitalidade.

No dia 10 de dezembro, Shin’ichi participou da Conferência de Representantes de Kansai.

Nessa ocasião, Shin’ichi expressou sua expectativa aos membros de Kansai pelo século das mulheres que finalmente se iniciava, dizendo:

— Que Kansai seja o exemplo! E que a Divisão Sênior e a Divisão Masculina de Jovens se unam num só corpo, e da mesma forma a Divisão Feminina e Divisão Feminina de Jovens! Desejo-lhes que protejam, amem, incentivem e desenvolvam os jovens.

Em 14 de dezembro, como partida para o século 21, foi realizada a Reunião de Líderes da Soka Gakkai com o significado de Reunião de Líderes Representantes de Kansai e de Convenção das Mulheres de Kansai, no Auditório Memorial Toda de Kansai, localizado na cidade de Toyonaka, Osaka.

— A partir do próximo ano, em 2001, iniciaremos o segundo ciclo dos “Sete Sinos” rumo a 2050.

Shin’ichi referiu-se à visão do novo ciclo dos “Sete Sinos” e clamou a todos para que o século 21 seja, infalivelmente, o “século da paz e do humanismo” a partir dos laços de solidariedade das pessoas comuns do povo.

Ele também observou sobre a impressionante atuação das mulheres líderes no mundo:

— Hoje, a época está mudando de forma marcante. Seja na sociedade, seja nas organizações, onde houver respeito e valorização da mulher, haverá prosperidade. Daishonin afirmou que as mulheres abrem o portal.No avanço interminável do kosen-rufu, são as mulheres que abrem o “portal da boa sorte”, o “portal da esperança” e o “portal de contínuas vitórias”, em especial as integrantes da Divisão Feminina de Jovens.

A expansão do diálogo e a expansão dos incentivos da bela união entre a Divisão Feminina e a Divisão Feminina de Jovens em um só corpo se tornaram a nova força do século 21.

O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo, como autor, é Ho Goku.

Nota:

1. The Writings of Nichiren Daishonin [Os Escritos de Nichiren Daishonin]. Tóquio: Soka Gakkai, v. II, p. 884.

Ilustrações: Kenichiro Uchida

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS