ROTANEWS176 13/06/2026 09:15
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO
De São José dos Campos, SP, Yukari comprova a equação da vitória das “rainhas da felicidade”

Reprodução/Foto-RN176 Yukari Yoshioka Imamura. Na BSGI, atua como coordenadora-geral da Divisão Feminina da Coordenadoria Leste Paulista (CLP), CGESP.
“A vida não é o que acontece, é como você responde.” É dessa maneira que Yukari Yoshioka Imamura constrói sua jornada de conquistas diante das reviravoltas da existência. Aos 67 anos, ela reside com o marido em São José dos Campos, SP. Primeiro, ela revisita o passado. Chegou ao Brasil ainda bebê, em 1960, ano em que a BSGI nascia do sonho do presidente Ikeda. O pai, Yoshihiro Yoshioka, e a mãe, Reiko, como tantos imigrantes da época buscavam trabalho e felicidade. Yoshihiro, ao converter-se ao budismo poucos anos depois, mesmo na pobreza, ensinou aos filhos que a esperança é uma forma de riqueza. “O Nam-myoho-renge-kyo praticado com sinceridade é capaz de tudo”, diz Yukari.
Se é para sonhar…
Desde cedo, Yukari desejava ser cientista. Estudou química e se formou. Então, incentivada por uma veterana para que “rompesse a dúvida no coração, baseando-se na recitação do daimoku”, obteve seu primeiro grande triunfo: ingressar no centro de pesquisa da aeronáutica (atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial — DCTA) em 1983. Sua grande força veio quando, recém-nomeada responsável pela Juventude Soka de distrito da época, recebeu o estímulo para realizar shakubuku, ou seja, inspirar as pessoas à prática da fé. “Para isso, eu precisava comprovar”, pondera Yukari. Com renovada disposição, atuou nas áreas de defesa e aeroespacial. Depois, foi ao Japão, por um ano.
Encontros e reencontros
Quando o coração se alinha ao propósito, os caminhos se abrem. Nesse fluxo que Yukari conheceu Osvaldo Imamura, em 1987, durante o período em que estudava no Japão. Ele concluía o doutorado na Universidade de Tóquio; ela, imersa em estudos e orientações diretas de Ikeda sensei, que fortaleciam seus propósitos.

Reprodução/Foto-RN176 Foto de destaque da matéria do Relato
O reencontro aconteceu no Brasil, decorridos alguns anos, no mesmo ambiente corporativo — e no terreno fértil dos ideais de vida. O casamento veio três anos mais tarde. Osvaldo se converteu ao budismo uma semana antes da cerimônia. “Realizei mais este sonho, pois havia determinado que a pessoa com quem eu me casasse compartilharia da mesma missão”, recorda-se.
Ressignificar a vida
Nos anos que se seguiram, a família cresceu e se fortaleceu. Gabriela, Júlia e a caçula Isabella cresciam envolvidas nos jardins Soka e atuantes na banda Asas da Paz Kotekitai do Brasil. Yukari já havia se aposentado da Aeronáutica quando, pouco tempo depois, o carma se manifestou de forma abrupta: Isabella, então com 18 anos, sofreu um acidente que a deixou tetraplégica.
“Foi um grande ponto de virada”, relembra-se a relatante. Em busca de forças, voltou-se aos escritos de Nichiren Daishonin e às orientações de Ikeda sensei. Ela encontrou um incentivo do Mestre registrado em uma das obras dele, Nova Revolução Humana:
A vida é cheia de curvas e reviravoltas. Também há épocas de batalhas íngremes, mas só precisamos continuar nos impelindo a seguir em frente. Quando encararmos bravamente e desafiamos tais provações, podemos nos desenvolver e treinar, e nossa vida se torna forte e ampla.1
Durante a internação da filha, um gesto inesperado reacendeu sua força. Mesmo fragilizada, aceitou liderar uma reunião de shakubuku. Ao ouvir sua determinação, uma simpatizante de vinte anos de participação decidiu receber o Gohonzon. “Ela me deu a chance de me reerguer ainda mais forte”, diz Yukari, orgulhosa, ao lembrar-se de que aquela convidada hoje atua firmemente como responsável pela Divisão Feminina de comunidade.

Reprodução/Foto-RN176 Em viagem ao Japão, em 2024
Vitória da persistência
Os últimos dez anos foram de intenso aprendizado, com a família unida, em resposta ao desafio de vencer e vencer. A resposta veio: Isabella, 28 anos, forma-se em engenharia química, inicia um MBA e é contratada por uma grande empresa do setor; Júlia, 30, designer de produtos, atua na moda; e a mais velha, Gabriela, 32, é médica residente em geriatria. “Ensino minhas filhas a serem fortes, pois todos enfrentamos sofrimentos, independentemente da condição física.” As três residem em outras cidades, brilhando em suas áreas de atuação.
Osvaldo, o marido, também trilha uma trajetória de valor. Em 1993, decide corresponder ao Mestre por meio de sua atuação social. Dois anos depois, é convocado a integrar o projeto da urna eletrônica, em Brasília, capital federal, dedicando-se intensamente por uma década. Em 2013, recebe a Ordem do Mérito Aeronáutico, Grau Comendador — reconhecimento de sua contribuição ao país.

Reprodução/Foto-RN176 Expondo seus trabalhos profissionais
Ideal empreendedor
Yukari segue avançando em diversas funções de liderança voluntária na BSGI, na Coordenadoria Leste Paulista (CLP). Na profissão, há sete anos, transforma sua criatividade em negócio e se torna empreendedora no ramo de scrapbooking e de encadernação. Hoje, fornece para lojas de várias cidades e, nos últimos cinco anos, tem sido convidada a expor seus produtos em uma das maiores feiras do segmento.
Neste mês de junho — tão significativo para as “rainhas da felicidade” —, Yukari emociona-se: “Sinto profunda gratidão a sensei e às veteranas, com quem aprendi sobre ‘muito mais daimoku’. Quero ser uma voz que inspira as pessoas. Sinto-me vitoriosa e muito feliz por viver plenamente ao lado da minha família, dos amigos e da rede de mulheres Soka. Como isso é maravilhoso!”.
Yukari Yoshioka Imamura, 67 anos. Empreendedora. Na BSGI, atua como coordenadora-geral da Divisão Feminina da Coordenadoria Leste Paulista (CLP), CGESP.
Nota:
- IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 26, p. 311, 2021.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS










