Consideramos os OVNIs como naves ou como seres vivos, e por que isso importa?

ROTANEWS176 13/07/2026  21:10

Por Liz Stillwaggon Swan, PhD


Existe uma suposição bastante difundida e consistente em nossa longa história de avistamentos de OVNIs: a de que os objetos não identificados que alguns de nós vemos no céu noturno são veículos ou naves cujo conteúdo é o que realmente nos interessa — os próprios extraterrestres. Mas e se essa suposição estiver errada? E se a própria nave ou veículo for o extraterrestre? O que essa descoberta implicaria?

Reprodução/Foto-RN176 Crédito da imagem ilustrativa: n3m3/Bing/MAI-Image-2e

Os OVNIs são como espelhos da natureza humana

A longa história dos avistamentos de OVNIs no mundo, considerada em seu conjunto, pode servir como um reflexo de nossas crenças e suposições, muitas vezes subconscientes. O termo “disco voador” existe desde o final da década de 1940, quando um piloto particular chamado Kenneth Arnold relatou ter visto algo que se encaixava nessa descrição nos céus do Monte Rainier, no estado de Washington. O nome pegou porque parece descrever apropriadamente o que tantas pessoas, desde então, descreveram ter visto no céu noturno. Os avistamentos de OVNIs geralmente envolvem um objeto em forma de disco no céu, às vezes com luzes, portas ou outros mecanismos que sugerem que o objeto se abre para permitir a entrada e a saída. Mas de quê ou de quem?

O folclore ovniológio está repleto de histórias sobre os seres misteriosos e esquivos dentro dessas naves em forma de disco. Geralmente, são descritos como pequenos seres cinzentos com dois olhos, um nariz, uma boca, dois braços e duas pernas, o que soa suspeitosamente semelhante aos seres humanos, como Neil deGrasse Tyson aponta em seu livro mais recente sobre o assunto, “Take Me to Your Leader” (Leve-me ao Seu Líder). Por que seres de um canto distante do nosso universo ou de outro universo completamente diferente teriam tanto em comum conosco, os chamados seres inteligentes do planeta Terra? Sempre achei o clichê dos “homenzinhos verdes” imaginativamente falido e fiquei feliz em descobrir que estou em boa companhia com Tyson nesse ponto.

Imaginando os alienígenas de uma maneira diferente

Nos últimos anos, em particular, surgiram “alienígenas” concebidos de forma diferente e mais original, com características semelhantes a insetos (o que, sem dúvida, ainda se sobrepõe bastante à nossa conhecida evolução terrestre), ou mais parecidos com polvos (como no filme A Chegada), ou até mesmo como formações de nuvens, como sugerido no inovador filme de ficção científica Nope (embora não fique claro, provavelmente de propósito, se a nuvem é a criatura alienígena, uma nave alienígena ou apenas uma cortina engenhosa atrás da qual a criatura ou nave alienígena está escondida). Um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é Solaris — refilmado em inglês com George Clooney, a partir do filme russo (soviético) original lançado décadas antes — porque apresenta um planeta inteiro, Solaris, que é consciente e capaz de influenciar o pensamento e o comportamento humanos à distância. Isso sim é inovação.

Nossa busca por inteligência extraterrestre tem sido, reconhecidamente, bastante antropocêntrica. Veja, por exemplo, o hábito antigo do SETI (SETI = busca por inteligência extraterrestre) de enviar sinais de rádio e várias formas de mídia (como transmissões de TV) para o universo na esperança de quê? Fazer um alienígena dar uma risadinha com nossas séries de comédia inteligentes dos anos 80? Sempre me perguntei se os alienígenas sequer captariam ondas de rádio produzidas por humanos. Ou reconheceriam nossa matemática. Ou teriam visão, audição e tato. Por que presumiríamos essas coisas? Não sabemos como são os alienígenas, se é que existem. E talvez nossa imaginação humana nem consiga conceber como eles poderiam ser.

Será que as naves OVNIs são os alienígenas?

Por que não? Acho interessante que, ao presumirmos que os objetos que vemos no céu e admitimos serem “não identificados”, consideremos que sejam o veículo e não o ser em si. Como saberíamos?

Algumas hipóteses mais mirabolantes sugerem que essas naves são alguma manifestação de nós mesmos (humanos) do futuro visitando a realidade atual. Outra possibilidade que gosto de considerar é que, se estivermos vivendo em uma realidade simulada por computador (como em “A Hipótese da Simulação” e “O Multiverso Simulado” de Rizwan Virk), então talvez esses OVNIs sejam programas que se tornam brevemente reais (ou seja, assumem forma física) ao invadirem nossa “realidade”, quase como um objeto impresso em 3D, que começa como uma ideia e ganha forma ao ser “impresso”.

Mas se a nave é o ser, de onde vêm todas essas ideias e imagens dos chamados “homenzinhos verdes”? Acho revelador que os relatos mais consistentes sobre OVNIs, vindos de profissionais altamente treinados, como militares e pilotos, geralmente descrevem apenas a nave ou o veículo, e não os pequenos habitantes que estariam dentro dela, como visto na cena final de Contatos Imediatos do Terceiro Grau. Será que esses pequenos seres são fruto da imaginação, uma projeção da consciência humana, o que explicaria porque sua anatomia não difere muito da dos seres humanos? E será que a nave, os objetos em si, é o que precisamos observar, em vez de nos distrairmos imaginando que há algo mais dentro dela? As naves são o que intriga pilotos e outros profissionais treinados, com suas velocidades extremas, silêncio absoluto e a capacidade de aparentemente surgir e desaparecer da nossa realidade num piscar de olhos.

Repensando o termo “alienígena”

Poderíamos ir além e repensar também o termo “alienígena”. “Alienígena”, como palavra, tornou-se praticamente sinônimo do rosto alienígena verde que vemos em todos os lugares na cultura pop, o ser de aparência estranha vindo de outro mundo. Mas e se “alienígena” não se referir à criatura em si, mas à camada do espaço ou até mesmo à dimensão do tempo? Talvez essas naves sejam de um período de tempo alienígena (o futuro?) ou de um espaço alienígena (uma dimensão diferente?). Acredito que repensar nossas suposições sobre OVNIs e alienígenas seja um bom ponto de partida para começar a “identificar” esses objetos voadores não identificados.

FONTES: Fonte OVNIHOJE