Com apenas 27 anos, jovem paraense cria tijolo sustentável feito de caroço de açaí e conquista prêmios pela invenção      

ROTANEWS176  17/07/2026 14h00

Conheça a história de Francielly Rodrigues Barbosa, jovem paraense que criou um tijolo sustentável feito de caroço de açaí, conquistou mais de 25 prêmios e levou sua pesquisa para o cenário internacional.

Reprodução/Foto-RN176 Jovem se destacou internacionalmente por inovação que usa fruto abundante localmentecomo inovação tecnológica. – Reprodução / Divulgação

Já imaginou observar um problema na sua própria cidade e com isso, pensar em uma solução inovadora? Isso ocorreu com a jovem Francielly Rodrigues Barbosa, de 27 anos.  Francielly ganhou fama nacional e internacionalmente por desenvolver um tijolo sustentável feito a partir de caroços de açaí carbonizados, uma solução que une ciência, sustentabilidade e construção civil.

A invenção surgiu anos antes, quando ela ainda estava no ensino médio, e continua chamando atenção por dar um novo destino a um dos principais resíduos produzidos na Amazônia. Ao longo da trajetória, o projeto acumulou mais de 25 premiações, levou a pesquisadora para feiras científicas dentro e fora do Brasil e fez com que seu trabalho chegasse a importantes ambientes de inovação.

Como nasceu a ideia do tijolo sustentável de caroço de açaí

Moradora de Moju, município localizado a cerca de 120 quilômetros de Belém, Francielly começou a desenvolver a pesquisa ainda adolescente. A motivação veio depois de observar problemas estruturais em casas da cidade, como rachaduras em pisos e paredes.

Ao investigar a origem desses danos, ela percebeu que muitos terrenos utilizados para construção também serviam como locais de descarte de resíduos, principalmente dos caroços de açaí, abundantes na região.

Em vez de enxergar aquele material apenas como lixo, a estudante decidiu estudar uma forma de reaproveitá-lo em benefício da própria comunidade. Foi assim que nasceu a pesquisa que mais tarde daria origem ao tijolo sustentável.

Como o tijolo é produzido

O projeto utiliza um material extremamente comum na região amazônica. Depois que a polpa do açaí é retirada, os caroços passam por um processo de secagem, carbonização e trituração. Em seguida, esse material é misturado à argila para formar uma massa que pode ser moldada como um tijolo.

A proposta transforma um resíduo abundante em matéria-prima para a construção civil, criando uma alternativa voltada ao reaproveitamento de recursos locais.

Uma solução que une sustentabilidade e realidade amazônica

Além da inovação tecnológica, o projeto chamou atenção por partir de uma necessidade concreta da região onde foi desenvolvido.

O Pará concentra a maior produção de açaí do mundo e, consequentemente, gera enormes quantidades de caroços após o processamento da fruta. Grande parte desse material acaba descartada.

Ao utilizar esse resíduo como componente de um novo material de construção, a pesquisa propõe um reaproveitamento que dialoga diretamente com questões ambientais e habitacionais da Amazônia.

Projeto começou na escola pública

Outro aspecto que tornou a história conhecida é o fato de a pesquisa ter começado durante o ensino médio, em uma escola pública.

Francielly estudava na Escola Estadual Ernestina Pereira Maia quando iniciou os experimentos. O desenvolvimento do trabalho contou com apoio do Clube de Ciências de Moju, onde a jovem já participava de atividades científicas desde criança.

A experiência reforçou a importância da pesquisa científica dentro do ambiente escolar e mostrou que projetos de grande impacto também podem nascer fora dos grandes centros de pesquisa.

Mais de 25 prêmios e reconhecimento internacional

O desempenho do projeto rapidamente ultrapassou os limites da cidade de Moju. Segundo as informações reunidas pelas fontes, a pesquisa conquistou mais de 25 premiações ao longo dos anos, participou da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a Febrace, e abriu portas para apresentações em diferentes eventos científicos.

O trabalho também foi apresentado em um laboratório de inovação ligado ao MIT em parceria com Harvard, nos Estados Unidos, ampliando a visibilidade internacional da iniciativa criada na Amazônia.

O reconhecimento não ficou restrito às feiras científicas. Em 2024, Francielly Rodrigues Barbosa passou a integrar a lista Under 30 da Forbes Brasil na categoria Ciência e Educação, que reúne jovens com destaque em suas áreas de atuação.

Na ocasião, a publicação destacou a trajetória da pesquisadora desde o início da investigação, ainda aos 16 anos, e o impacto alcançado pelo projeto desenvolvido em Moju.

O material ainda é experimental

Embora tenha recebido ampla repercussão e diversos prêmios, as fontes destacam que o tijolo sustentável ainda faz parte de uma pesquisa experimental.

Até o momento, não há divulgação de produção comercial em larga escala nem de utilização consolidada do material em construções.

O principal destaque do projeto continua sendo seu potencial de inovação, o aproveitamento de resíduos abundantes na região amazônica e a contribuição para pesquisas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

Ciência feita a partir de problemas reais

A história de Francielly mostra como a observação do cotidiano pode dar origem a soluções criativas.

Em vez de buscar um tema distante da realidade em que vivia, ela decidiu investigar um problema presente na própria cidade. O resultado foi uma pesquisa que conecta meio ambiente, construção civil e educação científica.

Ao transformar um resíduo amplamente descartado em matéria-prima para um novo material, a jovem pesquisadora colocou Moju no mapa da inovação brasileira e internacional, mostrando que grandes ideias também podem nascer dentro de escolas públicas e clubes de ciência do interior do país.

FONTE: SELEÇÕES E RN176