Uma obra de manutenção na drenagem de um templo revelou um tesouro de ouro de 1.300 anos escondido sob uma estátua de Buda

ROTANEWS176 07/08/2026 11:50

Por Gabriel Correa

Um reparo comum em um sistema de drenagem revelou algo que permanecia escondido havia cerca de 1.300 anos. Sob uma antiga estátua de Buda reclinado, trabalhadores encontraram um recipiente de cerâmica com joias e objetos religiosos, levando arqueólogos a ampliar cuidadosamente as escavações no templo tailandês.

Como o tesouro foi descoberto?

A descoberta ocorreu no complexo Wat Thammachak Sema Ram, durante obras de conservação no sítio arqueológico de Phra Non, na Tailândia. Ao escavar a mais de um metro de profundidade, uma equipe encontrou um recipiente de cerâmica enterrado próximo à base da estátua.

Dentro dele estavam ornamentos de ouro, prata e bronze ligados ao período Dvaravati. O achado transformou o serviço de manutenção em uma investigação arqueológica. Depois da primeira descoberta, os pesquisadores examinaram outras áreas ao redor do monumento e localizaram três novos conjuntos de peças.

Reprodução/Foto-RN176 A descoberta ocorreu no complexo Wat Thammachak Sema Ram, durante obras de conservação no sítio arqueológico de Phra Non, na Tailândia.© Imagem gerada por IA

Por que o local é tão importante?

O tesouro estava sob uma estátua de Buda reclinado feita de arenito, considerada uma das mais antigas e extensas da Tailândia. Com cerca de 13 metros de comprimento, a obra teria sido criada por volta do ano 657, em um período decisivo para a expansão do budismo na região.

A posição dos objetos aumentou o interesse dos especialistas, pois sugere uma relação direta com as práticas religiosas da comunidade responsável pelo monumento. Mais do que itens valiosos, as peças ajudam a compreender como fé, arte e rituais eram integrados à construção de espaços sagrados.

Quais objetos estavam enterrados?

Ao todo, foram recuperados 33 artefatos produzidos com diferentes metais. Segundo o Departamento de Belas Artes da Tailândia, alguns brincos de bronze apresentam semelhanças com exemplares do período Dvaravati encontrados em outras partes do país, reforçando a origem histórica da coleção.

  • Anéis de ouro preservados dentro do recipiente de cerâmica.
  • Brincos de prata associados ao artesanato do período Dvaravati.
  • Argolas de bronze com formato semelhante ao de outras peças antigas.
  • Placas metálicas decoradas com imagens budistas em relevo.

Reprodução/Foto-RN176  Escavações de rotina encontram vaso com joias e relíquias.© Créditos: Imagem criada por IA.

A variedade de materiais mostra que os artesãos dominavam diferentes técnicas e trabalhavam tanto com metais preciosos quanto com ligas mais simples. Para os pesquisadores, essa combinação oferece novas pistas sobre as habilidades, os símbolos e as escolhas religiosas da sociedade que ocupava o local.

O que as placas revelam sobre a antiga comunidade?

Uma das peças mais marcantes é uma placa retangular de ouro, com aproximadamente 7,5 por 12,5 centímetros. Produzida com a técnica de repoussé, na qual o metal é moldado para formar relevos, ela mostra Buda sentado em posição de ensinamento, cercado por uma grande auréola.

Outra placa, feita com uma liga de chumbo e estanho, representa Buda em pé entre dois assistentes. Phanombutr Chantrachot, diretor-geral do Departamento de Belas Artes, classificou as descobertas como extraordinárias e afirmou que elas oferecem informações importantes sobre o artesanato e a devoção religiosa daquele período.

Como os artefatos serão preservados?

Reprodução/Foto-RN176 Artefatos em ouro, prata e bronze revelam técnicas artesanais.© Créditos: Departamento de Belas Artes da Tailândia.

Uma parte das chapas metálicas foi encontrada atrás da cabeça do Buda reclinado, envolvida por argila compactada e camadas de cimento. Por causa dessa localização intencional, especialistas consideram a possibilidade de que o conjunto tenha sido depositado como uma oferenda ritual durante a construção ou renovação do monumento.

Os objetos estão sendo catalogados e conservados no Museu Nacional de Phimai, onde materiais frágeis passarão por análises detalhadas. A descoberta mostra por que obras em sítios históricos exigem atenção constante. Proteger esses lugares agora é essencial para que histórias ainda escondidas possam atravessar os próximos séculos.

FONTE: CATRACA LIVRE E RN176

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