Desbravar os caminhos da paz

ROTANEWS176  22/08/2026  08:45

VENCER COM A NOVA REVOLUÇÃO HUMANA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Esta série traz conteúdos de cada volume do romance Nova Revolução Humana, de autoria do presidente Ikeda

Reprodução/Foto-RN176 No Havaí, Shin’ichi Yamamoto, à esq., oferece incentivos a Hiroto Hirata, recém-nomeado líder da primeira comunidade fundada fora do Japão. Ilustração: Kenichiro Uchida

O volume 1 da Nova Revolução Humana narra a histórica primeira viagem de Shin’ichi Yamamoto1 ao exterior, em outubro de 1960, cinco meses após tomar posse como terceiro presidente da Soka Gakkai, em 3 de maio daquele ano. Na bagagem, a missão que seu mestre, Josei Toda, lhe delegou: propagar o Budismo de Nichiren Daishonin pelo mundo.

Na ocasião, Shin’ichi visita os Estados Unidos, o Canadá e o Brasil. Em terras brasileiras, o presidente Yamamoto, junto com os integrantes de sua comitiva, funda o primeiro distrito fora do Japão, o Distrito Brasil.

Também, ao longo do romance, o autor refere-se ao contexto histórico de cada época. No primeiro volume, aborda temas como a Guerra Fria; a ameaça das armas nucleares; o Tratado de Cooperação Mútua e Segurança entre os Estados Unidos e o Japão; a discriminação racial; e as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes japoneses no Brasil. Com esse pano de fundo, a obra narra os esforços de Shin’ichi Yamamoto para encontrar formas de expandir o kosen-rufu concretamente para o mundo inteiro a partir do respeito e do encorajamento a cada pessoa, com base na premissa de que todas possuem inerentemente o estado de buda e o potencial para vencer seus desafios e cumprir a própria missão na construção de um mundo de paz.

Na série “Aprender com a Nova Revolução Humana”, Hiromasa Ikeda, consultor executivo da SGI, nos incentiva com base nesta postura do Mestre:

Independentemente de alguém praticar ou não o Budismo Nichiren, devemos dedicar todo o nosso coração em cada encontro e sempre nos esforçarmos para cultivar amizades. Essa é a crença primordial que o comportamento de Shin’ichi incorpora, uma atitude que acredito que cada um de nós precisa adotar.2

Capítulo 1

Alvorecer

Resumo

Em 2 de outubro de 1960, Shin’ichi Yamamoto parte para as Américas do Norte e do Sul. Sua visita ao Havaí marca o primeiro passo de sua jornada pelo kosen-rufu mundial.

Trecho de destaque

“Um grandioso palácio de felicidade existe dentro de seu coração.

A fé é a chave para abrir a porta desse palácio”3

LIDERANÇA No Havaí, Shin’ichi Yamamoto, à esq., oferece incentivos a Hiroto Hirata, recém-nomeado líder da primeira comunidade fundada fora do Japão: “Quando o senhor se preocupa, ora e luta pelo bem dos demais, está provando com suas próprias ações que transcendeu os limites de suas questões individuais e está iniciando sua extraordinária revolução humana. A organização irá mudar e se desenvolver dependendo do ichinen ou da profunda determinação de seu líder”.4

Trajeto da primeira viagem de Ikeda sensei ao exterior5

24 dias de viagem

44.500 kmpercorridos em mais de cem horas de avião

3 países

cidades

2 distritos fundados

17 comunidades fundada

Guerra Fria

Entre 1947 e 1991, a Guerra Fria foi marcada pela disputa política, econômica, ideológica e militar entre os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Recebeu esse nome porque não houve um confronto bélico direto entre as duas potências, embora a rivalidade entre o capitalismo e o comunismo tenha influenciado profundamente as relações internacionais após a Segunda Guerra Mundial. O risco de uma guerra nuclear devido a essas disputas despertou reflexões sobre a importância do diálogo, da cooperação internacional e da construção da paz. A Guerra Fria terminou com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a dissolução da URSS, em 1991.6

Capítulo 2

Novo Mundo

Resumo

Em São Francisco, Shin’ichi sugere três diretrizes, que se tornam um solene juramento para os membros japoneses que vivem nos Estados Unidos.

Trecho de destaque

“Saber aproveitar a oportunidade tomando a iniciativa na hora certa é o que define a vitória ou a derrota em uma batalha. Quando é necessário incentivar um amigo, existe um momento certo que não deve ser perdido”7

UNIÃO Em São Francisco, nos Estados Unidos, Shin’ichi encoraja líderes de comunidade na visita à Ponte Golden Gate. Abordando o fato de que os grossos cabos que sustentavam a ponte eram formados por milhares de pequenos fios, o presidente Yamamoto incentiva: “Os fios, individualmente, são finos, mas quando agrupados em grande quantidade, apresentam uma força incrível. Isso se assemelha à união de itai doshin (diferentes em corpo, unos em mente). Na Soka Gakkai, também, embora a força de cada integrante seja pequena, quando essa força for combinada e todos estiverem firmemente unidos, poderão manifestar um poder inimaginável. A união faz a força”.8

Capítulo 3

Outono Dourado

Resumo

Em Chicago, Shin’ichi fica impressionado com a dura realidade da discriminação racial. Ele também visita o Canadá.

Trecho de destaque

“Em qualquer lugar que seja, o avanço do kosen-rufu depende de uma única pessoa com a coragem de um leão para levantar-se. Não existirá avanço nem desenvolvimento se não houver alguém determinado a enfrentar intrepidamente os obstáculos e a assumir a responsabilidade pelo kosen-rufu9

Preconceito racial

Na década de 1960, os Estados Unidos viviam um período de intensos desafios relacionados à igualdade racial. Em diversos estados, as chamadas leis Jim Crow mantinham a segregação em espaços públicos, limitavam o acesso de pessoas negras a direitos fundamentais e perpetuavam desigualdades sociais e econômicas. Diante dessa realidade, surgiram importantes movimentos contra a segregação racial, como o de Martin Luther King Jr. (na ilustração), que contribuíram para ampliar direitos e fortalecer o reconhecimento da dignidade humana na sociedade norte-americana.10

MISSÃO Em Seattle, Estados Unidos, Shin’ichi se lembra de uma conversa com sua esposa, Mineko, na noite de 3 de maio de 1960, data de sua posse como terceiro presidente da Soka Gakkai. Ao observar a mesa de jantar posta com uma refeição habitual, ele comentou: “Pensei que teríamos sekihan[iguaria feita de arroz misturado com feijão-azuqui servida em ocasiões festivas] para comemorar minha posse como presidente, mas vejo que é um jantar corriqueiro”. Mineko sorriu e respondeu resolutamente: “Considero que, a partir de hoje, não tenho mais marido. Não preparei sekihan porque hoje é como se fosse um dia de funeral para a família Yamamoto”. “Sim, é verdade”, respondeu Shin’ichi, sorrindo também. No trecho da NRH consta: “Por um momento, ele se sentiu um pouco consternado pelas palavras de Mineko, mas, acima de tudo, estava feliz pelo espírito invencível demonstrado por ela. As palavras da esposa proporcionaram-lhe imensa coragem. A partir daquele dia, certamente, ele quase não teria tempo para brincar com os filhos ou para desfrutar momentos tranquilos com a família. Para toda esposa, a solidão decorrente dessa situação era difícil de suportar. Mas Shin’ichi havia jurado dedicar a vida ao kosen-rufu, e Mineko, como esposa, demonstrou sua firme determinação em apoiá-lo. Shin’ichi não almejava a felicidade secular ou comum para si. De certo modo, havia optado com alegria consagrar a vida ao kosen-rufu. Assim, ficou profundamente comovido e feliz ao perceber que a esposa pensava como ele”.11

Capítulo 4

Raios Benevolentes

Resumo

São fundadas comunidades em Nova York e Washington, DC.

Trecho de destaque

“Vejamos, por exemplo, um daqueles sinos de bronze gigantes de templos que são muito comuns no Japão. O som do sino dependerá do objeto que for usado para batê-lo. Se o sino for batido com toda a força usando uma grande tora de madeira, o som produzido será certamente muito forte. Agora, se for utilizado um palito de fósforo ou um hashi para batê-lo, seu som será muito fraco, praticamente inaudível. Da mesma forma, o Gohonzon para o qual oramos é dotado dos imensuráveis poderes do Buda e da Lei. Porém, se os nossos poderes da fé e da prática forem fracos como palitos de fósforo, não conseguiremos obter os grandiosos benefícios”12

ESPÍRITO INVENCÍVEL Em Nova York, Shin’ichi luta para recuperar a saúde e poder viajar ao Brasil. Do bolso do paletó, ele tira uma foto do seu mestre, Josei Toda. Lembra-se do dia 19 de novembro de 1957, quando, mesmo sabendo que seria repreendido, ele tentou impedir a viagem de Toda sensei a Hiroshima, pois a condição de saúde dele estava precária. No entanto, Josei Toda respondeu resolutamente: “Como eu poderia fazer isso? Tenho de ir. Como um emissário do Buda não posso desistir de algo que já decidi fazer. Eu irei ainda que venha a morrer! Não percebe que esse é o real significado da fé, Shin’ichi? Por que me pede isso?”. No romance, lemos: “Aquele brado sintetizava a verdadeira postura de um líder do kosen-rufu, a conduta que Josei Toda lhe ensinou com a própria vida. Em relação ao Japão, o Brasil era um dos países mais distantes, situado do lado oposto do globo terrestre. Ao pensar que ali se encontravam muitos membros aguardando a sua chegada, Shin’ichi teve a certeza de que deveria ir a qualquer custo. Decidiu que incentivaria a todos e empenharia até a última gota de energia para isso. Em seu peito, a chama do espírito de luta herdado de Josei Toda ardia intensamente”.13

Capítulo 5

Desbravadores

Resumo

Apesar da saúde debilitada, Shin’ichi visita o Brasil e funda o primeiro distrito fora do Japão.

Trecho de destaque

“No Budismo de Nichiren Daishonin a oração é originalmente um juramento e sua essência é o kosen-rufu. Em outras palavras, essa oração significa recitar daimoku com a seguinte determinação: “Eu vou realizar o kosen-rufu do Brasil. Para isso, vou mostrar uma prova irrefutável em meu local de trabalho evidenciando as minhas melhores habilidades”. É assim que nossas orações devem ser. Com essa disposição, precisamos estabelecer objetivos claros do que desejamos realizar a cada dia, e orar e nos desafiar para concretizá-los. É dessa séria determinação que surgem a sabedoria e a criatividade que levam ao sucesso”14

PONTO PRIMORDIAL No dia 19 de outubro de 1960, quando a comitiva de Shin’ichi Yamamoto chegou ao saguão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, SP, foi recepcionada por um grupo de trinta pessoas que entoavam a canção da Soka Gakkai, Ifu Dodo no Uta [Canção do Imponente Avanço]. Na NRH consta: “Cantavam olhando constantemente para a letra da música escrita numa faixa presa a duas hastes, dando a impressão de terem acabado de aprender a música e de não estarem familiarizados com as palavras. A maioria das pessoas que haviam recebido a comitiva nos Estados Unidos eram mulheres. Em São Paulo, no entanto, mais da metade eram homens, muitos dos quais imigrantes japoneses que trabalhavam na lavoura. Esses companheiros, com o rosto queimado de sol e os olhos marejados de lágrimas, estavam entoando a canção que tinham acabado de aprender com todo o coração. Ao considerar que todas aquelas pessoas o estavam aguardando havia horas, Shin’ichi encheu-se de incontida emoção e carinho por elas”.15 Essa data, que marca a chegada de Shin’ichi Yamamoto ao Brasil em sua primeira visita ao país, é considerada o Dia da Fundação da BSGI.

Imigração japonesa no Brasil

Em 1908, a imigração japonesa no país iniciou com a chegada do navio Kasato Maru (na ilustração) ao porto de Santos, trazendo 781 imigrantes. Esse movimento surgiu de interesses comuns entre os dois países: o Japão enfrentava dificuldades decorrentes do crescimento populacional, o Brasil necessitava de mão de obra para o trabalho agrícola. A maioria dos imigrantes foi destinada às fazendas de café. Muitos deles enfrentaram desafios como as diferenças de idioma e cultura, a adaptação a uma nova realidade e as condições difíceis de trabalho. Durante a Segunda Guerra Mundial, os imigrantes japoneses tiveram de lidar com restrições e dificuldades, como o preconceito. Após o conflito, porém, fortaleceram suas raízes no país e contribuíram para a formação da maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão.16

CARTAS DE INCENTIVO No dia 20 de outubro de 1960, Shin’ichi anuncia a criação de um distrito no Brasil, o primeiro fora do Japão. Já passava da meia-noite quando retornou ao hotel. Apesar do extremo cansaço físico, ele começa a escrever uma carta de incentivo a um membro do Japão. Na verdade, ele escreve várias cartas naquela noite. Mesmo debilitado fisicamente, seu coração vibrava de alegria e satisfação por estar no Brasil e por poder abrir um novo caminho para o desenvolvimento do kosen-rufuno lugar de seu querido mestre, Josei Toda. Sua alegria e espírito de luta se tornam um brado ardente pelo kosen-rufu que retumbava em todo o seu ser e o motivava a escrever folhas e mais folhas de incentivo. A um responsável de distrito ele escreve: “Neste momento, meu único pensamento é realizar o desejo do presidente Josei Toda dedicando-me totalmente ao estabelecimento da base do kosen-rufu, ainda que à custa da própria vida. O mais importante neste empreendimento são as pessoas — pessoas de grande capacidade. Peço ardentemente que o senhor se una a mim nesta tarefa e trilhe com coragem o caminho de sua missão até o fim. Solicito também que, em meu lugar, cuide com carinho de todos os membros de seu distrito, conduzindo-os dessa forma à felicidade”.17

Notas:

1. Shin’ichi Yamamoto: Pseudônimo do presidente Ikeda no romance Nova Revolução Humana

2. Brasil Seikyo, ed. 2.474, 6 jul. 2019, p. 24.

3. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 45, 2019.

4. Ibidem, p. 60.

5. Fonte: IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, 2019.

6. https://humanidades.com/guia-guerra-fria/ Acesso em: 12 ago. 2026.

7. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 94, 2019.

8. Ibidem, p. 110.

9. Ibidem, p. 160.

10. https://www.loc.gov. Acesso em: 12 ago. 2026

11. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 128, 2019.

12. Ibidem, p. 192.

13. Ibidem, p. 214.

14. Ibidem, p. 238.

15. Ibidem, p. 224.

16. https://bunkyo.org.br/br/museu-historico/. Acesso em: 12 ago. 2026.

17. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 1, p. 234, 2019.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS 

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