A solidão pode aparecer mesmo quando estamos cercados de pessoas; entenda por que isso acontece e o que fazer

ROTANEWS176 04/09/2026 08:30

Por Thyago Murad

Sentir solidão mesmo cercada de pessoas é possível. Entenda a diferença entre solidão e isolamento e veja quando buscar ajuda e como fortalecer vínculos.

Reprodução/Foto-RN176 A sensação de solidão quando se está cercado de pessoas pode ser algo recorrente. – Reprodução / Freepik

Se você tem muitos amigos por perto, conversa, ri, responde mensagens e ainda assim se sente completamente sozinha, calma! Embora essa sensação possa parecer contraditória e difícil de explicar, na realidade, a ciência dá razões para isso. 

A solidão mesmo cercada de pessoas pode acontecer porque estar fisicamente próximo de outras pessoas não significa, necessariamente, sentir conexão com elas. A quantidade de contatos também não garante que exista espaço para falar sobre o que você sente, ser ouvida ou simplesmente se sentir pertencente.

A diferença entre solidão e isolamento social ajuda a entender esse fenômeno. Enquanto o isolamento está relacionado à falta objetiva de contatos sociais, a solidão é uma experiência subjetiva. Ela pode aparecer quando existe uma distância entre as relações que uma pessoa gostaria de ter e aquelas que ela percebe ter.

Por isso, alguém pode ter muitos amigos, familiares, colegas de trabalho ou seguidores nas redes sociais e, mesmo assim, sentir falta de uma conexão mais profunda.

Por que é possível sentir solidão mesmo cercada de pessoas?

Ter companhia não é a mesma coisa que se sentir acompanhada, viu? Na verdade, uma pessoa pode passar o dia inteiro conversando com outras pessoas e ainda perceber que nenhuma dessas interações permite mostrar o que realmente está acontecendo dentro dela.

Essa diferença entre quantidade e qualidade dos vínculos aparece também nas pesquisas. Um estudo sobre solidão em adultos de 18 a 70 anos identificou que a qualidade percebida das conexões interpessoais, e não apenas a quantidade delas, estava associada à saúde mental.

É por isso que ter uma agenda cheia não necessariamente impede a solidão. Conversas superficiais, relações mantidas apenas por obrigação ou a sensação de precisar esconder partes de si podem deixar uma pessoa desconectada mesmo quando ela está constantemente na companhia de outras.

A psicóloga e psicanalista Fernanda Tavares explica que esse sentimento pode surgir justamente quando existe um desencontro entre o que a pessoa vive internamente e aquilo que consegue compartilhar com quem está ao redor. Para ela, o que importa não é apenas a quantidade de vínculos, mas a possibilidade de existir neles com autenticidade e vulnerabilidade.

Solidão e isolamento social não são a mesma coisa

Embora esses dois conceitos possam figurar juntos, eles não significam exatamente a mesma coisa. A solidão está ligada à percepção de que as necessidades de conexão não estão sendo atendidas. Já o isolamento social envolve uma falta mais objetiva de contatos e relações significativas.

Isso explica duas situações que podem parecer opostas. Uma pessoa pode morar sozinha, ter poucos contatos e não se sentir solitária. Outra pode viver com familiares, trabalhar em um ambiente movimentado e manter uma vida social ativa, mas experimentar uma sensação intensa de solidão.

A psicóloga Fernanda Tavares, em matéria do portal ParanaíbaMais, faz uma distinção semelhante ao falar sobre solitude. Estar sozinho por escolha pode ser uma experiência saudável de recolhimento. Nesse caso, a pessoa consegue aproveitar a própria companhia, descansar, organizar os pensamentos ou simplesmente ter um tempo para si.

A solidão sofrida é diferente. Ela envolve desamparo e sensação de não pertencimento. O afastamento deixa de ser uma escolha e pode se tornar uma maneira de evitar situações que provocam ansiedade, dor ou insegurança.

Em outras palavras, o problema não é simplesmente estar sozinha. É sofrer por se sentir desconectada.

Como saber se a solidão está passando do limite?

Se sentir só de vez em quando não significa necessariamente que existe um problema, o alerta deve ligar quando esse sentimento se torna persistente e começa a modificar o comportamento.

Alguns sinais podem aparecer aos poucos. A pessoa pode perder o interesse por atividades que antes davam prazer, cancelar compromissos com frequência ou começar a evitar interações. Também podem surgir respostas muito curtas, distanciamento emocional e irritabilidade diante de tentativas de aproximação.

Mudanças importantes no sono, na alimentação e nos cuidados pessoais também merecem atenção. Isso não significa que qualquer uma dessas mudanças seja causada pela solidão. É preciso observar o conjunto e o contexto de cada pessoa.

Ainda assim, quando o afastamento começa a comprometer estudos, trabalho, relações ou tarefas cotidianas, vale considerar a busca por ajuda profissional.

O que fazer quando a solidão aparece?

Para quem percebe que a solidão está se tornando parte do seu cotidiano, Fernanda Tavares sugere pequenos movimentos. Por exemplo, responder uma mensagem que foi deixada de lado, ligar para alguém de confiança ou cumprimentar um vizinho podem ser formas simples de reabrir o contato com outras pessoas.

Pode parecer pouco Mas o objetivo não é preencher imediatamente a agenda. É criar oportunidades de conexão que façam sentido. Outra possibilidade é procurar atividades que tenham algum interesse pessoal envolvido. 

Praticar uma atividade física em grupo, aprender algo novo ou participar de uma comunidade relacionada a um hobby são estratégias citadas em uma reportagem do UOL VivaBem sobre solidão.

A qualidade dessas experiências importa. Uma conversa realmente significativa pode ter mais impacto do que passar horas acompanhada sem conseguir falar sobre aquilo que importa.

Quando procurar ajuda profissional?

A solidão merece atenção profissional quando deixa de ser apenas um período de recolhimento e passa a causar sofrimento significativo ou interferir na vida cotidiana. Entre os sinais que merecem a sua atenção estão sensação persistente de vazio ou desamparo, perda de sentido na própria existência, dificuldade para realizar tarefas básicas, prejuízos nos estudos ou no trabalho e alterações importantes no sono. 

FONTE: SELEÇÕES

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