Acreditar em si e nos outros
ROTANEWS176 22/08/2026 09:15
CONEXÃO JUVENTUDE SOKA

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria
Empatia, respeito e diálogo são elementos fundamentais para construir relações mais humanísticas e uma sociedade que almeja a felicidade das pessoas. Ao observarmos a realidade atual, porém, a descrença e o ceticismo sobre a capacidade de as pessoas fazerem o bem podem ser enfraquecidos, o que desanima nosso espírito e nos desmotiva a ter iniciativas positivas que façam a diferença na sociedade.
Podemos pensar que os fatores externos são os responsáveis por nos sentir dessa maneira; porém, esse comportamento é reflexo da condição de vida que cultivamos internamente.
Cenário atual
Em relação ao atual cenário do mundo, você consegue acreditar na construção de um futuro positivo ou tende a se sentir descrente com a humanidade?
Acreditar no compromisso das pessoas em construir uma sociedade que busque o bem-estar de todos é cada vez mais desafiador, e a tendência à desconfiança e à apatia é estatisticamente mais comum entre as gerações mais jovens.
Envolto por esses sentimentos, como é possível fazer diferente?
Mestre como exemplo
Quando as circunstâncias nos fazem repensar no que realmente acreditamos, precisamos manifestar o espírito de procura de seguir o exemplo do Mestre. Durante a infância, o presidente Ikeda e sua família viveram momentos de muitas adversidades com os horrores da Segunda Guerra Mundial. Eles tiveram de enfrentar a escassez de alimentos, assistir à destruição do lar pelos bombardeios e ver os quatro irmãos mais velhos serem enviados para o campo de batalha.
Kiichi, irmão mais velho de Ikeda sensei, foi uma das vítimas da tentativa fracassada do Japão de dominar uma região no noroeste da Índia, por meio da Birmânia [atual Mianmar]. Ele faleceu aos 29 anos.
Assumir a missão
Apesar de lidar com os resultados da guerra, ao se converter ao Budismo de Nichiren Daishonin em 1947, Ikeda sensei encontrou um grandioso propósito de vida. Assim, mesmo encarando muitas dificuldades, não duvidou nem por um instante do potencial que existia dentro dele, e, em vez de manifestar raiva ou revolta diante de sua inestimável perda, suportou o próprio sofrimento e avançou para ajudar as outras pessoas.
Fazer do seu próprio sofrimento a causa para construir um grande bem, sem duvidar do seu potencial de vencer as tendências negativas, traduz o princípio budista de “transformar o carma em missão”.
O objetivo do budismo é criar uma condição interior inabalável na qual seja possível vencer os impulsos diários do coração e evidenciar o que existe de melhor dentro de si para construir uma existência de valor. Assim, temos a capacidade de iluminar e transformar o ambiente em que estamos. À medida que nós mudamos, tudo muda.
Vencer a si mesmo
No capítulo “Alto Mar”, do volume 22, da Nova Revolução Humana,¹ conhecemos a história de Shariputra, um dos dez principais discípulos do buda Shakyamuni e que, apesar de acreditar no potencial iluminado das pessoas, abandonou a prática do bodisatva, como o presidente Ikeda relata:
Em existências passadas, Shariputra praticou o caminho do bodisatva por um período de sessenta kalpa,2 realizando oferecimentos às pessoas. Quando um brâmane apareceu e pediu-lhe um de seus olhos, Shariputra reagiu entregando-lhe o que ele havia lhe solicitado. O brâmane cheirou o olho e, declarando que fedia, atirou-o ao chão e o esmagou. Isso convenceu Shariputra de que era impossível salvar pessoas daquele tipo e, em vez disso, deveria se concentrar em buscar somente a própria salvação. Apesar de ter realizado a prática da mendicância durante sessenta kalpa, Shariputra abandonou a prática do bodisatva e resvalou para os ensinamentos do Hinayana. Esse é um exemplo de apostasia da fé.
A atitude do brâmane foi tão cruel e arrogante que a reação de Shariputra poderia parecer lógica da perspectiva comum. Mas o budismo ensina que a Lei existe dentro do coração de cada pessoa e não analisa os fatos a partir de um prisma relativo, no qual se leva em conta apenas se as circunstâncias de uma pessoa são boas ou más. Do ponto de vista da eterna e indestrutível Lei da vida, tudo o que importa é aquilo que a pessoa faz a si mesma, o fato de ela vencer, ou não, a si mesma. Esse é o parâmetro de tudo.
O coração de Shariputra estava sendo testado quando o brâmane lhe pediu o olho, jogou-o no chão e pisoteou-o. Shariputra praticara por muitos kalpa, mas no momento crucial não foi capaz de acreditar na verdade profunda do budismo de que todas as pessoas possuem o potencial para atingir o estado de buda. Ele foi incapaz de manter a convicção no princípio fundamental do Sutra do Lótus de que todos os seres vivos são dotados da natureza de buda. Ao encontrar aquela má influência, a escuridão fundamental manifestou-se em seu coração e perturbou sua fé nas verdades do budismo. No momento decisivo, Shariputra se esqueceu essencialmente dos ensinamentos de Shakyamuni e foi derrotado pela própria negatividade.
Ponto primordial
Nos diferentes lugares em que vivemos, podemos passar por experiências nas quais o sentimento de descrença com os outros aflora, criando uma sensação de desesperança com o futuro e ressentimento com os demais.
Apesar disso, o Budismo de Nichiren Daishonin elucida o potencial inerente às pessoas de alcançarem o estado de buda e atingirem a iluminação. Portanto, não duvidar dessa verdade é fundamental para cultivar um eu que transforme e supere as tendências negativas que se manifestam na vida, sem deixá-las ditar seu comportamento.
Ao fazermos isso, abandonamos o sentimento de rancor e de desconfiança pelos outros e reconhecemos o potencial iluminado de todas as pessoas, considerando-as, portanto, dignas do mais elevado respeito e possuidoras do direito de ser felizes. Isso nos permite manifestar sabedoria e benevolência para conduzir as situações da melhor maneira e assumir iniciativas que geram mudanças positivas nos locais em que vivemos.
Diariamente somos desafiados por circunstâncias que tentam nos impedir de manifestar o estado de buda e manter a esperança no potencial positivo das outras pessoas, seja quando observamos situações da sociedade, seja quando experimentamos relacionamentos interpessoais, no trabalho e na família. Entretanto, por meio da prática do daimoku e do gongyo, dos estudos e do exemplo do Mestre, podemos construir uma condição interior que vence a si mesma e constrói a realidade que desejamos e um futuro de felicidade para todas as pessoas.
Notas:
1. IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 22, p. 214-215, 2019.
2. Kalpa(sânscrito): Na cosmologia indiana da antiguidade, indica um período extremamente longo.
Entrevista
Transformar sonhos em realidade
Conheça a história do Gleyton de Oliveira Gall, responsável pela Juventude Soka do Distrito Parque Suécia, no Rio de Janeiro, e educador físico. Descubra como ele superou seus desafios e se mantém incentivado a fazer a diferença na sociedade.

Reprodução/Foto-RN176 Gleyton de Oliveira Gall
Brasil Seikyo: O que o inspirou a seguir a carreira de educador físico e como superou os desafios durante o percurso?
Gleyton de Oliveira Gall: Desde a infância, cresci como membro da RM Belford Roxo e ainda permaneço no mesmo distrito. Fui me desenvolvendo e, hoje em dia, sou líder da Juventude Soka do distrito.
Quando terminei os estudos, não fazia ideia de qual carreira seguir. Era um adolescente tímido, mas amava dançar. Treinava muito em casa e, depois de um ano formado na escola, decidi entrar em uma academia de dança.
Além da dança, gostava muito de ginastica artística, pois desejava incluir em minhas coreografias alguns saltos mortais, para aumentar o nível de dificuldade delas. Assim, ingressei em um ginásio de ginástica artística.
Depois de dois anos praticando a ginástica artística como hobby junto com a dança de forma profissional, percebi que a área que queria seguir era a de profissional de educação física.
BS: Diante do cenário da sociedade, o que o inspira e orienta a continuar se dedicando mesmo em meio às dificuldades, desempenhando ações parar motivar os jovens e criar valores no dia a dia? Há alguma orientação do presidente Ikeda que o incentiva nesses aspectos?
Gleyton: Passei por muitos desafios durante esse período de estudos: pandemia, ansiedade e, principalmente, conseguir conciliar o trabalho com as atividades da organização e outras atribuições. Era muita loucura. Mas passei por tudo isso e agora estou aqui, pleno!
Atualmente, sou formado com diploma em licenciatura e bacharelado, atuando como professor e treinador de ginástica artística.
O que me inspira a continuar seguindo sempre em frente são meus sonhos. O fato de ver as crianças e os jovens sonhando me traz a energia de que preciso para avançar acreditando na sociedade.
Quando era criança, sonhava muito e depois de crescido ainda continuo sonhando. Isso me proporcionou experiências maravilhosas na vida.
Ikeda senseidiz que alimentar sonhos é um direito de todos e funciona como asas para a vida. Aprendi com ele que o primeiro passo é desenhar o sonho no coração, sem medo de parecer pequeno ou vago. A concretização exige coragem, prática constante e o uso da fé budista para transformar esperança em realidade. Esse incentivo me motivou bastante a me manter firme para realizar meus sonhos.
BS: Qual dica você daria a um jovem que passa por adversidades como você passou?
Gleyton: Mantenha-se firme em sua caminhada. A maldade aparecerá a todo momento, mas, como bons discípulos de Ikeda sensei, aprendemos a superar os obstáculos e a transformar as dificuldades em oportunidades para nos desenvolver ainda mais.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS


Publicar comentário