A sustentabilidade é jovem
ROTANEWS176 12/09/2026 08:35
NOTÍCIA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
Instituto Soka Amazônia sedia encontro com especialistas e cria ambiente para a potência e a criatividade dos jovens, ampliando o conceito da revolução humana
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“Os jovens são uma força pulsante para uma mudança inovadora e positiva; eles fervilham energia e vitalidade. Nada é mais maravilhoso que isso.”1 Essa defesa enfática é do pacifista Dr. Daisaku Ikeda (1928–2023), que não conheceu a Amazônia, seu grande sonho, mas lançou ali as sementes da esperança, com a criação do Instituto Soka Amazônia, localizado numa das paisagens mais emblemáticas: o Encontro das Águas dos Rios Negro e Solimões, em Manaus, AM.
E foi nesse local que a construção de uma cultura de paz se fez viva, durante o Amazonian Youth Summit – Educação, Sustentabilidade e Cidadania Global, nos dias 31 de agosto e 1º de setembro. Instituições, especialistas de diferentes áreas do conhecimento e jovens comprometidos reuniram-se com a proposta de repensar o futuro do planeta, a partir da Amazônia e além dela, encontrando novos caminhos para a sustentabilidade tão almejada pela humanidade.
“Um dos princípios do Dr. Ikeda é que precisamos criar essa consciência da coexistência entre a pessoa e o meio ambiente,” enfatizou Luciano Gonçalves, presidente do Instituto Soka Amazônia, reforçando o caráter da atividade ao reunir, em um mesmo espaço, diferentes atores interessados em pensar o presente e o futuro da região.
Entre os convidados internacionais, participaram expoentes da discussão socioambiental, como Mirian Vilela, diretora-executiva da Carta da Terra Internacional; Silvia Zimmermann del Castillo, copresidente do Clube de Roma; e Nobuyuki Asai, diretor de Desenvolvimento Sustentável e Assuntos Humanitários do Escritório de Paz da SGI. Estiveram presentes, também, instituições parceiras, organizações da sociedade civil, especialistas e convidados. Acompanhe!

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Caráter colaborativo
Durante esses dois dias, os convidados internacionais e especialistas debruçaram-se sobre a temática, trazendo efetivas contribuições. A Carta da Terra Internacional apresentou uma reflexão sobre a importância de referências éticas diante da crise ambiental. Mirian Vilela, representante da organização, identificou como desafios “Diminuir nosso analfabetismo ecológico e nosso analfabetismo ético, porque temos cada vez mais pessoas com acesso à educação, mas não necessariamente alfabetizadas do ponto de vista ecológico ou ético”. Ela reforçou que a Carta da Terra pode ser definida como uma “bússola ética”, capaz de apoiar processos de reflexão e tomada de decisão.
A relação entre a Carta da Terra Internacional e a SGI tem uma trajetória anterior ao Summit. Mirian destacou o papel da SGI nos processos de consulta realizados durante a elaboração do documento. Outro exemplo de parceria é a exposição Sementes da Esperança e Ação e a afiliação do instituto em 2023.
De expressão mundial, o Clube de Roma integrou-se às discussões com Silvia Zimmermann del Castillo compartilhando reflexões relacionadas à jornada do grupo, que trouxeram luz ao debate de como conciliar produção, consumo e desenvolvimento em um planeta com recursos finitos. Ao recuperar experiências de diálogo entre diferentes pensadores, Silvia chamou a atenção para um importante aspecto: “Não se pode mudar ou curar a crise que o planeta e a humanidade atravessam apenas pela tecnologia ou apenas pela ciência. […] É necessário desenvolver uma dimensão que precisa ser recuperada, que é a dimensão humana”, enfatizou. Uma colocação de contato direto com o propósito do Instituto Soka Amazônia e com a filosofia do seu fundador.
A revolução do coração
Nas palavras de Nobuyuki Asai, ele destacou a importância da revolução humana, tema que, cada vez mais, ganha força entre muitos intelectuais e ativistas da paz. Como exemplo, referiu-se ao Dr. Aurelio Peccei, fundador do Clube de Roma, com quem o Dr. Daisaku Ikeda encontrou-se em cinco ocasiões, lançando em parceria a obra Antes que Seja Tarde Demais, com versão em português, publicada pela Editora Brasil Seikyo.
Com a principal crença de que tudo começa no coração humano, Asai defendeu a revolução humana como força capaz de criar uma efetiva cultura de paz. Ele citou exemplos de atitudes cotidianas, tais como melhorar o hábito de acordar cedo pela manhã ou diminuir as reclamações no dia a dia. “Isso já constitui uma revolução”, declarou. Além do mais, disse que se considera necessária, diante dos inúmeros e graves desafios globais do mundo contemporâneo, uma revolução humana voltada para o desenvolvimento de cidadãos globais, conscientes do seu papel no futuro do planeta.
“Acreditamos que, quando unidos em um torno de um nobre propósito, os seres humanos são capazes de feitos extraordinários”, afirmou Asai, que participou do encontro ao lado de Kiyoshi Akasu, também do Escritório de Paz da SGI. Ambos destacaram a contribuição da organização ao oferecer propostas para questões globais.
João Carlos Jr., diretor ambiental do Instituto Soka Amazônia, consolidou essa visão ao responder sobre os principais desafios ambientais e sociais da atualidade. “A solução é só uma: são as pessoas. […] Todos nós somos um enorme poder de transformação”, complementa.Essa abordagem também se conecta com o próprio conceito de sustentabilidade trabalhado pela instituição (veja no quadro).
Como experiência internacional, Shinjiro Sato, professor e representante da Universidade Soka do Japão, apresentou uma iniciativa que une educação, tecnologia e meio ambiente, o curso Green Tecnology, aberto em abril último.
Nota:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.322, 7 maio 2016, p. B2.
Quando o território também ensina
A articulação proposta pelo Summit parte de uma experiência concreta construída pelo Instituto Soka Amazônia ao longo de sua trajetória: a compreensão de que conservação, pesquisa e educação ambiental podem acontecer de maneira integrada. Coube ao diretor ambiental João Carlos Jr. as exposições e a atuação também como mediador dos painéis e debates no decorrer dos dois dias do encontro.
A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Dr. Daisaku Ikeda) mantida pela instituição, reúne áreas de floresta, iniciativas de restauração, monitoramento da biodiversidade, produção de mudas, apoio à pesquisa científica e programas de educação ambiental. Durante a programação, os participantes puderam conhecer de perto parte desse trabalho e observar como o próprio território se transforma em espaço de aprendizagem. A área também guarda registros da presença humana anterior à ocupação mais recente.
O Instituto Soka Amazônia trabalha com uma visão em que a conservação da biodiversidade está diretamente conectada à educação. Mais de 25 mil estudantes passaram pelas atividades de educação ambiental desenvolvidas pela instituição ao longo de doze anos. Atualmente, uma média de 240 estudantes participa das ações a cada mês.
“Em todas as nossas atividades, respiramos educação ambiental. Toda a reserva respira educação. Tudo aqui é uma sala de aula,” reforça o diretor João Carlos Jr.
Juventude assume o palco
Ideathon abre espaço para intercâmbio
O Ideathon da Juventude Amazônica integrou cerca de sessenta jovens. Entre os participantes estavam estudantes universitários, jovens envolvidos em projetos socioambientais e alunos da Universidade Soka da América.
Como transformar desafios presentes na Amazônia em possibilidades de ação foi a questão proposta aos participantes, organizados em cinco grupos de trabalho.
No grupo “Amazônia Viva”, a discussão esteve voltada para a biodiversidade e para a conscientização ambiental em comunidades ribeirinhas, rurais e urbanas. Entre as propostas estão oficinas de artesanato com materiais recicláveis e outras ações educativas sobre gestão de resíduos. O descarte inadequado também mobilizou o grupo “Responsabilidade”. Os jovens discutiram o desenvolvimento de uma solução tecnológica para auxiliar o processo.
De outro ponto de vista, o grupo “Juventude e Ação”lançou luz sobre a evasão de jovens em busca de oportunidades de trabalho nos grandes centros. O grupo propôs o desenvolvimento de um plano de turismo de base comunitária, oportunizando perspectivas profissionais em sua comunidade.
A relação entre território, identidade e conhecimento orientou as discussões do grupo “Justiça e Povos”. O ponto de partida foi a necessidade de valorizar a memória, os saberes e as narrativas de povos indígenas e comunidades tradicionais. A proposta envolve atividades com crianças e escolas.
Já o grupo “Consciência e Cidadania Global” reuniu diferentes dimensões da sustentabilidade, com ideias que abrangem desde gestão de resíduos até iniciativas de turismo sustentável e educação ambiental, entre outras.
Cases apresentados
Aos 18 anos, Harlianny da Costa Freitas, de Manaus, levou ao Summit o Genius Inovação, projeto idealizado por ela voltado para inclusão, educação e capacitação de jovens e comunidades de baixa renda. Dentro do projeto, Harlianny desenvolveu também o conceito de uma plataforma gamificada que associa práticas de reciclagem ao acesso à formação. Em outra frente, Tarciana do Rosario de Souza, de 23 anos, graduanda em licenciatura em ciências biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), é bolsista do Projeto Primatas, que tem como dos principais focos o sauim de coleira, espécie ameaçada de extinção e reconhecida como mascote de Manaus.
A diversidade de experiências reforçou o diálogo como um dos elementos centrais da metodologia do Summit. Ao recuperar uma reflexão de Daisaku Ikeda durante a abertura, Luciano Gonçalves destacou o significado do diálogo como construção compartilhada de sentidos.



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