ROTANEWS176 E POR JORNAL BRASIL SEIKYO 06/02/2021 16:55
CADERNO NOVA REVOLUÇÃO HUMANA
Capítulo “Origem”, volume 29
PARTE 61
O governador Singh falava, lamentando-se:
— Essa humanidade que, originalmente, deveria ser única, está hoje fragmentada por diversas barreiras como a nacionalidade, a etnia, e a posição social. Para construir uma verdadeira paz, indestrutível, é necessário quebrar as barreiras da separação entre pessoas criadas pelo próprio ser humano.
— É isso mesmo. É exatamente como o senhor menciona!
De repente, Shin’ichi lançou-se na dianteira do diálogo, e disse:
Reprodução/Foto-RN176 Desenho de ilustração da Editora Brasil Seikyo – BSGI
— Qual foi a coisa mais triste com que se defrontou ao longo de sua dedicação pela paz e prosperidade da Índia?
— Foi o fato de muitas pessoas terem se esquecido dos ensinamentos e das religiões pregados por grandiosos pensadores da Índia, tais como Shakyamuni e Gandhi, apenas alguns anos depois da independência da Índia com o término do domínio inglês. Em particular, a religião é de suma importância para a humanidade, e ela sempre foi um grande patrimônio da Índia, de orgulho para a história do homem. Porém, o mundo e a própria Índia, um país espiritual, se esqueceram desse ponto e tenderam a uma civilização materialista. Esse é um fato bastante triste tanto para a história da humanidade como para a civilização espiritual da Índia.
Quando se perde a religiosidade que sustenta o aspecto espiritual, as pessoas se tornam escravas dos desejos e atraem para si o descontrole da natureza animalesca.
O governador acrescentou:
— Gandhi me ensinou que, em primeiro lugar, a política requer a religião.
Na política, é necessário haver princípios como compaixão e benevolência. Além disso, como a política é acompanhada de poder, os políticos devem polir os métodos para controlar o próprio coração. Portanto, a religiosidade é imprescindível.
— Em segundo lugar, ele nos indicou o modelo prático da ação de “penetrar em meio às pessoas” e de “aproximar-se das pessoas”.
Não há política afastando-se do povo. O diálogo persistente com o povo se torna a força para mudar a época.
— Em terceiro lugar, é a humildade.
A postura da determinação de ser humilde ou arrogante define o sucesso ou o fracasso, e a felicidade ou a infelicidade na vida. A arrogância libera seu próprio desejo e seu coração maldoso, e desencaminha as pessoas. O budismo é a força do autocontrole para destruir a arrogância.
Foi um inesquecível diálogo em que houve mútua ressonância espiritual.
PARTE 62
Os líderes da Índia com quem Shin’ichi dialogou nessa viagem se responsabilizavam pela grande nação, herdando o pensamento e a espiritualidade de Mahatma Gandhi. Apesar de Gandhi ter sido baleado, todos esses líderes, que eram seus companheiros e discípulos, mantinham-no igualmente no coração. Enquanto esse espírito continuar a irrigar o grande solo da Índia, esse país continuaria sendo a grande nação espiritual. Essa era a reflexão de Shin’ichi.
Após deixar a residência oficial, despedindo-se do rosto sorridente do governador Singh, a comitiva de Shin’ichi visitou o Memorial Victoria. Era uma bela edificação de mármore branco construída no início do século 20 em homenagem à rainha Victoria da Inglaterra que havia servido no império da Índia.
Quando acabaram de visitar e saíram do memorial, um grupo de crianças do quarto ou quinto ano do ensino fundamental 1 iria fazer a visita ao edifício conduzido por professores. Nessa ocasião também, as crianças rodearam Shin’ichi em um diálogo.
Em seguida, a comitiva foi de carro para a Universidade Rabindra Bharati, da qual o governador Singh era reitor, onde seria realizada a doação de livros. Essa instituição está construída no local que era a residência da família do grande poeta Tagore. É um castelo da educação que herdou o espírito e o pensamento do poeta.
Além de poesias, Tagore escreveu romances e peças teatrais. E ainda, era um artista com diversas qualidades em música e pintura, além de ser pensador e educador. Foi também um eminente bengalês, o primeiro asiático a receber o Prêmio Nobel de Literatura e, ao mesmo tempo, um cidadão do mundo pela sua proposta de integrar o Oriente com o Ocidente.
Ele dava voz ao povo da Índia, que sofria as pressões dos tiranos, com poemas que retratavam a paz e a vitória humana. Aos 40 anos, perdeu sua amada esposa e também seus filhos. Antes mesmo que cessassem suas lágrimas de tristeza, dedicou sua vida ao movimento contra a separação de Bengala, sua terra natal, promovido pela Inglaterra. Assim, viveu em meio às tempestades de sofrimentos e de dificuldades.
Não há vida sem tristezas. Viver significa superar as tristezas e conquistar a alegria. Esse era o brado espiritual do grande poeta.
Os poemas dele abraçam a vida de todas as pessoas e as encorajam.
É notório o fato de a letra e a música do hino nacional da Índia serem de autoria de Tagore. Mas o hino nacional de Bangladesh, que se tornou independente do Paquistão, intitulado Minha Dourada Bengala, também foi composto por ele.
O personagem do presidente Ikeda no romance é Shin’ichi Yamamoto, e seu pseudônimo,