ROTANEWS176 30/08/2025 07:45
RELATO DIRETO DA REDAÇÃO JORNAL BRASIL SSEIKYO = JBS
Ao superar doenças físicas e mentais e encontrar sua missão profissional, a mineira Rosilene segue inspirando vidas

Rosilene Reis Oliveira, na BSGI, é vice-responsável pela Sub. Minas Sul, CRE Leste, e vice-coordenadora educacional Polo Minas – Fotos: Arquivo pessoal
As conexões de vida são transformadoras. Sou Rosilene Reis Oliveira, 59 anos, e moro na cidade mineira Nova Lima desde os 2 anos. Foi nesse local que ressignifiquei minha existência. Conheci meu marido, William, quando tínhamos 16 anos. Ele já praticava o budismo. Eu fui contra e logo pedi para que escolhesse entre o budismo e eu. A resposta veio na hora: “Desculpe, mas não vou deixar de praticar o budismo, pois desejo a minha felicidade e a sua também”. Aquilo me calou forte. Recordo-me também com carinho de uma jovem que me incentivava constantemente na época. Assim, encontrei Ikeda sensei no meu coração ao ler o Brasil Seikyo. É para mim uma bússola, porque concentra o coração do Mestre.
William e eu nos casamos numa linda cerimônia budista e meus familiares que não me apoiaram na época estiveram presentes e felizes. Meu marido completou quarenta anos de Soka Gakkai e eu 36. Trago alguns episódios.
Prolongar a vida
É um grande sofrimento perder pessoas amadas. Meu pai faleceu de aneurisma no quinto mês da minha gravidez do Dênis, filho amado. Em 2005, num curto espaço de tempo se foram minha mãe e dois irmãos, estes na faixa dos 40 anos. Todos de infarto fulminante. No meio de tudo, surgiram várias manifestações de doença. Eu tive dois episódios de trombose, embolia pulmonar, diagnóstico de lúpus, entre outros. A depressão tentou se instalar. Precisava ser forte e, com a prática do Nam-myoho-renge-kyo e o apoio dos companheiros, venci.

Reprodução/Foto-RN176 Com a família harmoniosa
Com essas mortes repentinas, meu angiologista descobriu que tenho trombofilia (predisposição para formação de coágulos). Por meio de pesquisa de DNA, descobriu-se que meu pai, minha mãe e meus irmãos tinham essa doença, e por isso eles faleceram jovens. Transformei veneno em remédio. Com essa descoberta a tempo e medicamentos, pude prolongar minha vida. Meu carma agora se transformou em missão.
Profissão como palco
Lecionei muitos anos em escola rural. Com base no humanismo Soka, decidi extrair o potencial de cada aluno. Mas minha real missão se completaria na profissão de agente de saúde e conquistei vaga num concurso público. Em parceria com escolas municipais e estaduais, levamos temas como prevenção ao suicídio, cuidados com a saúde, alimentação e outros. Mas o coração queria mais, pois, ao praticar o budismo, a vida se agiganta de um tanto!
Voltar um “cadinho” na história. Quando recebemos a função de responsáveis pela comunidade, nos foi proposto realizar reuniões de bloco em casa. Fiquei superfeliz pela confiança. Porém, fiquei preocupada sobre oferecer nossa residência, uma vez que não havia cadeiras nem lugar apropriado. O líder disse a frase mágica, um dito dourado do buda Nichiren Daishonin: “O que importa é o coração”.1 Decidimos na hora. Então, maravilhosos encontros se deram ali, mesmo com bancos improvisados. Hoje, nossa casa tem catorze cômodos. Precisamos viver com uma vibrante esperança. Nada é mais forte que a esperança. A felicidade pertence àqueles que nunca se desesperam, não importa o que aconteça. Assim pulsa meu coração.
Desde 2015, minha família e eu abrimos as portas do Kaikan Era da Paz. Além das reuniões, são promovidas ações educativas para toda a comunidade. Uma equipe multidisciplinar do Núcleo de Assistência Social da cidade oferece acompanhamento para crianças de até 5 anos, possibilitando diagnósticos de autismo e outros transtornos. As mães também são acompa-nhadas, e há um grupo de senhoras e de jovens que aprendem o crochê. Tudo com efeito na saúde mental. Este ano [2025] completo vinte anos de atuação como agente de saúde e tenho construído minha história como educadora Soka na saúde. Quanta gratidão!
Sabedoria para a mente
O sofrimento faz parte da vida, mas ele não pode ser maior que a esperança. Superei a perda de pessoas amadas, pois o som do Nam-myoho-renge-kyo é capaz de iluminá-las. No ano passado, meu marido sofreu um infarto. Erradicamos o mau carma.

Reprodução/Foto-RN176 Na sede particular que oferece para atividades Soka e da sociedade
O socorro chegou a tempo e, após breve internação e procedimentos, ele veio para casa. Por conta das perdas do passado e do momento sofrido com meu marido, a depressão se manifestou fortemente. Fui em busca de ajuda profissional e as medicações foram necessárias no início, mas logo tive alta.
A boa sorte se manifesta sempre e por essa razão eu me sinto hoje na melhor fase da vida. Dênis, 31 anos, nos deu uma linda netinha. Ele lidera a Juventude Soka na RM Zona da Mata. E conquistou um emprego que lhe permite estar trimestralmente em Nova Lima. Meu trabalho é maravilhoso. Como agente de saúde, faço visitas todos os meses para 178 famílias em suas casas, tendo oportunidade de incentivá-los a prevenir doenças. Na Gakkai, junto com meu marido, que está muito bem e saudável, fazemos muitas visitas na cidade e nas regiões que integram a nossa base. É o momento mais esperado por nós: encontrar as pessoas e, olhando diretamente nos olhos delas, dizer quanto são valorosas. Quanto podem ser felizes. É uma experiência que trago do começo da minha prática. Não desistiram de mim. Seguirei fazendo o mesmo. Muitíssimo obrigada!
Rosilene Reis Oliveira, 59 anos. Agente de saúde. Na BSGI, é vice-responsável pela Sub. Minas Sul, CRE Leste, e vice-coordenadora educacional Polo Minas.
Nota:
- Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 214, 2017.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO = JBS










