A força e a paixão promovem a paz

ROTANEWS176 30/08/2025 07:35 

JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO = JBS 

Reprodução/Foto-RN176 Desenho humanos de jovens de ilustração da matéria de Ilustrações: Getty Images / Gemini Google

O propósito fundamental da filosofia humanística do budismo é edificar um mundo baseado no respeito pela dignidade da vida. Porém, ao olharmos o cenário mundial, conflitos armados e guerras civis seguem acontecendo em diferentes países. Diante dessa realidade, surge a dúvida: “Como desenvolver ações em prol da paz?”.

Reconhecer nosso potencial

O Sutra do Lótus ensina que todos possuem a natureza de buda e que, para transformar nossa condição de vida, é preciso reformar as crenças que nos impedem de enxergar nosso valor — e também o dos outros.

Portanto, acreditarmos em nós mesmos e nas outras pessoas é o primeiro passo para agir em prol da transformação pessoal e social, mesmo que tenhamos de travar uma luta interna para fazer dessa a base das nossas atitudes. Como declara o presidente Ikeda, “Toda mudança inicia-se pela revolução humana de uma única pessoa”.¹

Ao agirmos com essa determinação e coragem, despertamos nossa força interior e criamos ações para transformar o ambiente onde estamos em um ambiente de felicidade.

Assumir a vanguarda

Criar uma sociedade de paz exige coragem — a coragem de ser o primeiro a agir, mesmo quando ninguém mais parece estar disposto. É preciso assumir a responsabilidade como uma escolha movida por um ideal: o de construir um mundo mais justo, seguro e respeitoso para todos. Viver pela paixão desse ideal é o que transforma nossas intenções em atitudes.

Exemplo citado pelo presidente Ikeda é Malala Yousafzai, uma jovem ativista paquistanesa que, aos 15 anos, foi atacada por frequentar uma escola em seu país.

Ele comenta:

A jovem Malala não sucumbiu porque conseguiu extrair de dentro de si a coragem. Ela diz que o que a move a continuar a contar sua história não é o fato de ela ser única, mas justamente por não ser. Malala não se acovardou diante daquilo que acreditava ser certo e justo pelo bem dela, mas de milhões que estavam e estão fora de uma sala de aula.²

Reprodução/Foto-RN176 A ativista paquistanesa Malala Yousafzai

Em vez de desistir, Malala seguiu na linha de frente, lutando para garantir que todas as meninas, assim como ela, tivessem o direito de estudar. Foi a paixão por esse ideal — o de constituir uma sociedade onde a educação seja um direito de todos — que a manteve firme, mesmo diante dos desafios.

Começar aqui e agora

Embora pareça algo grandioso, agirmos pelo bem das pessoas começa com soluções para os desafios do lugar onde estamos. Assim, fortalecemos a rede humanística que se expande pelo mundo e fazemos da paz uma realidade.

Como fazer isso?

Diante dos conflitos regionais e das guerras civis ocorrendo no mundo, o presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada, em sua recente declaração,³ citou três pilares em nível global para construir um século sem guerras, garantindo o respeito pelos direitos humanos e realizando iniciativas que promovam o diálogo e a interação entre os povos. Em nível local, também podemos utilizar essas referências como um guia para nossos esforços.

O primeiro passo pode ser algo simples: fortalecer as amizades, ouvir novos pontos de vista e manifestar empatia, um dos eixos centrais para criar boas relações.

Outra atitude é praticar o diálogo respeitoso, principalmente quando surgem divergências. Em vez de nos afastar, vamos estabelecer pontes com as pessoas.

Por fim, vale lembrar que nenhuma mudança se faz sozinho. Realizar empreendimentos que promovam o bem-estar, a paz e a cultura com outras pessoas que compartilham do mesmo ideal é uma forma ativa de obter uma nova realidade.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Pode Haver uma História Mais Maravilhosa do que a Sua? São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2018. p. 25.

2. Terceira Civilização, ed. 600, ago. 2018.

3. Declaração do presidente da Soka Gakkai, Minoru Harada, intitulada Ondas de Mudança da Época rumo ao Século Sem Guerras. Disponível em: https://www.brasilseikyo.com.br/central-de-noticias/noticia/999564042/ondas-de-mudanca-da-epoca-rumo-ao-seculo-sem-guerras. Acesso em: 13 ago. 2025.

Intervenções em prol da vida

Em defesa da humanidade

Há 68 anos, Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, fez sua Declaração pela Abolição das Armas Nucleares, no estádio Mitsuzawa, diante de aproximadamente 50 mil jovens.

Assumindo o legado do seu mestre, Tsunesaburo Makiguchi, que morreu na prisão lutando contra a opressão das autoridades militaristas do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, o objetivo de Toda sensei era denunciar o mal proporcionado pelas armas nucleares e convocar o povo a superar essa questão, reforçando que todas as pessoas têm direito à vida.

Em sua declaração, ele expressou o desejo de despertar nas pessoas o compromisso de criar iniciativas para proteger os direitos humanos e construir laços de solidariedade entre os cidadãos de todos os países, tarefa confiada à Divisão dos Jovens. Ele afirma:

Além de fazer propostas concretas para a paz da humanidade é importante também assumir a liderança nas ações para sua implementação. Mesmo quando tais propostas não são aceitas, elas podem servir como uma “faísca” a partir da qual um movimento pela paz acabará por se espalhar como chamas. Doutrinas e teorias às vezes são impraticáveis e vazias. Propostas concretas se tornam pilares para transformação da realidade e protegem os interesses da humanidade.1

Esse legado foi assumido por seu discípulo, Daisaku Ikeda, que empenhou esforços para expandir o humanismo budista a diversos setores e áreas da sociedade.

Honra ao mestre

Com o desejo de corresponder ao ideal do seu mestre, Ikeda sensei dedicou a vida à promoção da paz. Em suas ações se destacam as quarenta Propostas de Paz enviadas à Organização das Nações Unidas (ONU), os diálogos com diferentes personalidades do mundo e vários discursos e palestras em defesa do bem-estar da humanidade.

Em memória do seu mestre, em 1996, o presidente Ikeda fundou o Instituto Toda pela Paz, que se tornou um centro de educação voltado para a promoção da paz e do desarmamento. O instituto já realizou diversas exposições sobre os perigos das armas nucleares, incluindo relatos de sobreviventes dos bombardeios atômicos de Hiroshima e de Nagasaki. Mais de um milhão de pessoas já visitaram o local.

Nota:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.392, out. 2017.

Continuar o legado do Mestre

Reprodução/Foto-RN176 Andressa explica os impactos das armas nucleares no meio ambiente para os participantes de congresso. Foto: Arquivo pessoal

Desde a antiga Divisão dos Estudantes, nível Herdeiro, Andressa Julia de Almeida Costa, vice-responsável pela Juventude Soka do Distrito Parque Sevilha, RM Vila Ema, CCLP, acompanhava a trajetória de Shin’ichi Yamamoto1 e seus esforços para consolidar um mundo de paz descritos nos romances Revolução Humana e Nova Revolução Humana. Essa leitura a inspirou em um momento decisivo: a escolha profissional. Após refletir profundamente, decidiu dedicar à sua carreira na área do direito.

Com apoio e incentivo dos companheiros de sua antiga localidade, em Santos, Andressa realizou o sonho de fazer um intercâmbio acadêmico, tendo a oportunidade de morar na França, país considerado uma potência nuclear.

Durante a experiência no exterior, entre os desafios dos estudos e sua adaptação, ela fortaleceu a sua missão: atuar pelo desarmamento nuclear até o fim da vida. Nos momentos difíceis, ela encontrava apoio em uma orientação de Ikeda sensei, que dizia:

Independentemente do que os outros possam dizer, confio em cada um de vocês. Confiarei até o fim. Quando se sentirem sufocados por preocupações ou incertezas, orem ao Gohonzon com toda a sinceridade. Mesmo que vocês próprios cheguem ao ponto de quase desistir, acreditando que ‘não dá mais’, eu não desistirei (…).2

Apoiada nessa orientação, Andressa transformava as incertezas em decisão pela vitória, renovando continuamente seu espírito de luta. Desde que retornou do intercâmbio, seguiu pesquisando o tema e, recentemente, iniciou o mestrado na Fundação Getulio Vargas (FGV), com o objetivo de aprofundar seu projeto e expandi-lo para outras áreas.

Ao longo do tempo, ela apresentou artigos em congressos científicos e participou do 7º Congresso Internacional de Direito Ambiental  Internacional, abordando os danos e impactos das armas nucleares causados ao meio ambiente, explicando suas consequências. Além disso, dialogou com professores pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da Escócia, inclusive tendo a SGI e as Propostas de Paz do Dr. Daisaku Ikeda como referência científica de um deles.

Para o futuro, seu objetivo é impactar positivamente a humanidade sobre a abolição das armas nucleares e continuar o legado de Ikeda sensei. Ela reforça: “Para isso, vou dedicar minha vida visando ao doutorado e ao pós-doutorado para me especializar em segurança internacional e desarmamento nuclear a fim de dialogar com autoridades e a sociedade, além de colaborar com o meio acadêmico”.

Notas:

1. Shin’ichi Yamamoto: pseudônimo do Dr. Daisaku Ikeda nos romances Revolução Humana e Nova Revolução Humana.

2. IKEDA, Daisaku. Vozes para um Futuro Brilhante. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2023, p. 168.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO = JBS