ROTANEWS176 03/04/2025 18:25
Uma experiência da NASA mostra que a ausência de gravidade afeta seletivamente os ossos. Os resultados podem mudar a forma de proteger a saúde dos astronautas.
Reprodução/Foto-RN176 A NASA descobriu um efeito inesperado da ausência de gravidade
Camundongos enviados por 37 dias à Estação Espacial Internacional apresentaram uma perda óssea preocupante. Ao contrário do que se pensava, esse fenômeno não afeta uniformemente o esqueleto, mas atinge especificamente os ossos normalmente estimulados pela gravidade.
Ossos que “desaparecem”… mas não todos
Os fêmures dos camundongos, submetidos a esforços mecânicos na Terra, perderam até 30% de sua densidade. Por outro lado, suas vértebras lombares, menos dependentes da gravidade, permaneceram estáveis. Essa diferença confirma que a ausência de pressão física explica principalmente a degradação.
Os camundongos jovens também apresentaram envelhecimento prematuro das cartilagens de crescimento. Sua ossificação acelerou-se, um mecanismo que pode comprometer o desenvolvimento ósseo em futuros astronautas adolescentes.
Por fim, os roedores ativos – graças a gaiolas com paredes 3D – resistiram melhor. Sua atividade física compensou parcialmente os efeitos da microgravidade, oferecendo uma pista para missões tripuladas.
Um desafio vital para a exploração espacial
Astronautas perdem até 10% de sua massa óssea em seis meses, um ritmo dez vezes maior que a osteoporose terrestre. Fraturas se tornariam um risco grave em missões prolongadas, como uma viagem a Marte.
O estudo descarta a hipótese das radiações espaciais: ossos não portantes, como vértebras, são poupados. Apenas a microgravidade parece responsável, direcionando soluções para exercícios específicos ou habitats que simulem pressão mecânica.
Essas descobertas destacam a urgência de adaptar tecnologias espaciais. Exoesqueletos ou vibrações artificiais podem se tornar essenciais para preservar a saúde das tripulações.
Para saber mais: É possível reverter a perda óssea após um voo espacial?
Dados atuais mostram que a recuperação óssea pós-missão é lenta e muitas vezes incompleta. Após seis meses em órbita, um astronauta pode levar de 3 a 5 anos para recuperar sua densidade óssea inicial, com variações significativas entre indivíduos. Alguns nunca se recuperam totalmente, mantendo sequelas comparáveis à osteoporose precoce.
Protocolos de reabilitação combinam várias abordagens. Exercícios intensos com cargas pesadas ainda são o método mais eficaz, complementado por suplementos nutricionais (vitamina D, cálcio). A NASA também testa terapias vibratórias e medicamentos antiosteoporóticos, com resultados promissores, mas ainda limitados.
Um fator-chave parece ser a duração da missão. Após um ano no espaço, danos ósseos podem se tornar irreversíveis. Por isso, pesquisadores estudam medidas preventivas: trajes com gravidade artificial, exercícios com sistemas de resistência avançados e até tratamento medicamentoso precoce.
Essas descobertas têm impactos terrestres importantes. Elas ajudam a entender e tratar a osteoporose senil ou em pacientes acamados. O espaço serve como laboratório extremo para a medicina óssea, revelando mecanismos que levariam décadas para aparecer na Terra.
AUTOR DO ARTIGO: CÉDRIC DEPOND
FONTE: PLOS ONE