Queda de 3,6% do PIB é resultado do que classe política plantou
ROTANEWS176 E BLOG DO KENNEDY 07/03/2017 9h41
Reprodução/Foto-RN176 Da esquerda para direita: Governador do Estado de São Paulo Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho (PSDB) e o Prefeito da Cidade de São Paulo João Agripino da Costa Doria Junior (PSDB)
Ao assumir ontem o desejo de ser candidato à Presidência da República no ano que vem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mostrou fraqueza e revelou a força dos rumores tucanos que querem lançar o prefeito João Doria ao Palácio do Planalto.
Se o governador precisa ir ao evento de uma empresa do prefeito dizer que não seria verdadeiro negar o desejo de ser candidato, como aconteceu ontem em São Paulo, isso mostra que os rumores no PSDB a favor de um projeto presidencial de Doria são consistentes.
Até recentemente, o nome do governador de São Paulo era o mais forte para disputar a Presidência pelo PSDB no ano que vem. Há informações de bastidor que dão conta de que as delações da Odebrecht e outras colaborações, como o recall da Andrade Gutierrez, atingiriam de forma mais dura os senadores José Serra e Aécio Neves do que o governador Geraldo Alckmin.
Os três caciques tucanos são citados nas delações, mas os próprios investigadores dizem que, por ora, Alckmin apareceria de forma menos negativa, digamos assim. Portanto, se passar pelas delações com tiros de raspão, Alckmin manteria a vantagem que tem hoje em relação a Aécio e Serra para concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSDB. Mas Doria é um fator novo no PSDB e na política nacional, que poderia ser apresentado como um nome sem a mancha da Lava Jato e tirar a vantagem política que Alckmin possui hoje.
Nesse momento, a declaração de Alckmin ajuda um pouco a esfriar, a conter o avanço da ideia de Doria ser candidato. O próprio prefeito repetiu ontem no mesmo evento que o governador é o candidato dele. Mas a tanto tempo da eleição, é uma afirmação de lealdade que precisa ser relativizada.
Nas pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2018, Alckmin, Serra e Aécio perderam cacife para Jair Bolsonaro. Doria tem um ritmo feérico na administração de São Paulo, com muito foco no marketing político e exposição nas redes sociais. Será preciso ver se terá fôlego e se resolverá questões complicadas da cidade de São Paulo. Em algum momento, o excesso de marketing pode ser um fator negativo.
No entanto, Doria é um fenômeno político que não pode ser desprezado e que pode ser abraçado pelos eleitores mais conservadores e pela extrema-direita, bloqueando Bolsonaro e se colocando como o tucano mais bem posicionado em pesquisas sobre a sucessão. A forma como Doria não perde uma chance de se contrapor ao ex-presidente Lula estimula os que sonham com a candidatura dele ao Planalto.
Jabuti na árvore
Na entrevista ao SBT, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que Michel Temer poderia ser candidato novamente à Presidência na hipótese de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar a chapa PT-PMDB que concorreu na eleição de 2014. Segundo Eunício, Temer poderia ser candidato numa eleição indireta no Congresso ou até num pleito direto.
Nos bastidores do Congresso e do PMDB, há uma tese pela qual Temer poderia continuar elegível mesmo com a cassação, desde que a decisão do TSE fizesse uma diferenciação sobre as responsabilidades dele e de Dilma numa eventual cassação da chapa. É tema delicado, mas só de estar sendo discutido mostra a disposição do atual grupo no poder de se manter onde está.
Eunício fez coro com o ex-presidente Fernando Henrique e com o governador Geraldo Alckmin, que defenderam a diferenciação entre caixa 2 praticado em campanhas eleitorais e dinheiro recebido para enriquecimento pessoal ilícito. Eunício defendeu que o Congresso discuta a anistia e até debata o tema com o Ministério Público. Também disse que, em último caso, a Justiça deveria separar o joio do trigo.
As falas de Eunício, FHC e Alckmin mostram que cresce o movimento a favor dessa anistia, extremamente difícil de ser aceita pelo Ministério Público e pela opinião pública. A ministra Cármen Lúcia, hoje presidente do STF, disse no julgamento do mensalão que caixa 2 era crime e agressão à sociedade. Não há informação de que ela tenha mudado de opinião. Mas o jabuti da anistia ao caixa 2 eleitoral foi colocado novamente na árvore por tucanos e peemedebistas bem à luz do dia.
No buraco
O desastre da queda do PIB de 2016, com retração de 3,6% na comparação com 2015, veio dentro das expectativas do mercado. O número, divulgado hoje pelo IBGE, é resultado do que a classe política plantou.
A política econômica do governo Dilma é a principal responsável pela recessão, mas ela foi agravada por ações do PSDB e da atual base de apoio do governo Temer.
O PSDB apostou na política do quanto pior melhor. A base de apoio de Temer, que era a mesma de Dilma, aprova agora medidas que negou à petista. A classe política como um todo priorizou a luta pelo poder e deixou em segundo plano a economia.