ROTANEWS176 06/12/2025 10:40
ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS
Ideais educacionais de Tsunesaburo Makiguchi transformam-se em ações no Brasil.
Reprodução/Foto-RN176 Diretor do Colégio Soka do Brasil, Rodrigo Conceição: “Sou discípulo do Sr. Ikeda”

Em 6 de junho de 2025, aniversário natalício de 154 anos de Tsunesaburo Makiguchi, edu-cador e primeiro presidente da Soka Gakkai, o Seikyo Shimbun iniciou a publicação de uma série especial sobre as práticas da educação Soka em terras brasileiras. Brasil Seikyo publica, a seguir, síntese da parte da série que enfoca o Colégio Soka do Brasil.
Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustrativa da matéria

Um recente censo demográfico brasileiro trouxe uma seção de respos-tas livres sobre a “fé” de cada pessoa. Segundo os dados apurados, cerca de 84% da população do país é cristã. Rodrigo Teixeira Conceição, diretor do Colégio Soka do Brasil, também é católico devoto. Qual motivo o levou a promover a educação Soka, baseada na filosofia humanística do budismo?
No ano passado, o diretor Rodrigo conheceu a trajetória da educação humanística promovida pelos três presidentes da Soka Gakkai [Tsunesaburo Makiguchi, Josei Toda e Daisaku Ikeda] por meio de um líder da Associação Brasil SGI (BSGI). Rodrigo leu as obras Jinsei Chirigaku [Geografia da Vida Humana], de Makiguchi, e Educação Soka e Aos Educadores, de Daisaku Ikeda.
O diretor ficou profundamente impressionado. Apesar de ter estuda-do pedagogia e gestão educacional na Universidade de São Paulo e na Faculdade de Educação de Harvard, e de ter contribuído para a administração de três grandes escolas particulares, refletiu com certa frustração: “Como nunca conheci a educação Soka antes?”.
O fundador Daisaku Ikeda confiou ao Colégio Soka do Brasil uma missão social: “Colégio Soka do Brasil, / o baluarte da educação humanística, / onde floresce o potencial da criação de valor em cada indivíduo” — a filosofia educacional estabelecida pelo primeiro presidente da Soka Gakkai, Tsunesaburo Makiguchi, junto com o segundo presidente, Josei Toda, está resumida nessa única frase.
Rodrigo Conceição teve a certeza de que ali estava o ideal de educação em que acreditava. E tomou uma decisão: “Sou discípulo do Sr. Ikeda”.
Ao ouvir um elogio “de um” dos estudantes do colégio, o diretor sorriu com ternura: “Nós sempre reforçamos aos estudantes: ‘Vamos olhar o mundo com os mesmos olhos do fundador, Daisaku Ikeda’. Acredito que esse estudante pensou: ‘O que o Sr. Ikeda faria?’ — e agiu com base nisso”.

Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustração da matéria
Pessoas que encontram “sentido” na aprendizagem e na vida
Com o reconhecimento de sua excelente capacidade de gestão e caráter íntegro, Rodrigo Conceição foi nomeado diretor do colégio em outubro do ano passado. Desde a fundação da escola como Centro de Convivência Infantil Soka do Brasil, em 2001, é a primeira vez que alguém com fé católica assume essa função.
Hoje, o colégio oferece educação integrada do ensino fundamental ao ensino médio, com 375 estudantes recebendo formação como cidadãos globais sob a supervisão de 94 professores e funcionários.
Observar que cerca de 60% das famílias têm crenças religiosas diferentes do budismo não é motivo de surpresa. Pelo contrário, é justamente por ter buscado conduzir o colégio com base em sua fé que o diretor afirma: “Nesta escola, que tem o budismo como solo filosófico, sinto que é possível contribuir com a sociedade como uma instituição humanística, e não comercial”.
O Sutra do Lótus revela o desejo do Buda de habilitar o “desabrochar da sabedoria e da compaixão” na vida das pessoas. É uma filosofia que acredita no infinito potencial inerente à vida delas e a eleva [a vida] à condição iluminada de Buda.
A educação Soka tem como propósito o “desenvolvimento da capaci-dade de ser feliz”. A felicidade é entendida como a criação dos valores do belo, do benefício e do bem, e sua prática busca dignificar o valor do caráter que torna isso possível.
Com as próprias palavras
Todas as salas de aula têm turmas pequenas. Há um critério de “até vinte estudantes por classe”, e os professores conduzem as aulas dialogando com cada estudante.
O idioma oficial do Brasil é o português, mas o inglês é ensinado como segunda língua, e os estudantes também podem aprender japonês e espanhol.
No ensino médio, disciplinas como matemática e política internacional são ministradas em inglês como parte do programa educacional do Bacharelado Internacional (IB). Por meio dele, os formandos têm ingressado não apenas em universidades brasileiras, mas na Universidade Soka do Japão e dos Estados Unidos, além de outras instituições renomadas no mundo.
Não se trata apenas de aprender idiomas no colégio visando prestar exames. Quando são questionados sobre “Por que estudam?”, os estudantes respondem: “Porque quero fazer amigos ao redor do mundo”, “Porque quero ajudar a resolver problemas globais”, e assim por diante.

Reprodução/Foto-RN176 Foto de destaque para lustração da matéria
Crianças felizes enquanto aprendem
Para que as crianças percebam “qual o propósito do aprendizado” e “que tipo de valor pode ser criado na vida”, os educadores buscam se envolver de forma consciente e planejada — essa é a essência da educação Soka idealizada pelo Prof. Makiguchi.
Na quadra poliesportiva do co-légio, enquanto os estudantes do Ensi-no Fundamental Anos Finais praticam o movimento de “toque” no vôlei durante a aula de educação física, o diretor Rodrigo comenta: “Os professores transmitem aos estudantes que até esse treino carrega os valores ‘do belo, do benefício e do bem’. O professor Makiguchi dizia que o objetivo da educação física é promover a saúde, a base da felicidade”.
Quais são esses três valores?
Primeiro, destaca-se o “belo”. Nesse caso, corresponde ao prazer de praticar o esporte em si.
A seguir, identifica-se o “benefício”. Ao observar a trajetória da bola e abrir bem as mãos para recebê-la, os estudantes desenvolvem a sensibilidade das pontas dos dedos — chamadas de “segundo cérebro” —, aumentando a capacidade de raciocínio e de concentração. Também aprimoram a percepção espacial, útil tanto na vida cotidiana quanto em futuras profissões. Essa capacidade de gerar “benefício” surgirá por meio de ações voltadas para si e para os outros.
Por fim, contempla-se o “bem”. Ao dar o toque de forma que o colega possa receber a bola com facilidade, além de se comunicar e sincro-ni-zar os movimentos, eles conseguem evidenciar o melhor de si.
Esse tipo de prática desenvolve habilidades de cooperação e sensibilidade social, levando a uma vida voltada para a criação de valor social.
Em um simples treino de vôlei, os estudantes demonstram entusiasmo — talvez porque sentem o “propósito” por trás da atividade. O mesmo brilho é visto nas salas de aula de ciências, música, artes e trabalhos manuais.
Como escola associada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a instituição tem o compromisso de formar pessoas capazes de enfrentar desafios globais com base nos ideais de “paz” e “direitos humanos”. Por isso, o diretor busca fortalecer ainda mais os princípios da educação Soka.
Reuniões regulares são realizadas com professores, estudantes e até com os pais, para que reflitam, juntos, sobre “o que é a educação Soka”.
No saguão do colégio, estudantes do Ensino Fundamental Anos Iniciais e professores se reúnem. O nome das crianças e dos adultos que fazem aniversário naquele mês é chamado. Todos dizem: “Parabéns!”, “Te adoro, você é muito especial!”. Em seguida, juntos cantam o Parabéns pra você!.
O diretor sorri. “Construir um mundo humano onde todos possam sentir genuinamente: ‘Que bom que eu nasci!’ — esse é o desejo do Sr. Ikeda, não é mesmo?”
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FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS










