ROTANEWS176 25/01/2025 08:25 RELATO DIRETO DA REDAÇÃO DO JBS
Karina transforma o carma da doença e conquista pódios seguidos como atleta na dança em cadeira de rodas.
Reprodução/Foto-RN176 A vitoriosa Karina, posa num parque em São Paulo. Atleta de paradança. Na BSGI, é responsável pela Divisão Feminina (DF) da Comunidade Girassol e vice-responsável pelo Zenshin da RM José Bonifácio, CCLP – Foto: Arquivo pessoal
Nos palcos da vida, desenvolvi-me na arte da esperança. Eu me chamo Karina Vargem, tenho 43 anos, resido na zona leste de São Paulo, SP. Com muito orgulho, nasci num lar budista, sendo a terceira geração de praticantes da família, que se iniciou pelos meus avós Nair e Osvaldo Isaias. Escolhi para mim o Budismo Nichiren como filosofia de vida e Daisaku Ikeda como meu grande mestre. Com Ikeda sensei, aprendi a cultivar sonhos, ciente de que os conquistaria por meio das minhas ações do presente. Já passei por muitas adversidades nesta vida, mas jamais duvidei da força do Gohonzon.
Foi com esse pensamento que, aos 19 anos, encarei a doença. Com fortes dores pelo corpo, febre altíssima por longos dias e internação por dois meses, a princípio, recebi o diagnóstico de lúpus (doença inflamatória de causa desconhecida). Mas, ao trocar de médico, três anos depois, quando voltei a ter todos os sintomas de dores e dificuldade de locomoção, descobri que, na verdade, era artrite reumatoide (doença crônica também de causa desconhecida, que tem como característica inflamação articular persistente).
A demora de um diagnóstico preciso levou à atrofia das minhas articulações e, consequentemente, tive de usar cadeira de rodas.
Estar numa cadeira de rodas, para muitos, é o fim de tudo. Mas, para mim, que recito Nam-myoho-renge-kyo, jamais pensei assim. Criei forças para seguir adiante, pondo à frente todo o treinamento recebido na Soka Gakkai. Fortaleci a minha vida na banda Asas da Paz Kotekitai por oito anos, na Divisão dos Estudantes, e naquele momento, na Divisão dos Jovens. Por que lamentar? Vencer é não desistir.
Lancei meu primeiro desafio como cadeirante: a tão sonhada faculdade. Com a recitação do daimoku, vencendo limitações e desafios nos quatro anos de curso, graduei-me em comunicação social, com habilitação em publicidade e propaganda, com êxito, em 2010. Sou muito grata aos meus pais por me acompanharem nessa jornada. Meu diploma é deles também.
Reprodução/Foto-RN176 Na sequência, Karina exibe as medalhas conquistadas em seu primeiro campeonato de dança em cadeira de rodas. Depois, com a família, apoio de todas as horas; e fechando com as companheiras do grupo Zenshin da RM José Bonifácio – Foto: Arquivo pessoal
Avançar é a minha missão
Foi no período da faculdade que conheci a dança em cadeira de rodas, na Solidariedança, projeto que combina dança e inclusão para pessoas com e sem deficiência. Entrei no grupo para ter uma atividade física, ajudando na minha reabilitação. Foi mais que isso: a dança se tornou parte importante de mim.
Tive muitas conquistas depois de me tornar uma pessoa com deficiência. Essa nova rotina, no entanto, é bem desafiadora. Porém, decidi encarar tudo de forma leve.
Com o boom na área digital observado no período, tornei-me empreendedora na área, apoiada pela minha irmã Katia, minha mentora. Criei coragem para trabalhar com o que amo, atuando hoje em comunicação visual e marketing digital, além de ser palestrante.
Os últimos anos trouxeram muitos desafios: a pandemia; a perda do meu amado pai, em 2020; o retorno à vida social; entre outros. Em novembro de 2023, Ikeda sensei partiu desta existência, e senti muito. Ao mesmo tempo, renovei o juramento de dar continuidade ao legado deixado por ele, o kosen-rufu, levando felicidade às pessoas. Naquele mês, fui convidada a atuar como vice-responsável do Zenshin (mulheres até 45 anos) de RM. Que responsabilidade! Fiz a minha sincera decisão de atuar para o desenvolvimento de cada companheira, e, para isso, o “Desafio dos Cem Dias de Daimoku” tem sido essencial. Os benefícios surgem.
Medalhas como atleta de dança
E por falar em grandes conquistas, em 2023, tornei-me atleta de dança esportiva e participei no meu 1º Campeonato Brasileiro de Dança Esportiva em Cadeira de Rodas. Um sonho acalentado há anos. Foi bem desafiador, mas conquistei o primeiro lugar nas três categorias que competi: individual, dupla e grupo. Com as medalhas no peito, olhei para trás e me lembrei do encorajamento de Ikeda sensei de que o futuro se constrói todos os dias. Foi por essa razão que cheguei a essa classificação, à base de cursos, imersões e muita dedicação.
Em novembro de 2024, estava eu lá, competindo, de cadeira motorizada, do meu segundo campeonato. Eu me tornei bicampeã nacional na categoria motorizada, pois conquistei novamente o primeiro lugar no Single Power Chair, categoria individual, e o terceiro lugar com a minha dupla feminina. Mais duas medalhas na galeria: ouro e bronze! Percebi que não é apenas sobre o campeonato, mas quanto aprendi, fortaleci-me e não desisti no meio do caminho. Nam-myoho-renge-kyo!
Meu coração é só gratidão por ter tido um grande mestre, que sempre me treinou e me fez acreditar que tudo é possível. E à minha mãe, rainha que me acompanha e abraça todos os meus sonhos. Venho avançando sem medir esforços, em meio aos meus companheiros da comunidade e das rainhas Zenshin. Ikeda sensei, conte comigo! Estou comprovando suas palavras:
Onde há desafio, há progresso.
Onde há desafio, há esperança.
Onde há desafio, há alegria.
Onde há desafio, há felicidade.
Onde há desafio, há vitória.1
Karina Cristiane Vargem, 43 anos. Atleta de paradança. Na BSGI, é responsável pela Divisão Feminina (DF) da Comunidade Girassol e vice-responsável pelo Zenshin da RM José Bonifácio, CCLP.
No topo: A vitoriosa Karina, posa num parque em São Paulo. Fotos: Arquivo pessoal.
Nota:
1. Brasil Seikyo, ed. 2.298, 7 nov. 2015, p. D1
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO